Atratividade do confinamento

“O retorno econômico do confinamento limitou a quantidade de gado terminado em confinamento, o que será positivo para quem confinou.”

Embora a oferta de boiadas confinadas represente cerca de 10% do abate anual brasileiro, estimado em torno de quarenta milhões de bovinos, o confinamento é importante na precificação da arroba do boi gordo.

Normalmente, no Brasil, o confinamento é feito no período seco e os frigoríficos se abastecem em confinamentos próprios, em confinamentos parceiros e por meio da celebração de contratos a termo. No contrato a termo, o comprador garante o fluxo de boiadas e o vendedor garante o preço de venda.

A contratação de boiadas a termo, entre outros fenômenos, enfraquece o mercado de balcão, do dia a dia, também conhecido como mercado spot.

O volume de gado confinado oscila de acordo com o resultado econômico, que é influenciado pelo preço do boi magro e pela alimentação que compõe a dieta.

Cenário em 2018

Em 2018, a cotação do milho no começo do ano era de R$ 32,00 por saca, tendo Campinas-SP como referência. Em maio, a cotação era de R$ 43,00 (alta de 35% frente a janeiro). A cotação do boi magro caiu até julho.

Considerando São Paulo como praça de referência, a queda foi de 7,1% entre janeiro e julho, mas, apesar disso, no mercado futuro, as cotações não animaram.

Após começar o ano acima de R$ 153,00/@, à vista, o contrato futuro do boi gordo, considerando o vencimento de outubro, trabalhou entre R$ 147,00/@ e R$ 152,00/@, nada atraente. Veja a evolução da cotação do milho, do boi magro e os preços futuros na figura 1. 

Figura 1
Evolução das cotações do boi magro, do milho e dos preços futuros, em reais, considerando outubro/18 como referência.

Expectativa

Preços futuros da arroba do boi gordo e cotações do boi magro caminharam relativamente alinhados ao longo do ano. A cotação do milho, não. Perceba que, com a colheita da segunda safra (junho-julho), a cotação caiu.

O vale de preços ocorreu no começo de julho, o que pode ter estimulado confinadores. Considerando que no Brasil o confinamento é de 90 a 120 dias, pode ser que entre outubro e novembro a disponibilidade de gado de cocho aumente.

De toda forma, como há necessidade de compra da reposição em boa parte das situações, é possível que essas “janelas” de atração econômica não sejam suficientes para a recomposição do volume de gado de cocho.

A expectativa é de aumento da oferta nos próximos meses, mas menor, na comparação ano a ano. Isso é positivo para o pecuarista que confinou.

Para escapar dessa agonia, o produtor deve considerar a possibilidade de usar as ferramentas de mercado futuro da bolsa de mercadorias para assegurar seu ganho.

Neste ano, temos observado cotações em alta, o que pode persistir nos próximos meses e favorecer os resultados, mas um ano bom não tira a importância de mitigar o risco de mercado por meio de mecanismos de gestão de risco. 

Autores: Alcides Torres – Engenheiro Agrônomo, Hyberville Neto – Médico Veterinário, msc. 

 

 

 

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