De olho nas oportunidades: estratégias para comprar farelo de soja

A colheita e o aumento dos esmagamentos da soja pressionam os preços do farelo para baixo no primeiro semestre, e o pecuarista precisar se atentar às oportunidades de compra.

  Estratégias para comprar farelo de soja

A soja é o carro-chefe da agricultura brasileira. Normalmente, no país, o plantio é feito entre os meses de setembro e novembro, dependendo da região.

A colheita das variedades precoces tem início em janeiro, e os trabalhos no campo se estendem até março/abril.

Historicamente, os preços da soja grão caem no mercado brasileiro durante o período de safra, o que acaba pressionando também as cotações do farelo de soja. No caso do farelo, além da pressão sobre os preços advinda do mercado do grão, os esmagamentos aumentam a partir de fevereiro e essa maior oferta colabora com a tendência de baixa.

Figura 1
Preços da soja grão (R$/saca de 60 kg) e do farelo de soja (R$/tonelada), sem o frete, em São Paulo.

Fonte: Scot Consultoria

Estratégia de compra

No Brasil, a pressão de baixa sobre os preços do farelo de soja deverá ser maior no primeiro trimestre de 2019, com a colheita ganhando força e maior disponibilidade interna.

Para o pecuarista que faz o confinamento do gado (a partir de abril/maio até outubro/novembro), a sugestão é aproveitar esse cenário e antecipar a compra do farelo que será usado mais para o final do primeiro semestre.

Além do crescimento da oferta nesse período, o câmbio deverá influir menos sobre os preços da soja grão e do farelo, comparativamente com o que vimos em 2018. Do lado da demanda, uma possível retomada das compras chinesas da soja norte-americana poderá reduzir a procura pelo grão brasileiro. No caso do farelo de soja, a maior oferta do insumo na Argentina (maior exportador mundial) tende a diminuir as exportações brasileiras.

Na figura 2, apresentamos os volumes médios mensais de esmagamentos de soja no Brasil desde 2005, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE). Observe que a partir de fevereiro, a disponibilidade interna de farelo de soja aumenta gradualmente até maio.

Desde 2010, em média, os preços do farelo de soja recuaram 6,5% entre janeiro e abril, segundo dados da Scot Consultoria. Somente em 2018, os preços não caíram nesse período, devido ao câmbio em alta e à demanda aquecida para exportação (grão e farelo). Foi um ano atípico.

Figura 2
Volumes mensais de esmagamento de soja em grão no Brasil, médias desde 2005, em mil toneladas.

Fonte: ABIOVE / Compilado pela Scot Consultoria

Por outro lado, historicamente, os meses de junho, julho e agosto configuram um período de entressafra da soja no mercado mundial e, consequentemente, maior pressão (de alta) sobre as cotações. Nesses meses, os estoques brasileiros do grão já estão em níveis mais baixos devido às exportações em maiores volumes no primeiro semestre.

Além da menor oferta do grão por aqui, os Estados Unidos estão se preparando para semear a safra de soja e, neste momento, qualquer questão relacionada ao clima tende a mexer com o mercado de soja e, consequentemente, do farelo.

Autor: Rafael Ribeiro – Zootecnista, msc.

 

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