Lições sobre a economia da pecuária de corte, por Ivan Wedekin

Veja por que o engenheiro agrônomo se tornou um especialista no assunto e tem contribuído com o agro brasileiro

economia da pecuária de corte

A combinação teoria mais prática ainda é a mais recomendada quando se trata de aprender e ampliar o conhecimento sobre determinado assunto ou área. E isso não é diferente com a pecuária e outras atividades do campo. Para se tornar uma das principais referências na economia da pecuária de corte, Ivan Wedekin, engenheiro agrônomo de 65 anos, percorreu um longo caminho de muito estudo e prática. Acompanhe a sua história e confira como foi esse processo!

“Sou um verdadeiro dinossauro da pecuária, é uma paixão de longa data”.

Assim se define Ivan Wedekin. Nascido na roça, no município de Buritama, a 500 km da capital de São Paulo, e criado em Turiúba, também em São Paulo, Ivan tem na memória as lembranças da infância e o contato direto com o campo, tradição herdada de seus avós paternos e pais.

A escolha pela Engenharia Agronômica ficou ainda mais forte quando conheceu a Esalq – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba, em um evento promovido pelo Centro Acadêmico da universidade em sua escola na época. Começou o curso em 1971, com 17 anos, e aos 21 já estava formado e ainda mais “apaixonado pela área e as oportunidades que o segmento oferecia”, relembra o profissional. “O tamanho da instituição e a minha aptidão e interesse pela área biológica foram fundamentais para a escolha da minha profissão e toda a trajetória que percorri”, acrescenta.

Mas e o agronegócio e a economia da pecuária de corte onde entram nessa história?

Logo após concluir o curso superior, Ivan começou a trabalhar no Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1975, e deu início ao seu contato com a teoria da economia do agronegócio. “Fazíamos os levantamentos de custo de produção de cana-de-açúcar, açúcar e álcool no Brasil, solicitados pelo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Depois passei a trabalhar com grãos e carnes – Grupo de Informação Agrícola (GIA), na época coordenado pelo economista Paulo Rabello de Castro, que foi a minha fonte de exercício para os estudos sobre a economia da agropecuária”, explica.

De lá para cá, o engenheiro agrônomo atuou na Agroceres, na qual realizou incursões à Universidade Harvard para participar dos seminários sobre um novo conceito que surgia na época: o Agribusiness, experiência que contribuiu com a publicação da obra Complexo Agroindustrial: o Agribusiness Brasileiro (1989), em coautoria com Luiz Antônio Pinazza e Ney Bittencourt – o primeiro livro sobre Agribusiness editado no Brasil.

A partir dessa obra inédita, as faculdades e universidades brasileiras passaram a utilizar esse conceito em seus cursos de graduação e pós-graduação, o que se espalhou depois por todo o Brasil.

Em 1996, deixou a Agroceres e ingressou em uma nova função dentro do segmento: a consultoria, na qual atua até hoje. Também foi secretário de Política Agrícola do MAPA (2003-2006), diretor de Commodities da BM&FBOVESPA – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros, diretor da Bolsa Brasileira de Mercadorias e consultor na RCW Consultores.

Sua experiência na política agrícola brasileira, inclusive, contribuiu com a criação de títulos do agronegócio, como Letra de Crédito do Agroegócio (LCA) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), que movimentam mais de R$ 200 bilhões, atualmente, segundo Ivan.

Hoje, é Diretor da Wedekin Consultores e presta consultoria a pecuaristas e profissionais do segmento, compartilhando sua experiência e o conhecimento adquirido ao longo de sua trajetória.  “A ideia é repassar esse conhecimento e potencializar os profissionais para que tenham acesso e compreendam a pecuária realmente como ela é, com suas características e seus desafios”, detalha o consultor.

Leia também: “O agronegócio não é para amadores, foi feito para profissionais.”

Para Ivan, entender a pecuária e sua economia da maneira como são, significa compreender que “o preço do boi gordo é formado no mercado, principalmente, no atacadista”. Ele também ressalta o quanto é necessário que os profissionais realizem uma análise detalhada da rentabilidade dos ativos agropecuários que utilizam para produzir. “Precisam se debruçar nessa análise e na gestão. Além de incorporarem a tecnologia e melhorarem o nível de produtividade deste capital para continuarem crescendo e se mantendo no negócio. Esse futuro da pecuária passa cada vez mais pela integração lavoura-pecuária nas regiões onde isso é possível”, defende.

Contribuição ao agro

Há cerca de cinco anos, Ivan deu início a outra atividade, na qual agora se dedica exclusivamente: a publicação de livros sobre o agronegócio. Em 2017, lançou o “Economia da Pecuária de Corte – Fundamentos e o ciclo de preços”, um verdadeiro retrato inédito do segmento (veja mais no box abaixo). E há um ano e meio está trabalhando em uma obra sobre a política agrícola no Brasil.

“Decidi focar no institucional e deixar um legado, uma referência bibliográfica para os profissionais. Acredito que seja uma maneira importante de contribuir para a melhoria do agronegócio e da pecuária brasileiros”, argumenta.

Livro inédito sobre a economia da pecuária de corte

Lançada em junho de 2017, a obra “Economia da Pecuária de Corte – Fundamentos e o ciclo de preços” (Ivan Wedekin, Luiz Antonio Pinazza, Fernanda Lemos e Vinicius Madri Vivo) é um retrato completo da história e trajetória da atividade no país. São 11 capítulos que narram os 40 anos dos ciclos da pecuária nacional e trazem 70 gráficos ilustrativos e tabelas sobre reprodução, cria, pastagem, integração, sanidade, lavoura, floresta, nutrição, genética e, claro, economia.

Além de apresentar a estrutura do mercado com uma visão global do negócio de carne bovina e um panorama econômico, a obra também trata da teoria das organizações industriais e traz elementos determinantes ao quadro de demanda e oferta de carne, seja para consumo interno ou exportação.

“A pecuária hoje é o segundo produto mais importante em valor da produção nacional, após a soja. Temos uma grande economia e somos o maior exportador de carne bovina do mundo, algo impensável há 40 anos. Então, valeu cada minuto dos quatro meses de dedicação e trabalho intenso para a publicação dessa obra. Pois ela é uma homenagem à pecuária, a seus profissionais e a toda a contribuição dada para a interiorização e o enriquecimento brasileiro”, defende Ivan.


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