As eleições e o mercado do boi gordo

Em anos de eleições presidenciais, como o atual, as valorizações médias do boi gordo no segundo semestre foram maiores que em anos sem o evento.

Passada a Copa do Mundo e com o avanço do segundo semestre, o processo eleitoral chama a atenção e aqui analisamos seus efeitos sobre a cotação da arroba do boi gordo.

O mercado do boi trabalha em ciclos, como apresentamos no artigo sobre os abates de fêmeas, publicado recentemente.

No entanto, além dessa oscilação da oferta de boiadas e das categorias de reposição decorrentes dos abates de fêmeas e períodos de maior e menor atratividade da pecuária, a demanda tem papel fundamental.

Em 2009, por exemplo, vínhamos de um mercado do boi gordo em alta nos anos anteriores, mas a redução da demanda causada pela crise global fez as cotações patinarem. Em 2010, houve recuperação dos preços pecuários, com a retomada da economia (e do consumo).

Assim como para os diversos mercados, a oferta e a demanda ditam as regras. No caso do mercado de carne bovina e boi gordo, o destaque vai para a demanda doméstica, que representa cerca de 80% da produção brasileira.

A influência da economia sobre o consumo pode ser observada por um efeito chamado elasticidade-renda. A elasticidade é um efeito que faz com que variações de renda influenciem positiva ou negativamente no consumo, influindo na precificação do boi gordo.

O efeito da campanha

O mercado do boi gordo funciona em ciclos e, em anos de eleições, é observado um fluxo adicional de dinheiro, em decorrência de gastos com as campanhas. Isso acaba colaborando para o consumo de carne bovina.     

Como as eleições ocorrem no segundo semestre, fizemos uma análise das variações de preços do boi gordo em São Paulo, comparando as médias do primeiro e segundo semestres. Dividimos os anos em três grupos: com eleições presidenciais, municipais e sem eleições.

Figura 1
Variações de preços do boi gordo em São Paulo, entre o primeiro e segundo semestres (desde 1997).

 

Em média, as cotações no segundo semestre em anos de eleições presidenciais foram 13,4% maiores que a média do primeiro semestre. A menor alta observada foi de 5,2% e a maior de 21,6%.

Para anos de eleições municipais e sem eleições, tivemos altas médias de 4,3% e de 5,2%, respectivamente.

Em 2018, com a Lava Jato e regras rígidas quanto ao financiamento eleitoral e de campanhas, é esperado que o acréscimo de dinheiro circulante seja menor.

Resumindo as expectativas

As movimentações de preços são uma associação de oferta, influenciada pelo ciclo pecuário, e demanda, que é motivada pelas eleições. Com isso, as eleições são um fator positivo, mas não alteram o mercado sozinhas.   

Aí entram outros pontos que podem colaborar. Embora aquém das projeções do início do ano, temos a situação econômica melhor.

Quanto ao confinamento, o primeiro giro foi afetado negativamente pela falta de atratividade, o que tem sido sentido na oferta de boiadas no começo deste segundo semestre. Para o segundo giro, o cenário chega a demonstrar viabilidade, mas sem alto retorno projetado em boa parte do passado recente. Isso deve limitar a oferta de boiadas.

Com consumo melhor e oferta de cocho modesta, as eleições podem ser um fator de firmeza das cotações do boi gordo.

Autor: Hyberville Neto – Médico Veterinário, msc.

 

 

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*