Eficiência do controle de plantas daninhas em pastagens

A competição das plantas daninhas com as pastagens forrageiras resulta em menor potencial forrageiro e, assim, o pecuarista perde potencial forrageiro e econômico.

plantas daninhas no pasto
Autor: Paulo Araripe – Engenheiro Agrônomo – Via Verde

A presença maciça de plantas daninhas nas pastagens é um indicativo do início do processo de degradação. Quando a planta forrageira está submetida a condições adversas de manejo, as ervas daninhas encontram condições adequadas para seu rápido desenvolvimento e disseminação. A presença de plantas daninhas torna as pastagens improdutivas, impossibilitando a intensificação do seu uso e a busca de uma pecuária sustentável e eficiente. A competição das plantas daninhas com as pastagens, caso não haja uma intervenção rápida e certeira, leva a este ciclo vicioso e deixa o pecuarista sem saída, pois o problema se agrava com o passar dos anos. Com a perda de potencial forrageiro, a estratégia do super pastejo se torna a única ferramenta para que o pecuarista não seja obrigado a diminuir seu rebanho e, nessa situação, ele começa a perder seu poder econômico e produtivo.

Figura 1: Área infestada em grau avançado de degradação – baixa produtividade.

plantas daninhas

Com o início do período chuvoso esse problema é potencializado, pois as condições favoráveis às pastagens (calor e umidade altos) também as são para as plantas daninhas. Porém, é neste período que temos condições de intervir com bastante chance de sucesso e, até mesmo de eliminarmos o problema.

A invasão das plantas daninhas está ligada diretamente à grande capacidade que estas têm de competir com as gramíneas cultivadas como pastagem. Exemplo disso é o fato das sementes das plantas daninhas germinarem heterogeneamente, o que dificulta seu controle e permite a sucessão de várias gerações de plantas daninhas durante o ano. Além disso, uma vez germinadas, as plântulas das daninhas crescem mais rápido que as das pastagens, incrementando rapidamente sua área foliar. No período chuvoso, porém, os princípios ativos dos herbicidas funcionam melhor e são transportados dentro das plantas com maior eficiência, melhorando as chances de vitória sobre as plantas daninhas.

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É importante ressaltar que, após a eliminação da parte aérea das plantas daninhas (parte que se vê das plantas, acima da superfície do solo), há que se fazer um trabalho de manutenção do controle, evitando que elas retornem. Esse trabalho tem como cerne o manejo da planta forrageira posterior ao controle das daninhas, assunto de maior importância e que garante a perenização do sistema e aumenta a produtividade pecuária da fazenda. Outro ponto importante é que diversas espécies de plantas daninhas produzem sementes com habilidade de dormência, conservando sua capacidade germinativa por muitos anos, por isso a necessidade da continuação do monitoramento.

O controle de plantas daninhas implica na adoção de procedimentos que resultam em redução de sua infestação; o que não necessariamente significa sua eliminação por completo no primeiro ano de controle. A estratégia de controle deve estar adaptada às condições de infraestrutura, mão-de-obra e implementos disponíveis na fazenda, bem como a análise de custos e, sempre que possível, a associação de métodos deve ser realizada. No período chuvoso, os custos são menores e as chances de recuperação das pastagens são maiores.

Os métodos de controle de plantas daninhas contemplam o controle preventivo, cultural, mecânico e químico. Atualmente o controle químico, através da ação de herbicidas é o mais utilizado, por representar menor custo e maior eficiência em comparação com os demais métodos de controle.

Figura 2: Pastagem onde foi passado o triângulo – sem efetividade.

plantas daninhas

Apesar das plantas daninhas de folha estreita serem as que mais afetam a produtividade das pastagens, tomaremos como exemplo de controle de período chuvoso o controle da ciganinha (Memora peregrina), planta de folha larga de difícil controle e ocorre principalmente em solos arenosos da região centro-oeste do Brasil.

Figura 3: Flor de Ciganinha.

plantas daninhas

Alguns métodos tradicionais e mais conhecidos para controle de daninhas em geral não são eficazes para ciganinha e às vezes podem surtir efeito contrário. A utilização de subsoladores, rolos-faca ou roçadas (tratorizadas ou manuais) são prejudiciais ao controle por causar lesões que estimulam as gemas a rebrotarem e, dessa forma, propagarem a planta.

O controle mais efetivo para a ciganinha atualmente é o químico. Os estudos com herbicidas sistêmicos vêm dando resultados positivos controlando até 85% da infestação na primeira intervenção. No entanto, este controle químico não é de aplicação convencional, via foliar, com exceção para plantas bem jovens. A planta da ciganinha adulta possui folhas espessas, com cerosidade, que dificultam a absorção dos herbicidas. Devido à sua grande quantidade de reservas radiculares conseguem recompor seu aparato de folhas rapidamente.

Desse modo, a única forma eficaz visa a aplicação de herbicidas sistêmicos no início do caule da planta, no período chuvoso. A aplicação consiste em cortar a planta em até 10 centímetros abaixo do nível solo, onde encontra-se a chamada “mandioquinha”, ou seja, o engrossamento dos caules subterrâneos. Neste “toco” aplica-se o herbicida com uma bomba costal ou tratorizada, de forma localizada. O herbicida mais utilizado é o que tem a molécula do Picloran como princípio ativo, que já foi testado na concentração 1% e 2% e teve controle efetivo de 70% e 90% respectivamente. Assim, para controle efetivo da ciganinha, há a necessidade de repasse na aplicação, para eliminar aquelas plantas pequenas, que não foram controladas na primeira aplicação. Dentro deste contexto, após o trabalho em dois períodos chuvosos, temos um controle quase na totalidade.

As recomendações do uso de cada produto (dose, equipamentos, época de aplicação, precauções de uso) devem ser seguidas à risca para que as aplicações sejam eficientes e seguras.

Embora o controle de plantas daninhas seja de grande relevância e esteja incluso no bom manejo de pastagens, devido a todos os aspectos comentados no presente texto, todas essas recomendações devem ser acompanhadas por um Engenheiro Agrônomo de confiança, que saberá reconhecer e avaliar as condições específicas de cada situação.

 

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