Ásia é o principal destino do milho e da soja brasileiros

“No caso da soja, a forte demanda chinesa colaborou com as altas de preços do grão e do farelo de soja no mercado interno. Para o pecuarista, a valorização da soja grão puxou para cima o preço do farelo de soja, que teve um peso maior nos custos de produção da atividade em 2018.”

A China foi o principal cliente da soja brasileira em 2017, com 74,6% do volume total exportado.

Em 2018, a procura maior pelo grão brasileiro trouxe esse número para próximo de 82% no acumulado de janeiro a agosto.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um recorde nas exportações brasileiras de soja em 2018. O país deverá embarcar algo próximo de 74 milhões de toneladas, frente ao recorde, até então, de 68,15 milhões de toneladas, embarcadas em 2017.

A menor produção na Argentina em 2017/2018, em função da seca que atingiu o país, a briga comercial entre os Estados Unidos e a China (que gerou uma demanda maior pela soja brasileira), além do câmbio favorável e a boa disponibilidade interna, com uma produção recorde aqui no país, com 118,98 milhões de toneladas colhidas, favoreceram as exportações brasileiras.

Veja na figura 1 que, neste ano, os preços da soja subiram em plena colheita, entre os meses de fevereiro e abril, com a demanda maior para exportação e a ajuda do câmbio valorizado.

Figura 1
Preço da soja grão em Paranaguá-PR (eixo da esquerda, em R$ por saca de 60kg), exportações brasileiras de soja (eixo da direita, em milhões de toneladas) e dólar em R$/US$).

No embalo do grão, as cotações do farelo de soja aumentaram, pesando mais nos custos de produção da atividade em 2018. Segundo levantamento da Scot Consultoria, a tonelada do alimento concentrado, que era vendida próxima de R$1.100,00 no começo deste ano, na região Sudeste, desde maio é negociada ao redor de R$ 1.450,00 em um cenário de preços firmes.

No caso do milho, os nossos principais clientes também estão na Ásia.

Em 2017, o Irã respondeu por 16,5% de todo o milho exportado pelo Brasil. Foi o nosso maior cliente. Nesse caso, é um mercado que os Estados Unidos não atende em função de desavenças políticas.

Na sequência, aparece Egito (11,0%), Japão (10,1%), Espanha (9,8%), Vietnã (9,0%), Taiwan (6,0%), Coreia do Sul (5,9%) e Malásia (5,1%). No total, o país exportou para 69 países no ano passado.

Em 2018, até agosto, o Irã comprou 45,8% de todo o milho brasileiro exportado, seguido por Egito (7,6%) e Vietnã (7,3%). As exportações se mostraram mais concentradas. No caso do milho, a expectativa é de que sejam embarcadas 27 milhões de toneladas em 2018, frente as 30,8 milhões de toneladas embarcadas em 2017.

Apesar do menor volume previsto para este ano, a maior movimentação em termos de exportação brasileira de milho é agora, a partir de julho/agosto, com a colheita da segunda safra na reta final.

Esse fato, somado às altas do dólar frente ao real, é o principal fator de sustentação das cotações do milho no mercado interno em curto e médio prazo. Na figura 2, a evolução das exportações brasileiras de milho em 2017 e neste ano.

Figura 2
Evolução das exportações brasileiras de milho grão, em milhões de toneladas.

A expectativa é de que os embarques sigam em boa movimentação nos próximos meses, mas em volumes abaixo do verificado no ano passado, quando o milho brasileiro estava mais competitivo no mercado internacional.

Para uma comparação, a tonelada de milho brasileira exportada em agosto de 2017 ficou cotada, em média, em US$ 155,51, frente aos US$ 174,53 em agosto deste ano.

Essa maior demanda para o mercado externo nos próximos meses, os estoques menores nesta temporada e o dólar valorizado são fatores de sustentação para as cotações do milho em reais em curto e médio prazo.

Autor: Rafael Ribeiro de Lima Filho – Zootecnista, msc.
 
 
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