Cenário positivo para o confinamento bovino em 2019

A melhoria da relação de troca do boi gordo com o milho ajuda na atratividade do confinamento em 2019.

confinamento bovino em 2019

O mercado do boi gordo começou o ano firme, com valorizações em todos os meses, considerando a praça de São Paulo como referência.

O cenário de exportações de carne bovina em bom ritmo e a curta oferta de boiadas colabora com o movimento, mesmo sem um consumo doméstico forte de carne bovina. No mercado externo, os embarques de carne bovina in natura até março foram os maiores desde 2007 e o segundo maior resultado da série.

Vamos analisar aqui a atratividade do confinamento de bovinos, devido à sua importância na disponibilidade de boiadas na segunda metade do ano, o que afeta os preços de venda da boiada, seja ela oriunda do cocho ou não.

Quando falamos em confinamento, temos três componentes fundamentais. Um é o preço de venda do boi gordo, citado anteriormente. Os outros dois são os principais itens do custo de produção nesse sistema: o boi magro e o milho, este último por ser a base da dieta em boa parte dos sistemas.

Relação de troca com o boi magro

A moeda do produtor é o boi gordo. Sua produção é negociada em arrobas e, no confinamento, boa parte do custo (cerca de 70%, a depender do sistema) é composta pelo boi magro.

Com isso, a relação de troca, que ilustra o poder de compra do pecuarista em relação à categoria jovem, é importante. Veja o gráfico abaixo.

Figura 1
Arrobas de boi gordo necessárias para a compra de um boi magro em São Paulo, valores mensais e médias por semestre (representados pelas linhas horizontais).

Fonte: Scot Consultoria

Em abril de 2019, eram necessárias 13 arrobas de boi gordo para a compra de um boi magro, valor 2,9% menor que no mesmo período do ano anterior. A redução do número de arrobas para a compra da reposição (boi magro) demonstra melhoria no poder de compra do confinador.

Mesmo com preços firmes para o boi magro, o preço do boi gordo subiu mais no intervalo. As linhas horizontais no gráfico representam as médias dos dois semestres de 2018 e do semestre atual, até abril. Houve piora (aumento) de 1% na comparação com o poder de compra da segunda metade de 2018, mas frente ao começo daquele ano, a situação está 1,4% melhor (menos arrobas são necessárias para a aquisição de um boi magro).

Relação de troca com o milho

O milho também é fundamental para a composição de custos do confinamento. Nesse caso, as variações de participação no custo são maiores. Há dietas com maior e menor participação de milho.

Com as expectativas de bom volume a ser colhido na safra 2018/2019, as cotações do grão cederam 2,5% entre janeiro e abril, e as projeções são de preços menores nos próximos meses. Como temos mercados futuros para boi gordo e milho, o que não ocorre para o boi magro, apresentamos as projeções da relação de troca de maio em diante. Veja a figura abaixo.

Figura 2
Sacas de milho adquiridas com o valor de uma arroba de boi gordo em São Paulo, valores mensais e médias por semestre (linhas), considerando preços futuros.

 

OBS.: Para meses sem contratos futuros de milho, foi usada a média do mês anterior e subsequente. Fonte: B3 (9/4, preços a partir de maio) | Elaborado por Scot Consultoria

Perceba que a média projetada para o segundo semestre é de 4,5 sacas de milho compradas com o valor de uma arroba de boi gordo. Isso equivale a uma melhoria de 15,5% na comparação com a média da segunda metade de 2018.

Considerações finais

Com um cenário mais atrativo para a relação de troca com o milho e sem grandes alterações para a situação perante o boi magro, houve melhoria para o confinador, quando comparamos com o começo de 2019 e o projetado, no caso do milho.

Um cenário mais atrativo para o confinamento tende a gerar aumento da atividade no segundo semestre.

Essa maior oferta pode reduzir a força do mercado do boi gordo, mas temos outros fatores positivos, como boas exportações de carne bovina, em ano de provável retenção de fêmeas, além de expectativas de consumo doméstico com alguma recuperação.

Ou seja, mesmo com possível aumento da oferta de gado de confinamento, o cenário esperado é de preços positivos na segunda metade do ano.

Autor: Hyberville Neto – Médico Veterinário

 

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