Orgulho da história da nossa música sertaneja

Conheça os principais momentos e fases desse gênero musical que encanta os brasileiros há décadas

história da música sertaneja

A música sertaneja se reinventa a cada dia. Mesmo com o passar do tempo, o sucesso sempre se manteve. Atualmente, existem vários desdobramentos desse gênero musical, que, quando foi criado, tinha apenas a voz e a viola como ferramentas para expressar toda a beleza e os encantos da vida no campo.

No último século, o ritmo sertanejo passou por quatro grandes fases: sertanejo raiz, fase de transição, romântico e universitário. Confira aqui como foi cada uma delas!

Sertanejo raiz

Tudo começou por volta de 1910, com o jornalista e escritor Cornélio Pires. Ele foi o primeiro ícone da história da música sertaneja e gravou os primeiros discos com algumas canções que fizeram muito sucesso entre o público campeiro da época. As letras eram sobre o homem do interior, a vida no campo, a paisagem e o cotidiano das comunidades rurais.

Anos depois, artistas do mesmo gênero seguiram essa tendência, entre eles Alvarenga & Ranchinho, Vieira & Vieirinha e a famosa dupla Tonico & Tinoco. Hoje, esse estilo de composição está presente no que se chama de sertanejo raiz, eternizado nas vozes de Inezita Barroso e Mazinho Quevedo, entre outros. Naquela época, os artistas geralmente tinham um trabalho paralelo, muitas vezes associado à lavoura ou a outros serviços do campo. Só a partir da década de 1960 é que as portas se abriram para novos cantores.

Fase de transição

A segunda fase, chamada de transição, aconteceu no período pós-guerra – de 1945 até meados dos anos 1960. A dupla Tonico & Tinoco ficou famosa nessa época, com canções como “Chico Mineiro”, de autoria de Tonico e Francisco Ribeiro. Essa música é um clássico e narra a história de um boiadeiro que, após a morte de seu vaqueiro, descobre que ele era seu irmão.

Nessa época, ainda eram utilizadas somente a voz e a viola para criar a música. As narrativas continuavam típicas do início da música sertaneja e descreviam as dificuldades da vida no campo. Os personagens principais das canções eram os vaqueiros e os animais com quem lidavam no dia a dia. As letras narravam a vida, a morte e as fatalidades da vivência no sertão.

Após a guerra, foram introduzidos instrumentos como a harpa e o acordeom. Isso fez com que novos estilos surgissem, como o dueto com intervalos variados, além de alguns gêneros: inicialmente, a guarânia e a polca paraguaia e, mais tarde, o corrido e a canção ranchera. Surgiram também novos ritmos como o rasqueado, a moda campeira e o pagode. Aos poucos, a temática foi se tornando mais amorosa, porém, mantendo a narrativa autobiográfica.

Alguns artistas que tiveram destaque na fase de transição foram Cascatinha & Inhana, Irmãs Galvão, Irmãs Castro, Tião Carreiro & Pardinho e Milionário & José Rico, já na década de 1970.

Sertanejo romântico

A fase romântica da música sertaneja teve início no final dos anos 1970, com a introdução da guitarra elétrica e o chamado “ritmo jovem”. O modelo do novo ciclo era a Jovem Guarda. E um de seus integrantes era Sérgio Reis, que começou a gravar o repertório tradicional sertanejo.

Nessa época, o sertanejo romântico contava com a inserção de um ritmo de balada sentimental, com temas do coração e uma clara inspiração urbana. Os arranjos dessas músicas incluíam instrumentos de orquestra, além da base de rock, já incorporada ao gênero. “Soldado sem Farda”, de Leo Canhoto, é um exemplo típico de instrumentação básica de rock e a batida chamada de “ritmo jovem”. Essa canção, escrita durante a ditadura militar, falava que o trabalhador rural era tão defensor da pátria quanto o soldado fardado.

Artistas que representaram essa tendência foram: Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé di Camargo & Luciano, Christian & Ralf, Trio Parada Dura, João Mineiro & Marciano e Roberta Miranda. Um marco na música sertaneja romântica foi a canção “Fio de Cabelo”, de Marciano & Darcy Rossi, interpretada pela dupla Chitãozinho & Xororó.

Sertanejo universitário

O estilo atual, que ganhou força a partir de 2010, também chamado de sertanejo universitário, conta com músicas românticas, mas predominam as letras que falam de festas, ostentação e curtição, tendo a influência da sanfona, da música eletrônica e, em alguns casos, até do funk. Essa fase está presente em algumas músicas de Guilherme & Santiago, Gusttavo Lima e João Lucas & Marcelo.

Entre as duplas que fazem parte desse momento do gênero estão Bruno & Marrone, Edson & Hudson, Victor & Leo, Fernando & Sorocaba, entre outros. Há ainda artistas solo como Luan Santana, Michel Teló e Marília Mendonça.

Gostou de conhecer mais sobre essa história? Conte aqui nos comentários de quais outros cantores você se lembra e quais músicas mais marcaram sua vida! Relembrar é viver. 😉

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