A distribuição de carne bovina e a margem no varejo

O mercado não termina no frigorífico. Acompanhar as tendências da cadeia da carne bovina como um todo permite projetar cenários de demanda e preços, visando ao planejamento e às estratégias da atividade.

No mercado doméstico, a venda de carne bovina ao consumidor final é realizada por supermercados e açougues. Pela proximidade com o consumidor, o varejo coordena melhor as vendas e trabalha com os estoques ajustados à demanda e sofrem menos com as oscilações de preços da carne.

No caso dos frigoríficos, estes não conseguem responder tão rapidamente às variações de procura por carne em função do tempo do processamento da carne (compra de boiadas, abate, tempo de post mortem, etc.).

Veja na figura 1 as variações semana a semana do preço da carne bovina no varejo e no atacado ao longo de 2018. O comportamento dos preços permite supor que o setor de distribuição de carne não teve muita facilidade para escoar os produtos, o que explica os tímidos ajustes nas cotações da arroba.

Figura 1
Variação dos preços da carne bovina no atacado e no varejo em 2018. Base 100.

Figura 1 - Variação dos preços da carne bovina no atacado e no varejo em 2018. Base 100.
Fonte: Scot Consultoria

Ao longo de 2018, os preços da carne vendida pelos frigoríficos apresentaram maior amplitude de flutuação quando comparado aos preços no varejo.

Pontos de destaque:

O primeiro ponto a se destacar é a queda nos preços ao longo dos primeiros meses do ano, em decorrência do aumento da oferta de boiadas (safra do boi e maior abate de fêmeas – veja mais no texto Abates de bovinos: mais fêmeas no primeiro semestre) e também em função do menor consumo atribuído às despesas extras de início de ano.

Segundo, a valorização das cotações nos dois elos (atacado e varejo) no final de maio e começo de junho de 2018 em função da greve dos caminhoneiros. A paralisação do transporte prejudicou a distribuição e, com menos oferta, os preços subiram naquela época.

O terceiro ponto que merece atenção é a guinada nos preços do atacado, de meados de novembro até dezembro, que ocorreu em função do aquecimento das vendas no final do ano somada à maior dificuldade de compra de bovinos por parte dos frigoríficos, devido à menor oferta de boiadas de confinamento e, ainda, uma pequena quantidade de animais de pasto disponíveis nesse período.

Em função dos maiores preços da carne vendida pelas indústrias (atacado), a margem do varejo tem se estreitado, já que os supermercados não têm repassado os ajustes de preço para o consumidor.

Veja na figura 2 o comportamento da margem de comercialização da carne bovina dos varejistas, em 2018, e os reflexos gerados pelos aumentos dos preços no atacado esse ano. A margem do varejo caiu abaixo de 50% em dezembro.

Figura 2
Margem de comercialização da carne bovina no varejo em 2017 e 2018, em %.

Fonte: Scot Consultoria

Foram poucos os momentos nos quais as margens de 2018 superaram as de 2017, ano no qual os varejistas trabalharam com margens de 64,7%, em média. Ano passado esse número caiu para 61,3%.

Conclusões

A margem de comercialização não é lucro, pois não considera os custos com estoque, transporte, etc. Ela somente vê a diferença entre o preço pago pelos produtos no atacado e os preços recebidos com a venda no varejo. Desde novembro, as margens do varejo vêm se estreitando, conforme demonstrado na figura 2.

Por fim, para acompanhar todos esses processos e aproveitar as oportunidades, a dica é sempre olhar além da porteira para dentro. Afinal, acompanhando as vendas e as margens do varejo é possível ter ideia da demanda e possibilidades de reajustes de preços da carne, tanto na indústria quanto no varejo, o que reflete diretamente nos preços no mercado do boi.

Autora: Marina Zaia – Médica Veterinária

 

 

 

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