Colheita da safra de verão na reta final no Brasil Central e Centro-sul

O clima mais seco colaborou com o avanço da colheita (primeira safra) e semeadura (segunda safra) dos grãos no Centro-Sul do país, mas tem afetado as condições das pastagens nessas regiões. Já no Brasil Central, as condições do capim são boas com as chuvas mais regulares.

Na segunda quinzena de março, as chuvas seguiram concentradas e em maiores volumes nos estados localizados ao norte de São Paulo e de Mato Grosso do Sul.

Destacamos o Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Tocantins, Pará, Maranhão e Piauí, que registraram volumes de até 500-600 milímetros no acumulado até o dia 26.

Na figura 1, apresentamos as precipitações acumuladas no país até o dia 19/3 e até o dia 26/3.

Observe que a situação foi bastante diferente nos estados localizados mais ao norte do país, em relação à situação no Centro-Sul, onde as chuvas ficaram entre 25 e 100 milímetros no acumulado de março.

Figura 1
Volume de chuvas no Brasil no acumulado de março de 2020 (até o dia 19/3 e até o dia 26/3), em milímetros.

Fonte: CPTEC

Situação das pastagens

No Brasil Central e nas regiões Norte e Sudeste do país, a situação das pastagens é boa e permite que o pecuarista mantenha o gado engordando nos pastos a custos relativamente menores, o que permitirá vender a boiada para abate de forma compassada.

Essa menor oferta de animais deu sustentação às cotações da arroba do boi gordo nos últimos dias, mesmo diante das incertezas em função da pandemia do coronavírus.

Já no Sul do país, especificamente no Rio Grande do Sul, a situação das pastagens está mais complicada em função da falta de chuvas verificada no estado.

Na figura 2, é possível observar o mapa com a disponibilidade de água no solo na penúltima semana de março. Nas regiões em azul, em que os solos apresentam maior umidade, a situação das pastagens está melhor comparativamente com as áreas em amarelo e verde.

Figura 2
Disponibilidade de água no solo entre os dias 22/3 e 26/3, em milímetros.

Fonte: Agritempo

Colheita da safra de verão e plantio da segunda safra (safra de inverno)

Em Mato Grosso, até o dia 20/3, últimos dados disponíveis, 98,4% da área com soja havia sido colhida, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que os trabalhos sejam concluídos até o final de março.

Apesar das chuvas, a colheita da soja (safra de verão) e a semeadura da segunda safra de milho avançaram bem no estado nas últimas semanas. No caso do milho, o plantio foi concluído até o último dia 20, e a situação das lavouras, por ora, está favorável.

No Paraná, 85% da área plantada com soja e 76% da área plantada com milho de verão (primeira safra) foram colhidas até o dia 23/3, segundo informações do Departamento de Economia Rural (Deral).

Com relação ao milho de segunda safra, os trabalhos estão na reta final, com 95% da área prevista já semeada no estado.

As chuvas em menores volumes nos estados da região Sul do país têm possibilitado o avanço da colheita da safra de verão em bom ritmo, no entanto, gera preocupações com relação ao desenvolvimento das lavouras de primeira safra no campo e à semeadura e situação das lavouras de segunda safra.

No Rio Grande do Sul, a colheita da soja atingiu 39% da área semeada nesta temporada, enquanto 65% do milho semeado já foi colhido no estado.

Na figura 3, apresentamos o mapa com as condições para colheita no país em 48 horas a partir de 26 de março. Observe que o cenário está mais favorável nos estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil, comparativamente com as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Figura 3
Condições para colheita no país em 48 horas a partir de 26 de março.

Fonte: Agritempo

Previsões

Para o final de março e primeiros dias de abril, a previsão é de que as chuvas continuem em maiores volume no Brasil Central, além das regiões Norte e Nordeste do país. Os volumes poderão chegara a 100-150 milímetros no acumulado até o dia 4 de abril.

Nas demais áreas, em verde na figura 4, as chuvas não deverão ultrapassar os 50 milímetros no mesmo período. Já nas áreas em branco e azul, os volumes serão ainda menores ou não choverá nesse período.

Figura 4
Previsão de chuvas no Brasil entre os dias 27 de março e 4 de abril de 2020, em milímetros.

Fonte: USDA

Para o final da primeira quinzena de abril, entre os dias 4 e 12, as previsões apontam para o retorno das chuvas na região Sudeste, mas a estiagem deverá seguir no Rio Grande do Sul e em partes de Santa Catarina e do Paraná. Veja a figura 5.

Figura 5
Previsão de chuvas no Brasil entre os dias 4 e 12 de abril de 2020, em milímetros.