Confinamento, uma luz no fim do túnel!

O confinamento pode ser uma alternativa para o pecuarista, mas é preciso levar em conta os custos a suplementação para não sair perdendo.

A entressafra bate à porta. O pasto, em função da perda de qualidade provocada pela seca, já não é mais companheiro do pecuarista para a terminação da boiada.

O que fazer

É preciso decidir qual será a estratégia adotada para a terminação do gado: manter o rebanho em “banho-maria” e esperar para terminá-lo no próximo ciclo das águas ou confinar a boiada agora e liberar as pastagens.

Segurar a boiada no pasto seco pode não ser uma opção interessante, uma vez que haverá desembolso com a suplementação alimentar para, pelo menos, manter o peso dos bovinos. Além disso, a manutenção do estoque de bois na fazenda, diminui o ganho em escala.

Uma alternativa seria confinar essa boiada, mas para decidir sobre isso, algumas variáveis devem ser analisadas e estimativas de resultados econômicos devem ser consideradas.

Dieta – custo

A primeira variável é com relação ao preço da dieta, principalmente à base de milho, um dos ingredientes mais utilizados e balizador das cotações dos demais alimentos energéticos.

A cotação, que começou o ano “mansa”, disparou a partir de fevereiro e assim foi até maio. Quem não comprou antecipadamente teve dificuldade para fechar a conta do primeiro giro do confinamento.

Entretanto, em junho, com a colheita da segunda safra, as cotações caíram. A saca que chegou a ser negociada na região de Campinas-SP a R$ 45,00 no final de maio, ficou cotada em R$ 36,50 entre a segunda metade de junho e o começo de julho.

Boi gordo – mercado

Sazonalmente, a partir do final do primeiro semestre, a entressafra é sentida e a cotação da arroba do boi gordo ganha firmeza com a menor disponibilidade de boiadas prontas para abate.

Desde a segunda quinzena de junho, na maior parte do país, a oferta de boiadas diminuiu, e os frigoríficos começam a ter dificuldades para compor as escalas de abate. O resultado disso é a retomada das ofertas de compra acima das referências de mercado e firmeza no mercado do boi gordo.

As regiões onde, excepcionalmente, esse movimento não foi observado foram aquelas em que as chuvas terminaram tardiamente, o que conteve a desova de final de safra. Porém, conforme o cenário de entressafra vai se intensificando, as cotações da arroba do boi gordo deverão ganhar sustentação nessas regiões também.

Estimativas do resultado do confinamento de bovinos

Considerando uma propriedade de pecuária de corte, que confina bovinos no estado de São Paulo, cuja a dieta é composta por milho grão (48%), silagem de milho (42%), farelo de soja (7,5%), além de minerais, ureia, protocolo sanitário e outros (2,5%), e aplicando o custo operacional de R$ 0,94/dia, chegamos a uma diária de R$ 9,03 por cabeça (referência: julho/18).

O lote de bovinos será confinado em julho e vendido em outubro na praça pecuária de Araçatuba-SP, cujo os contratos futuros na B3 (antiga BM&F), no dia 2/7, sinalizavam para uma arroba de R$ 150,60 no estado.

Partindo da premissa de que a boiada foi confinada em julho pesando 12@ e que sairá em outubro com 18,2@, com ganho de peso médio diário de 1,5kg e rendimento de carcaça de 55%, a estimativa de lucro por cabeça confinada é de R$ 90,69.

Na tabela 1, estão os parâmetros utilizados e a estimativa dos resultados econômicos da atividade no período em questão.

Tabela 1
Estimativa de resultado de confinamento de bovinos em 2018, em São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Scot Consultoria.

Em resumo, com a queda da cotação do milho e a expectativa de alta do preço da arroba do boi gordo, os resultados estão interessantes para quem pretende confinar.

É importante ressaltar que a alta da cotação do milho no primeiro semestre culminou em menor volume de bovinos confinados no primeiro giro do confinamento.

Ou seja, a expectativa do mercado é de menor oferta de boiadas neste primeiro giro e isso poderá dar firmeza para a cotação da arroba no segundo giro, puxando para cima as cotações dos contratos futuros do boi gordo.

 Para tomar sua decisão

O confinamento é um assunto melindroso, que sempre deixa o pecuarista com a pulga atrás da orelha, uma vez que o risco da operação é grande e o resultado depende de inúmeros fatores.

É preciso fazer conta e utilizar ferramentas de redução dos riscos envolvidos na atividade. Com a conta fechando (lucro) e o preço de venda travado, a margem está garantida. Para tanto é preciso conhecer o custo.

Por fim, essa é uma simulação que pode variar de fazenda para fazenda, pois há inúmeras dietas e estratégias que podem ser exploradas ou adotadas e que têm reflexos direto nos custos de produção e na receita da atividade.

Breno de Lima – Zootecnista
Rafael Ribeiro de Lima Filho – Zootecnista, msc.

 

 

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