A lembrança emocionada da primeira propriedade

Aos 76 anos, o pecuarista Ismael Borges conta como viu na pecuária a chance de prosperar e ser feliz

Natural da Bahia, o ex-bancário Ismael Borges dedicou anos de sua vida ao serviço burocrático. Tudo mudou com a transferência dele para Rondônia, há 40 anos.

Quando desembarcou no aeroporto em Porto Velho, Ismael disse algo que ele sempre repete quando alguém lhe pergunta qual foi sua primeira impressão da cidade. “O diabo é que fica aqui”, brinca, repetindo para si mesmo que não ficaria em um lugar tão quente que parecia um inferno.

Hoje, 40 anos depois e com 18 propriedades rurais na região de Ji-Paraná, centro do Estado, o pecuarista de fala mansa e passos calmos ainda revela, com brilho nos olhos e a voz embargada, os incontáveis desafios enfrentados para chegar onde está hoje. Ele ainda se lembra do dia em que deixou a cidade sentido à zona rural para olhar o sítio que seria então sua primeira aquisição, a cerca de 30 quilômetros de Ji-Paraná.

Eu vim olhar esse lote em um fusquinha. Atolei oito vezes no caminho. Então, deixei o fusquinha na esquina, fui a pé com o meu menino mais velho no pescoço, hoje com quase 40 anos. Olhei isso aqui e voltei”, relata Ismael, avisando que desistiria do negócio. Porém, o dono disse que ele perderia a maior oportunidade da sua vida e aquilo o tocou profundamente. “Então eu resolvi aproveitar”, diz, emocionado.

Nessa primeira propriedade, ele tinha um burro e quatro porcos. Foi a partir daí que iniciou sua atividade como homem do campo. Em seguida, comprou seis novilhas e um touro. Era, então, o pontapé inicial para o que estaria por vir.

Depois disso, começou a comprar terras vizinhas e hoje são 18 propriedades, todas dedicadas à principal atividade da Fazenda de Todos os Santos, a criação de gado para engorda.

Atualmente, são 3 mil cabeças de gado e há planos para melhorar o campo e dobrar o número do rebanho.

Com a pecuária, ele criou os quatro filhos, três médicos-veterinários e uma médica. Dois trabalham diretamente com o patriarca e sonham em ampliar ainda mais os negócios.

Ao falar sobre o Dia do Pecuarista, Ismael mais uma vez fica com a voz embargada e se emociona. “Olha, eu até me assustei com o convite. Com tanta gente grande por aí, por que me escolheram?”, conta. “O meu conselho aos pecuaristas é que persistam, persigam suas ideias, porque o Brasil precisa de nós”, concluiu.

Sobre o futuro, Ismael tem apenas um desejo: viver ainda muitos anos com saúde para estar sempre perto do gado, das fazendas e da família, a base de tudo.

“O meu amor pelo gado é indescritível porque foi por onde achei o fio da meada, onde encontrei aquilo que queria, que era prosperar… prosperar, criar meus filhos e ser uma pessoa de renome. E graças a Deus eu consegui.” – Ismael Borges.

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4 respostas para “A lembrança emocionada da primeira propriedade”

    1. Oi Rogerio, como vai? Quanto mais dedicação ao trabalho, melhor ainda é notar os resultados né?! ? Você trabalha com pecuária há muito tempo?

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