Demanda não melhora, mas oferta restrita mantém mercado em alta

Daqui para a frente, a expectativa é de que a baixa oferta, característica da entressafra, continue ditando o rumo do mercado, ainda mais agora que estamos próximos do início de mês, quando sazonalmente há uma melhora do consumo.

Característico da entressafra, a oferta de boiadas restrita mantém o mercado do boi gordo com preços firmes, mesmo em um cenário em que a demanda tem deixado a desejar.

Aliás, ao contrário do registrado nos últimos seis anos, em que o preço do boi casado teve alta em agosto, ao longo do mês (até o dia 20/08/2018), houve desvalorização de 1,7% no mercado atacadista de carne bovina com osso, o que evidencia o momento ruim das vendas.

A implicação prática disso no mercado foi uma resistência dos compradores em alongar as programações de abate. Porém, mesmo com a demanda em baixa, para completar quatro ou cinco dias da escala, as indústrias tiveram dificuldade e não houve espaço para desvalorizações.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Índice de Consumo das Famílias (ICF) apresentou um recuo de 1,8% em julho (último dado disponível), frente a junho de 2018, sendo esse outro indicador que aponta que as famílias seguem cautelosas quanto ao consumo.

Entretanto, mesmo com a demanda segurando o preço da arroba, o mercado do boi gordo registrou, ao longo de agosto, valorizações na maioria das praças pesquisadas.

Das trinta e duas praças pesquisadas pela Scot Consultoria até 20/08 (data da elaboração deste artigo), foram registradas valorizações em vinte e cinco delas (78,1%).

E, apesar da desvalorização da carne bovina em agosto (1,7%), a margem dos frigoríficos que fazem a operação de desossa se manteve próximo à média histórica (21,5%), entre 21,5% e 22,5%. Portanto, conforme havia necessidade, a indústria pôde ofertar preços melhores pela arroba do boi gordo, a depender da demanda.

Ou seja, na briga entre oferta e demanda, a oferta tem ditado o rumo do mercado.

Em setembro, se o mercado se comportar dentro de sua normalidade, a expectativa é de que o viés de alta se mantenha, ainda mais na primeira quinzena do mês, com o recebimento de salários e o feriado do dia 7 de setembro (Independência do Brasil), que devem colaborar com a melhora do escoamento de carne bovina, o que pode aumentar o espaço para altas mais intensas no mercado do boi gordo.

Figura 1
Variação da cotação do boi gordo ao longo da primeira quinzena de setembro, considerando a praça de Araçatuba-SP.

Apesar da variação negativa em 2017 e a menor variação em 2016 e 2015 (em 2016, a cotação ficou estável), na primeira quinzena de setembro dos últimos seis anos, a arroba do boi gordo subiu, em média, 1,1% (veja a figura 1).

Vale lembrar que as eleições neste ano são positivas para o mercado. E, apesar da queda mensal de 1,8% da ICF, na comparação anual (jul/18 x jul/17), a Intenção de Consumo das Famílias subiu 10,2%, o que indica que, mesmo que o consumo esteja abaixo do esperado, ele ainda está melhor do que no ano anterior.

Ou seja, mesmo que o preço da arroba do boi gordo não decole nas próximas semanas, para o curto prazo, a expectativa é de que a oferta siga restrita e o mercado do boi gordo siga com viés de alta. Continuamos monitorando a demanda!

Autor: Felippe Reis – Zootecnista

 

 

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