Impactos das plantas daninhas na produtividade das pastagens

Como impedir que a as plantas daninhas limitem o potencial de produção da pastagem.

Impacto plantas daninhas

Autor: Bruno Carneiro e Pedreira, Pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril

O manejo do capim deveria ser um ponto exaustivamente discutido quando tratamos de sistemas de produção animal em pastagens. Para produzir carne é necessário produzir forragem e conduzir bem o pastejo.

No entanto, para que se tenha um pasto com longevidade é preciso, sempre, prestar atenção aos sinais do sistema de produção. Como um médico que examina seu paciente, devemos examinar o pasto e “escutar o que ele tem a dizer”. Nesse cenário, plantas daninhas são uma “reclamação” corriqueira. Mas por quê?

Sempre que temos um sintoma, devemos nos perguntar: quais as razões para isso?! No caso das plantas daninhas, inúmeras são as causas que podem levar à infestação: solo empobrecido, mal manejo, superlotação animal, ataque de cigarrinhas, solos mal drenados, seca prolongada…. Todos são fatores que, por algum motivo, deixam a forrageira vulnerável, com reduzida capacidade de competir, resultando em um pasto com menor potencial de produção.

À medida que a planta daninha não é combatida ou pastejada (e a maioria não é pastejada), fica mais fácil completar o seu ciclo, produzir sementes e dispersar novas plantas daninhas nas pastagens. E o problema só aumenta!

As daninhas competem por luminosidade e nutrientes com as forrageiras (nitrogênio, fósforo, potássio, etc.), reduzindo o potencial de acúmulo de forragem.

É fácil de observar a perda de forrageiras em pequenas áreas, a redução do número de perfilhos do capim. Uma pequena redução inicial, com o tempo, pode representar muito em porcentagem de espaço perdido. Então, o local que seria usado para produzir forragem passa a ser ocupado por uma planta sem função zootécnica.

O cenário pode ficar pior, pois, à medida que as daninhas crescem e se disseminam, os animais evitam pastejar nessas áreas. Nesse caso, a perda é dupla.

Primeiro, ocorre a redução na utilização do pasto pelos animais. Como a atividade de pastejo consiste em caminhamento para busca de alimento e colheita da forragem, quando o pasto está infestado, o animal precisa caminhar mais para encontrar estações alimentares adequadas. Com as plantas daninhas muito misturadas à forrageira, essa procura levará mais tempo, reduzindo a eficiência dos bocados e o desempenho animal.

Impacto plantas daninhas

Além disso, há uma redução de produtividade por área do pasto, já que o acesso às áreas muito infestadas se torna difícil. Bovinos, na natureza, são presas, e na “ausência de visual” podem deixar de frequentar certos locais onde existam muitas daninhas. Por outro lado, se essa for a única opção, ao acessarem essas áreas muito infestadas, os animais ficam mais ariscos e o manejo mais difícil. Assim, aumenta a dificuldade de identificar problemas como machucados, bicheiras, etc. que resultam em perda de desempenho ou até do indivíduo.

Diante dos fatos, fica clara a necessidade de combater as plantas daninhas em pastagens. Nenhum pecuarista quer reduzir o potencial de produção de forragem, perder área de solo para plantas sem interesse forrageiro ou limitar o desempenho animal.

A PRODUTIVIDADE DAS PASTAGENS DEVE SER MANTIDA A QUALQUER CUSTO. A REFORMA COMPLETA DE ÁREA INFESTADA, MUITAS VEZES, É A ÚNICA SAÍDA. NESTA OPERAÇÃO, QUATRO PONTOS SÃO DE EXTREMA RELEVÂNCIA.

Impacto plantas daninhas

Portanto, não devemos deixar que as plantas daninhas limitem a produção de forragem e, por consequência, o potencial de produção animal em pastagens. Monitoramento, controle e manejo adequado são ferramentas fundamentais para garantir uma pastagem produtiva, base alimentar sólida e sustentável da pecuária brasileira.

 

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