3º CNMA destaca a relevância feminina no agronegócio

Big data, previsão climática, nanotecnologia e agroenergia estiveram entre os assuntos debatidos no Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, realizado em outubro, em São Paulo

Participantes do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio assistem palestra

Com o tema “2030 – O Futuro agora, na Prática”, a 3ª edição do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA) reuniu líderes, representantes e especialistas femininas do setor no Brasil no Transamerica Expo Center, em São Paulo, nos dias 23 e 24 de outubro, para debater sobre a relevância feminina para o avanço inovador, rentável, sustentável e ético do agronegócio.

Na pauta, assuntos como Big data, previsão climática, nanotecnologia e agroenergia, entre outros, nortearam as palestras do CNMA, que teve como público agricultoras, pecuaristas, cooperadas, profissionais da indústria, produtoras integradas, sucessoras, executivas de corporações do setor ou herdeiras de propriedade agropecuária. O evento apresentou, ainda, o que há de inovação em desenvolvimento pelos jovens empreendedores com as startups, além dos métodos do design thinking para gestão.

Para falar sobre a presença e a relevância feminina no agronegócio, conversamos com Luciana Casarini, coordenadora de Formação Profissional e Projetos Sociais no Sescoop/SP – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo. Ela participou do evento com a palestra “A sucessão, paixão e futuro cooperativista”. Confira!

Crescimento da participação feminina no agronegócio

Segundo recente pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), a presença feminina no setor triplicou entre 2013 e 2017 – passando de 10 a 31%. Considerando as grandes propriedades rurais, esse índice chega a 42%.

Corteva Agriscience – Apesar desse significativo aumento, as mulheres ainda são minoria no segmento e enfrentam desafios. Um deles é a necessidade de, cada vez mais, estarem capacitadas para fazer a diferença em suas funções. Como você avalia esse cenário e qual a importância desse aperfeiçoamento?

Luciana Casarini – Como profissional da educação, acredito que, sim, as mulheres precisam estar muito bem capacitadas e antenadas com as exigências do mercado em que estão inseridas. Somente assim terão condições de contribuir ainda mais para a perenidade dos negócios. Competências como colaboração, empatia, sensibilidade e consenso são mais associadas ao sexo feminino. Dessa forma, desenvolver e ressaltar essas competências podem contribuir ainda mais ao processo de gestão nas organizações. Lembrando que a preparação e capacitação não estão associadas somente às profissionais do sexo feminino; essa é uma prerrogativa profissional que independe do sexo.

Cooperativismo e programas de aprendizagem

Corteva Agriscience – De que maneira você percebe o cooperativismo e os programas de aprendizagem como ferramentas de apoio profissional às mulheres, sobretudo em ambientes onde ainda são minoria? 

Luciana – No cooperativismo, a presença da mulher sempre foi bem-vinda, pois as cooperativas são empresas de propriedade conjunta e de gestão democrática, guiadas por valores de ajuda mútua, responsabilidade compartilhada, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. O Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) surgiu em 1998 para dar suporte às cooperativas, contribuindo para melhorar a gestão, os resultados dos empreendimentos cooperativos e a vida das pessoas. Para isso, desenvolve programas nas áreas de Formação Profissional, Promoção Social, Monitoramento e Desenvolvimento.

Mulheres à frente dos negócios

Corteva Agriscience – Muitas mulheres no segmento estão assumindo os negócios da família e colocando-se à frente da gestão de propriedades. Poderia comentar sobre essa realidade, também abordada na sua palestra?

Luciana – Dentro dos modelos de negócios mercantis, um dos maiores desafios encontrados é a dificuldade de estabelecer processos sucessórios institucionalizados, e essa consciência já chegou ao cooperativismo há tempos. No meio cooperativista, a sucessão é tratada de maneira democrática por todos os associados, forma como elegem um novo líder. Para as cooperativas de crédito, por exemplo, existe uma determinação do Banco Central que envolve todas as instituições financeiras, incluindo as cooperativas, na qual se estabelece políticas de sucessão de administradores, de forma a assegurar que os ocupantes dos cargos da alta administração tenham as competências necessárias para o desempenho de suas funções. Naturalmente, os jovens – independentemente do gênero – e as mulheres estão inseridos nesse processo de renovação. Quanto mais preparadas estiverem as mulheres, mais elas poderão ocupar espaços de liderança nas propriedades e nas cooperativas.

Um dos programas que ofertamos para as cooperativas é o Aprendiz Cooperativo, no qual trabalhamos diversas competências que permitem desenvolver a sua capacidade de discernimento para lidar com diferentes situações do mundo do trabalho e as competências necessárias ao desempenho de suas atividades profissionais. Em todos os programas e iniciativas (promovidos pelo Sescoop), as mulheres têm participação destacada.

Parabéns a Luciana e a todas as participantes do Congresso! Foi um prazer para a Corteva Agriscience™ ser uma das patrocinadoras de um evento tão relevante para o mercado do agronegócio.

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