A suplementação deve ser olhada como um investimento!

É preciso cuidado ao analisar os custos e seus retornos para não fazer “economia errada”, pois nem sempre o sistema que aparenta ser o “mais barato” é o que trará melhor resultado.

Estamos no período seco do ano e muitos pecuaristas já planejam as estratégias que adotarão para a engorda da boiada quando o pasto rebrotar, a partir do início das chuvas.   

A pastagem é a principal fonte de alimento e a mais “barata” dentro do sistema de engorda de bovinos. Porém, sozinha, nem sempre é suficiente para manter a boiada engordando. Um bom pasto, aliado a uma boa suplementação durante todo o ano, é a chave para o sucesso produtivo.

Entretanto, na média geral, a realidade da pecuária brasileira está bem longe disso. O que é mais grave é que muitos pecuaristas ainda não usam suplementação nem no período seco, quando as pastagens estão nos níveis mais críticos de deficiência de nutrientes.

O principal motivo que leva à negligência da suplementação proteica é o “custo alto” com a compra do insumo. Mas será que realmente compensa “economizar” na suplementação?

Simulação

Considere que, a partir de novembro, em uma pastagem plenamente recuperada do período seco, serão colocados dois lotes de bezerros com 210 kg: lote A e lote B.

O lote A representa um sistema menos tecnificado e recebe suplementação mineral durante o ano todo (período das águas e da seca). Já o lote B ilustra um sistema melhorado e recebe suplementação mineral nas águas (5 meses) e suplementação proteica na seca (7 meses).

Durante todo o período que estiveram na propriedade, além dos insumos nutricionais, os bezerros receberam o mesmo protocolo sanitário, composto por vermifugações (2x ao ano), vacina contra clostridiose e vacinação anti-aftosa.
Com relação à mão de obra, o padrão utilizado foi de R$ 2.040,00 por colaborador/mês e a proporção de 1 funcionário para 750 cabeças. O arrendamento de pasto considerado foi de R$ 25,00 cabeça/mês na recria e R$ 30,00 a cabeça/mês na engorda.

Figura 1.
Comparação entre os resultados dos dois sistemas de produção.

No sistema A, o custo médio mensal foi de R$ 40,53/cabeça e o ganho de peso médio na recria e engorda foi ao redor de 240 g/dia. No sistema B, o custo médio mensal foi de R$ 48,16/cabeça e o ganho de peso médio em torno de 400 g/dia.

Apesar do maior desembolso mensal no sistema B, a suplementação proteica garantiu ao lote ser terminado com 12 meses a menos. Isso porque consideramos que o lote que não recebeu suplementação proteica na seca manteve o peso. Se houvesse perda de peso na entressafra do capim, essa diferença ficaria ainda maior.

Com a terminação mais rápida no sistema melhorado, o custo total por cabeça foi R$ 265,10 menor, além do ganho extra de 1,80 arroba. Considerando o preço da arroba de R$ 145,00, foram R$ 261,00 a mais de receita por animal. Ou seja, a “economia” na suplementação proteica gerou ao sistema A um resultado negativo de R$ 526,10/cabeça frente ao sistema B.

Esses R$ 526,10 poderão ser reinvestidos no próximo ciclo de produção. E extrapolando para as cotações vigentes, o montante seria suficiente para comprar 328,8 kg de suplemento proteico ou ainda pagar quase a metade (43,8%) de um bezerro de R$ 1,2 mil.

Conclusão

 Os custos de produção estão aumentando em maior proporção do que a receita com a venda do boi gordo. Naturalmente, as margens de lucro do pecuarista estão estreitando. Diante disso, ser eficiente não é mais uma opção e sim uma obrigação para quem deseja permanecer na atividade.

Um sistema de recria e engorda com 29 meses pode não ser o ideal e existem sistemas muito mais eficientes. Porém, utilizar a suplementação proteica é um passo importante na direção da intensificação.

Os ganhos da suplementação proteica são: a terminação mais precoce do animal, maior giro dos animais (maior desfrute), menor custo na produção de arrobas e, consequentemente, maior receita para o pecuarista. 

Por fim, vale destacar que foram apresentadas neste artigo simulações, e não experimentos, mas seguramente os resultados estão dentro da realidade, levando em conta os parâmetros técnicos adotados.

É preciso cuidado ao analisar os custos e seus retornos para não fazer “economia errada”, pois nem sempre o sistema que aparenta ser o “mais barato” é o que trará melhor resultado.

Autor: Breno de Lima – Zootecnista

 

 

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*