Parte 2 | Gestão de alto desempenho eleva a eficiência da equipe

Ter uma equipe motivada para desempenhar o seu potencial máximo é peça chave para o sucesso de uma propriedade. Pessoas são a solução e não o problema!

Autor: Rodrigo Patussi Nascimento; Zootecnista e coordenador de projetos da Terra Desenvolvimento Agropecuário

Parte 2

É cada vez mais perceptível uma nova geração focada na missão, na visão e no propósito, do que na função em si. Os profissionais no futuro destoam da imagem “fazer por fazer”.

Como se aplica isso ao agronegócio?

Dentre os exemplos de propósito podemos citar a produção do bezerro mais pesado da região ou a carne com melhor qualidade dentre os pares; ter implantado um sistema de criação com bem-estar ou mudar as práticas conservacionistas.

Estudando profundamente as empresas pecuárias que se destacam pela competência na gestão de seu “time” de colaboradores e consequente conquista de resultados financeiros expressivos, encontramos três comportamentos semelhantes.

 

  • O primeiro é um projeto que determine metas e considere elementos como o desempenho produtivo, comportamento financeiro, relação de área e rebanho e, de forma contundente, o relacionamento da equipe.

 

  • O segundo é a sistemática de gestão que priorize a decisão baseada em informações confiáveis e precisas, produzidas da “porteira para dentro”. Gestão dos recursos produtivos, financeiros e humanos, objetivando a conquista contínua do lucro por hectare.

 

  • O terceiro, e não menos importante, está na formação de uma equipe realizadora, que se baseia no conhecimento gerado através da clareza nos objetivos e capacitação contínua, permitindo assim a execução “excelente” da atividade proposta.

 

Tomando nota desses pontos, durante a execução de um projeto definido como sendo eficiente, identificamos a necessidade de estar claro para toda a equipe, do gestor aos serviços gerais, qual é o objetivo da atividade, o que todos precisam realizar para alcançá-los (responsabilidades e participação), como serão medidos, em que frequência saberão como estão desempenhando suas tarefas (indicadores) e, principalmente, qual o benefício gerado pelo seu trabalho à empresa.

Na pecuária é visível que os processos e a excelência em sua execução são colocados à prova quando avaliamos sistemas de produção intensiva, como o confinamento. Mais que tudo, este é um exemplo no qual a ação humana é determinante, não só pela conquista da eficiência produtiva animal, mas pela própria sobrevivência do negócio, além de evidenciar a importância do cuidado e assertividade na perfeita execução das rotinas. Ao confinar, o cumprimento das tarefas pelo time da fazenda tem impacto nos resultados finais.

De maneira simples, temos que proporcionar à equipe a chance de conquista das metas propostas. Para isso, os colaboradores devem saber quais são os objetivos e como alcançá-los, ou seja, compreender como suas ações do dia a dia interferem nisso. O monitoramento que possibilita “medir” se estão alcançando a meta é fundamental, mas principalmente, um monitoramento eficiente que permita a correção da rota ainda em tempo de alcance da meta. Por fim, a “execução” é o que traz o resultado, e somente uma equipe preparada e treinada consegue essa realização com a excelência necessária.

É determinante para o projeto estudar e definir as características estruturais e o perfil da equipe que será responsável pela gestão e execução. O melhor é que apenas medidas simples e diretas podem ser adotadas para mudar este cenário. Veja as dez atitudes e ferramentas práticas, usuais para o aumento do desempenho da equipe:

 

É como num jogo de futebol: a meta deve ser clara, ou seja, no futebol sabemos que para ganhar o jogo temos que marcar mais gols que o adversário e na fazenda precisamos, de maneira geral, produzir a arroba mais barata possível, aproveitando de forma eficiente nossos recursos. O fato é que para a equipe o placar de ambos deve estar evidente durante e não somente ao final do “jogo”.

Como em sistemas intensivos de pastejo temos longos períodos sem a possibilidade de interrupção dos trabalhos devido aos manejos necessários, uma escala de serviço e substitutos são fundamentais para mitigar possíveis riscos produtivos. Uma característica dessa estratégia produtiva consiste em treinar um colaborador na execução de mais de uma tarefa, possibilitando assim, em momentos específicos, ajustes priorizando uma escala saudável de trabalho.

O mesmo princípio geral de gestão, que consiste em saber onde está, aonde quer chegar, traçar uma estratégia que respeite recursos disponíveis ao longo do tempo e medir para garantir a execução, pode e deve ser usado para construção de um time realizador.

O mais importante é a prioridade dada aos talentos humanos da empresa. Pessoas são a solução e não o problema. Construir a cultura que favoreça o desenvolvimento de pessoas realizadoras é papel fundamental do líder.

A prática de simplesmente achar que as pessoas devem se adequar ao planejamento tem se mostrado uma experiência sofrível. O melhor é alinhar o planejamento técnico de acordo com a cultura e características de todo o time da empresa, no qual o gestor é peça chave.

 

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*