A oferta de boiadas baixa e o mercado em alta

Daqui para a frente, a expectativa é de que a baixa oferta, característica da entressafra, continue ditando o rumo do mercado, ainda mais agora que estamos próximos do início de mês, quando sazonalmente há uma melhora do consumo.

A redução da oferta de boiadas trouxe firmeza para o mercado do boi gordo. Esse foi o cenário em julho.

Só em São Paulo, por exemplo, a alta foi de 2,9% em julho (até o dia 27), inclusive no mercado futuro B3. Sendo o principal centro consumidor de carne bovina do país e preço de referência no mercado do boi gordo, podemos afirmar que a média pode se refletir em todo o Brasil Central.

O movimento de alta somente não foi mais intenso porque a demanda não evoluiu como o esperado e, com a dificuldade em escoar a produção, os compradores desaceleraram, reduziram o volume de abate e/ou abateram menos dias para adequar a oferta à demanda.

Figura 1
Cotação da arroba do boi gordo em São Paulo (eixo da esquerda), R$/@, à vista, livre de Funrural, e do boi casado de bovinos castrados (eixo da direita), em R$/kg, ao longo de julho.

Com a demanda patinando e a oferta reduzida de boiadas, a margem de comercialização dos frigoríficos encolheram. Entretanto, apesar da queda da margem, no fim de julho (27) ainda estava em 22,6%, cerca de um ponto percentual acima da média histórica.

O que esperar do mercado do boi gordo em agosto?

A expectativa é de que a oferta contida, característica da entressafra, seja a balizadora, ditando o rumo do mercado. Porém, o Dia dos Pais pode colaborar com o escoamento da carne bovina, puxando ainda mais os preços para cima.

Normalmente, agosto tem sido um mês de valorização no mercado atacadista de carne bovina com osso, foi assim em 2015 e 2016, por exemplo.

Figura 2
Variação da cotação do boi casado de bovinos castrados ao longo de agosto.

Para agosto, mesmo com a recuperação modesta da economia (no início do ano projetava-se um crescimento econômico mais intenso do que o que tem ocorrido), a expectativa é de que o mercado continue ganhando força.

Entretanto, apesar de na média dos últimos seis anos o preço do boi casado ter tido alta de 6,8%, vale lembrar que a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 1,8% de junho para julho. Já o consumo no varejo, medido pelo IBGE, teve queda de 0,6% em maio (dado mais recente).

Ou seja, ainda que o prognóstico seja de um mercado firme, com preços maiores para a arroba do boi gordo, o indicado (sempre) é que o produtor garanta margem.

Outro fator que também pode colaborar com o aumento da demanda é a possível reabertura da Rússia, porém, vale lembrar que cerca de 80% da carne bovina é consumida internamente e, portanto, mesmo que haja, de fato, a reabertura, ela não deve impactar muito o mercado.

Autor: Felippe Reis – Zootecnista

 

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