As ferramentas de proteção de preços a favor do pecuarista

Para minimizar os riscos do mercado, existem as ferramentas de proteção de preços, negociadas na bolsa de mercadorias (B3), que são os contratos futuros e o mercado de opções, ou até mesmo com os próprios frigoríficos (mercado a termo).

Ferramentas de proteção de preços

Quando compramos um carro temos por costume fazer o seguro como forma de proteção do bem. Na pecuária, a visão deveria ser a mesma, pois se há o entendimento de que um carro precisa ser protegido, por que não pensar em proteção para um rebanho que vale muitas vezes mais?

Somente a intensificação e produtividade não são suficientes para garantir um bom resultado financeiro, é preciso também gerenciar os riscos da comercialização e de mercado. Para minimizar esses riscos, existem as ferramentas de proteção de preços, que podem ser negociadas na bolsa de mercadorias (B3) (contratos futuros e o mercado de opções), ou com os próprios frigoríficos (mercado a termo). Vamos explicar cada uma delas:

Contrato futuro

Nessa operação, o produtor vende um contrato futuro de boi gordo para o mesmo mês em que venderá sua boiada. Por exemplo:

Em 27 de abril de 2018, o produtor vendeu um contrato de boi gordo para novembro, que no dia 27 estava R$150,00/@ para novembro.

A partir daí duas situações podem ocorrer.

1 – Em novembro (mês do vencimento do contrato), se na média dos últimos cinco pregões a cotação da arroba estiver acima do preço travado (R$150,00/@), por exemplo R$153,00, o produtor terá pago a diferença de R$3,00 por arroba para a bolsa, por meio de ajustes diários.

Entretanto, quando for vender a boiada no frigorífico pelo preço vigente no mercado físico (R$153,00/@) ele, na prática, deixará de ter esses R$3,00 a mais de valorização e o resultado da operação seria o de R$150,00 por arroba, mesmo valor travado lá em abril.

2 – Se no vencimento do contrato, a média dos últimos cinco pregões a cotação da arroba for R$147,00, valor menor do que os R$150,00/@ travados, ele terá recebido a diferença de R$3,00 ao longo do período desde o estabelecimento da trava, por meio de ajustes diários.

Sendo assim, o produtor vende a boiada para o frigorífico pelo preço no mercado físico (R$147,00/arroba) e com os R$3,00 que ganhou a mais por arroba através da bolsa, chegará no resultado de R$150,00 por arroba.

Vale destacar que, nas outras praças (além de São Paulo), a mecânica para os contratos é a mesma, porém, como os valores têm como referência São Paulo a queda em cada região pode ser mais acentuada.

Se a queda for maior na região do produtor, o resultado da operação será menor do que o projetado. Na contramão, se na região do produtor as cotações cederem menos do que em São Paulo, o resultado da operação será maior do que o projetado.

Essa modalidade de contrato envolve risco e é necessário que o pecuarista tenha um montante na corretora, que serve como margem de garantia para cobrir os ajustes diários, caso, em algum momento, o mercado suba em relação ao preço inicial travado na B3.

Mercado de opções

Nessa modalidade de negociação, é feita a compra de uma opção de venda, também chamada de put, que funciona como uma espécie de seguro, garantindo um preço mínimo para o produtor.

A opção gera um direito, mas não um dever: vender um contrato futuro (no caso da put) a um preço específico.

Por exemplo: um pecuarista hoje compra uma opção de venda por R$150,00/@, com vencimento para janeiro. O desembolso da aquisição da opção é um custo, que não tem ressarcimento, sendo ela exercida ou não.

Se no vencimento do contrato, lá em janeiro, a arroba do boi gordo estiver cotada em R$140,00, o produtor receberá R$10,00/@. Na prática, ele recebe R$150,00 (R$140,00+R$10,00), menos o custo da opção, que pagou na aquisição do seguro.

Por outro lado, se a arroba estiver cotada em R$160,00, o produtor não exerce a opção de venda e não paga nada a mais, diferentemente do que ocorre com a venda dos contratos futuros.

O preço de compra para as opções varia de acordo com a atratividade e a previsibilidade do mercado. Quanto mais previsível o mercado (menos volátil) e mais perto do vencimento do contrato, a tendência é de que os preços para a compra de opções diminuam.

Da mesma forma que os contratos futuros, o preço-base é o de São Paulo.

Funcionamento da B3

Para operar essas duas modalidades de contratos na B3, é preciso atentar aos seguintes pontos:

1 – A B3 é uma instituição que atua como um mercado no qual empresas e pessoas físicas se relacionam para a compra e a venda de contratos de commodities. Quando um fazendeiro decide vender um contrato de boi e outro fazendeiro tem interesse em comprá-lo, a B3 será o ponto de encontro. Não há entrega física, apenas a liquidação financeira do contrato.

2 – Essas modalidades também são chamadas de derivativos, pois derivam de um índice. No caso do boi gordo, estão relacionados ao Índice Cepea, com cotações à vista, do boi gordo no estado de São Paulo. O preço de referência para as operações é o vigente em São Paulo. 

3 – Para operar qualquer uma das possibilidades, é preciso ter uma conta em uma corretora cadastrada na B3. A abertura da conta é um processo simples, rápido e geralmente gratuito.

4 – As variações do mercado são diárias, e os cenários devem ser acompanhados de perto.

Mercado a termo

Essa negociação é realizada fora da B3, sendo firmada entre frigoríficos e produtores. No contrato a termo, o frigorífico se compromete a comprar a mercadoria (boi gordo) em uma determinada data futura, e o pecuarista, por sua vez, se compromete a entregá-la.

O frigorífico busca esse tipo de negociação para garantir escalas de abate, sendo assim, é importante avaliar se os frigoríficos ao redor de sua propriedade utilizam essa negociação.

Se o frigorífico tiver boa parte de suas escalas já fechadas devido aos contratos a termo, há uma tendência natural de pressão sobre as cotações para a compra do volume restante do gado que falta para completar as escalas.

Entretanto, mesmo ocorrendo esse efeito, se o produtor já estiver com suas cotações travadas, isso não o afetará.

Como essa negociação não é regulada pela bolsa, existem variações na estruturação dos contratos a termo, podendo variar de acordo com cada frigorífico. Diante disso, o produtor deve checar tais condições.

Um ponto importante da negociação a termo é que pode haver a negociação do diferencial de base para os negócios feitos fora de São Paulo, situação que não ocorre na bolsa.

Outras negociações que envolvem o mercado futuro

Além das negociações da arroba do boi gordo no mercado futuro, através das corretoras e dos frigoríficos, também há uma ferramenta de negociação em que o pecuarista pode adquirir insumos, convertendo o preço em valor de arrobas de boi no mercado futuro. Ou seja, a moeda de troca para a compra de insumos é a própria arroba do boi gordo.

Essa modalidade de negociação, denominada Beeftrade, é uma forma de mitigar os riscos de mercado e proteger as margens do produtor, relacionando o preço do produto (insumo) à sua atividade (pecuária de corte).

O Beeftrade é uma ferramenta de negociação pertencente à Corteva Agriscience™ e está disponível nas lojas agropecuárias da rede de distribuição da companhia. Sendo assim, sempre que for comprar algum produto da linha Corteva Agriscience™, bastar solicitar a opção de negociar através do Beeftrade.

Conclusões

A receita da pecuária de corte, ao longo dos últimos anos, está crescendo a uma velocidade menor que os custos de produção e, também, perdendo para a inflação. Leia mais no texto E o impacto dos custos de produção e da inflação no mercado do boi gordo?”.

Diante dessa constatação, a intensificação e a produtividade devem ser consideradas pelo produtor, para manter a atividade sustentável economicamente. Além disso, também é preciso minimizar os riscos de mercado para evitar que todo o esforço produtivo seja perdido.

Além da minimização dos riscos do mercado, a utilização das ferramentas de proteção de preços auxilia na gestão de risco da propriedade.  Uma vez conhecido os custos de produção e travada a margem de lucro da atividade, é possível fazer projeções, investimentos e aproveitar oportunidades pontuais do mercado.

Por fim, essas ferramentas na pecuária devem ser encaradas como mecanismos para garantir a margem de lucro e não para gerar especulação.

Autor: Breno de Lima – Zootecnista

 

 

 

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2 respostas para “As ferramentas de proteção de preços a favor do pecuarista”

  1. Oi eu me chamo Angelo Brigatto Neto eu faço Faculdade de Gestão do Agronegócio. parabéns pelo esse aplicativo vai melhorar muito para pecuária e ajudar o produtores do campo.Quero participar dessa equipe gosto de cuidar do campo obrigado abraço

    1. Oi Angelo, tudo bem? Que legal que você está estudando para essa área! Desejamos muito sucesso nessa jornada e esperamos que você continue nos acompanhando para mais informações sobre o mundo da pecuária. ???

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