Aumentando a lotação com a intensificação de tecnologia

Mesmo que o investimento inicial seja maior, a intensificação de tecnologia tem sido essencial para o sucesso em minha propriedade.

Naum Ryfer
Fazenda: Igarapé
Município: Igarapé Grande – MA
Rebanho: 4.800 cabeças – ciclo completo (cria, recria e engorda)
Tamanho da propriedade: 2.700 hectares 

Localizada em uma região pré-amazônica, no Maranhão, a Fazenda Igarapé aumentou, de maneira exemplar, a produtividade. A fazenda é referência na região, mas o caminho para chegar até esse patamar não foi fácil.

O pecuarista Naum Ryfer, dono da fazenda Igarapé, nos conta que até o início dos anos 2000 a propriedade tinha problemas com plantas daninhas e havia dificuldade no controle dessas plantas.

Nas palavras dele, para combater as plantas daninhas era feita a roçada do capim-jaraguá entre agosto e setembro, durante a seca, com a posterior queimada da palhada e dos resíduos para fertilizar o solo e limpar o pasto. Porém, a eficácia deste procedimento era limitada.

Segundo o pecuarista, “a maior dificuldade no manejo de pastagens era conseguir fazer a erradicação da “pindoba”. Estes eram novos pés de babaçu que nasciam a partir da eclosão dos coquinhos/frutos que caiam dos pés do coqueiro-babaçu, se enterravam no solo, ficavam em dormência durante alguns anos até eclodirem e se transformarem em arbustos e depois em novos coqueiros”.

Além do controle dessas plantas daninhas, outra barreira para o pecuarista foi a distância dos grandes centros, a falta de mão de obra qualificada, além da baixa tecnificação da pecuária na região.

Enxergando que era necessária a qualificação de mão de obra, o pecuarista decidiu investir nos funcionários, oferecendo cursos, estágios e até mesmo alfabetização. O retorno desta estratégia foi positivo e, atualmente, a equipe, além de responsável e bem instruída, tem capacidade de absorver as novas tecnologias, crucial para o sucesso do negócio.

Associada à mão de obra qualificada, ele também procurou assistência técnica e com o apoio do engenheiro agrônomo e, consultor Wagner Pires (que passou a integrar a equipe técnica da fazenda desde 2001), criou um projeto ambicioso para a propriedade se tornar tecnificada e referência no estado.

Como não havia a possibilidade de trabalhar com sistema rotacionado, a equipe técnica optou por fazer a divisão da pastagem e, aos poucos, limpar as áreas utilizando o controle químico.

No início do projeto, em 2001, a lotação era de 0,5 ua/ha/ano. após anos de trabalho e dedicação, em 2017, estes números saltaram para 1,78 ua/ha/ano, ou seja, uma alta de 256%.

Durante esse período, houve a abertura de 410 hectares, porém, o aumento da lotação só foi possível através da intensificação do uso de tecnologia aplicada às pastagens, principalmente o controle químico.

Com as melhores condições de pastagens, o rebanho saltou de 2 mil para cerca de 4,8 mil animais, o que mostra que, com a mão de obra qualificada, parceria técnica, planejamento estruturado e a intensificação do uso tecnologia a propriedade transformou-se num caso de sucesso.

O pecuarista reforça que, apesar do investimento inicial ser maior, o resultado é positivo quando se opta pela intensificação de tecnologias, e possibilita à pecuária ser competitiva frente a outros ramos da agropecuária.

 

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