Fertilizantes: é hora de antecipar as compras?

O momento é favorável para a compra de fertilizantes: câmbio e baixa movimentação interna pressionam os preços para baixo.

As culturas da soja, milho, café, cana-de-açúcar, algodão, arroz, tomate e laranja respondem por pelo menos 95% do volume total de fertilizantes utilizados no país.

Em resumo, a agricultura é a principal atividade em termos de demanda por fertilizantes no país e, em função disto, é ela quem define os preços do lado do consumo.

Sabendo disso, o pecuarista que faz a adubação das pastagens precisa conhecer a dinâmica e sazonalidades deste mercado, para se posicionar com relação às estratégias de compra do insumo, que tem um peso grande nos custos de produção de formação ou reforma das pastagens.

Além disso, o câmbio (dólar) tem um impacto grande sobre as cotações dos fertilizantes no mercado interno, em reais.

A seguir, apresentamos alguns pontos para os pecuaristas se atentarem antes de sair às compras.

1) Sazonalidade de compra

No Brasil, a demanda por adubos é sazonal e tende a ser maior nos meses que antecedem o plantio da safra de verão de grãos, cuja semeadura é feita em setembro/outubro.

Desta forma, as entregas começam a crescer a partir de maio/junho, atingindo o pico em setembro. Veja na figura abaixo, a média mensal de fertilizantes entregues no país entre 2014 e 2017 (últimos dados consolidados).

Figura 1
Volumes médios mensais de fertilizantes entregues ao consumidor final no Brasil, de 2014 a 2017, em milhões de toneladas.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: ANDA | Compilado pela Scot Consultoria

Ou seja, considerando o prazo para a entrega do produto, as compras no mercado interno começam a ganhar força a partir de abril/maio. Historicamente, as cotações dos fertilizantes tendem a firmar e/ou subir a partir daí, seguindo neste viés até agosto, aproximadamente.

A sugestão então, tanto para o pecuarista quanto para o agricultor, é fugir deste período que concentra as compras e maior movimentação interna.

No caso da agricultura, em anos de expectativa de altas de preços, a sugestão é monitorar o mercado no primeiro trimestre, para uma possível antecipação das compras até abril.

Já para o pecuarista de gado de corte, é preciso se atentar ao período de adubação das pastagens, normalmente entre outubro e março, no máximo, que é o período chuvoso. A partir daí, com o capim secando e as condições climáticas menos favoráveis ao desenvolvimento da pastagem, a adubação é inviável, a não ser nos sistemas irrigados.

Para o pecuarista antecipar as compras para meados do primeiro semestre, sendo que só utilizará o fertilizante nas pastagens a partir de outubro (retomada das chuvas em volumes mais regulares), é importante atentar-se às questões de armazenagem do insumo em condições apropriadas.

Outro fator importante é a análise de imobilização de capital para a compra do insumo que será usado somente no final do ano.

2) Câmbio

O Brasil importa, em média, 70% de todo o fertilizante (NPK) consumido no país. No caso dos adubos potássicos (K), as importações representam mais de 90% do total demandado.

Com isso, o câmbio (dólar) reflete diretamente nos preços dos fertilizantes no mercado brasileiro.

Este impacto do câmbio sobre os preços dos adubos em reais fica evidente na figura 2, que traz as cotações médias desde janeiro do ano passado. Observe que em 2018, com a forte alta do dólar no primeiro semestre, as cotações subiram.

Figura 2
Preços médios dos fertilizantes em São Paulo, em R$ por tonelada, sem o frete.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Scot Consultoria

3) Estoques de passagem

Representam o volume de fertilizantes em estoques nas indústrias que “passam” de um ano para o outro.

Normalmente, após o período de compras dos fertilizantes e semeadura da safra de grãos (safra de verão), a demanda interna diminui.

Esta menor movimentação em novembro e dezembro somada aos estoques do insumo, normalmente, leva a uma pressão de baixa sobre as cotações no final do ano, inclusive com promoções em alguns casos.

Para o pecuarista que não dispõe de estrutura para armazenar o adubo, ou seja, não consegue antecipar as compras para o primeiro semestre e estocar o produto na fazenda até sua utilização nas pastagens, esta é uma oportunidade para a compra de fertilizantes.

Estratégias e expectativas de mercado

Até abril e começo de maio, a expectativa ainda é de mercado “morno”, com preços andando de lado, sendo que quedas pontuais não estão descartadas.

A expectativa é que a partir de maio a demanda interna comece a aumentar e as cotações a subirem.

Desta forma, a antecipação das compras (para utilização dos produtos no segundo semestre), por parte dos agricultores e pecuaristas que têm condições de estocar o insumo, é uma boa estratégia.

Para o pecuarista que não dispõe de estrutura para estocar o insumo, a sugestão é deixar para negociar mais para o final do ano.

Autor: Rafael Ribeiro, Zootecnista, msc.

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