Abates de bovinos: mais fêmeas no primeiro semestre

Aumentar a produtividade para ter mais o que vender na fase de alta tende a ser uma boa estratégia.

Rebanho de vacas

Acompanhar os abates de bovinos é importante para entender o cenário da oferta de gado e, por meio da participação de fêmeas nesses abates, saber o que esperar da oferta nos próximos anos.

No primeiro semestre de 2018, foram abatidos 15,5 milhões de bovinos segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que representa um aumento de 4,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior (ver figura abaixo).

Figura 1
Abates de bovinos nos primeiros semestres, em mil cabeças.

Abates de bovinos nos primeiros semestres, em mil cabeças
Fonte: IBGE | Elaborado por Scot Consultoria

Esse acréscimo de abates aumentou a produção de carne. Associando os dados de produção, exportação e importação, chegamos aos dados de disponibilidade interna de carne bovina. Esse indicador representa o que ficou no mercado doméstico, sem considerar as perdas.

No primeiro semestre, houve aumento de 5,4% na disponibilidade interna, frente ao mesmo período de 2017.

Como a margem da indústria está dentro da média histórica, mesmo com maior oferta, é um indicativo de que a demanda melhorou este ano. Não temos um cenário de consumo ávido, mas em recuperação. 

Mais fêmeas abatidas hoje, menos bezerros amanhã

Outra razão para o acompanhamento do abate de fêmeas é traçar projeções quanto à oferta de bezerros nos próximos anos, o que influencia nos preços da reposição.

A figura 2 mostra a variação do abate de bovinos nos primeiros semestres, por categoria (fêmeas, machos e total).

Figura 2
Variações dos abates de bovinos, frente ao mesmo período do ano anterior.

Gráfico - Variações dos abates de bovinos, frente ao mesmo período em 2017
Fonte: IBGE | Elaborado por Scot Consultoria

Quando a produção de bezerros fica menos interessante e desestimulante, aumenta a oferta de novilhas e de vacas para os frigoríficos.

De janeiro a junho, as fêmeas representaram 45,5% dos bovinos abatidos, frente a 43,9% e 40,6%, nos mesmos intervalos de 2017 e 2016, respectivamente.

Em 2016 e 2017, a cotação média do bezerro caiu 10,6% e 15,4%, respectivamente, em valores deflacionados (descontando a inflação, medida pelo IGP-DI). Isso afetou a rentabilidade dos criadores e provocou o aumento do abate de fêmeas.

Conclusões

O aumento do abate de fêmeas é a base da redução da oferta de bezerros nos próximos anos, o que tende a valorizar a categoria. Preços maiores melhoram a rentabilidade da cria, o que estimula a retenção de vacas e novilhas.

Menos fêmeas indo para o frigorífico diminuem a produção de carne e ajudam a firmar o mercado como um todo.

Em outras palavras, os dados de abate têm confirmado as expectativas de um mercado promissor para a venda em 2019 e 2020. Aumentar a produtividade para ter mais o que vender na fase de alta tende a ser uma boa estratégia.

Autor: Hyberville Neto – Médico Veterinário

 

 

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9 respostas para “Abates de bovinos: mais fêmeas no primeiro semestre”

  1. Boa tarde! Estou interessado neste assunto, porque estou iniciando nesse ramo da pecuária e o meu maior interesse é em relação a gado de corte,

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