Descubra como a intensificação pecuária pode beneficiar a sua fazenda

A busca por intensificação deve ser algo sempre presente na propriedade, com a velocidade das mudanças adequada à realidade de caixa da fazenda.

Intensificação pecuária na fazenda

Um dia, certo produtor chega à conclusão que está cada vez mais difícil pagar as contas e que aquela necessária reforma de pastagem ou a construção de um curral não será facilmente paga como já foi um dia. Mas o que ele acha estranho é que os preços de venda da boiada cobrem os custos que ele tem com mão de obra, sanidade e até mesmo a suplementação a mais que ele deu ao gado na seca.

É muito provável que esse produtor esteja na situação chamada de “lucro caixa”, ou seja, sua receita cobre seus gastos, mas não as depreciações. Na prática, ele consegue cobrir os desembolsos do dia a dia, a compra da reposição, a nutrição, mas o que ele pensa ser lucro, o que “sobra”, não é suficiente para cobrir as depreciações (também chamadas de custos fixos). Como depreciações não são desembolsos, ele tem a impressão de resultado positivo.

Há variações de nomenclatura, mas, em resumo, a Scot Consultoria considera como depreciação  os itens que englobam mais de um ciclo de produção, como pastagens e benfeitorias.

Custos variáveis indiretos são os que não entram diretamente na produção, como custos administrativos. Já os custos variáveis diretos são os que variam diretamente com a escala de produção, como reposição do rebanho e nutrição, por exemplo.

Abaixo, temos um resumo das situações possíveis em uma propriedade, do ponto de vista do resultado.

Tabela 1
Resumo das situações de custos e receitas em uma propriedade.

Resultado Situação Expectativas
 Lucro operacional Receita cobre custos fixos (depreciações) e variáveis Continuidade da atividade, situação positiva.
 Lucro caixa, mas prejuízo operacional Receita cobre custos variáveis, mas não as depreciações (fixos) Se não for alterada, situação leva à depreciação de benfeitorias e pastagens, uma vez que o resultado não cobre as depreciações.
 Prejuízo Caixa Receita não cobre nem os custos variáveis Situação crítica, cenário de inviabilidade. 

 

O pecuarista do exemplo provavelmente está na segunda situação (lucro caixa, mas prejuízo operacional), pois as benfeitorias, incluindo cercas e currais, os veículos e as pastagens estão perdendo valor e capacidade produtiva.

Mas o que é depreciação?

A depreciação nada mais é que a perda de valor dos bens que participam de mais de um ciclo de produção. Por exemplo, o curral que é usado por 20 anos tem seu custo rateado entre a produção de todo o período.

É o valor que deveria ser guardado pelo produtor para a reposição do bem, lá na frente. Mas como não é um desembolso, muitas vezes, não é considerado nos custos, o que é um erro.

Na prática, a depreciação é a perda de valor, rateada pela produção no período da análise.

Tomemos como exemplo uma pastagem com custo de formação de R$ 2 mil por hectare e vida útil de dez anos. Com isso, serão dez anos para distribuir esse custo de formação, o que resulta em R$ 200,00 por ano. Se a lotação for de uma cabeça por hectare, temos um custo mensal com depreciação de pastagem de R$ 16,67 por bovino (R$ 200,00/12 meses).

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Aí entram as análises que, muitas vezes, não são feitas, como, por exemplo, maximizar a vida útil desse pasto por meio de uma manutenção ou recuperação. Se por meio de manutenções a vida útil for aumentada para 20 anos (lembrando que nada impede, uma vez que pastagens são perenes), o custo mensal com depreciação cai para R$ 8,33 por cabeça.

É claro que há um custo para fazer essa manutenção, mas com pastagens em melhores condições, as lotações também podem ser superiores, assim como o ganho de peso.

A intensificação, por meio do uso de tecnologias corretas e bem empregadas, dilui os custos fixos, ou seja, o custo com depreciação por unidade produzida diminui.

Conclusões

Muitas vezes, o produtor fica tentado a economizar nos custos diretos, reduzindo uma suplementação mineral ou manutenção de pastagem, sem perceber claramente os efeitos indesejados disso a longo prazo.

A suplementação deve ser vista como um investimento, pois ao reduzi-la, haverá menor produção de arrobas. Em outras palavras, menos produtos para diluir os custos fixos.

Já quando a manutenção de pastagem é reduzida, além do efeito sobre a produção, como citado para os suplementos, há diminuição da vida útil do pasto. Com menor vida útil, o custo da formação é rateado em menos anos e a depreciação por hectare ou cabeça ao ano aumenta.

Cada propriedade tem uma situação de caixa específica, e não basta entender que a intensificação é necessária para fazê-la do dia para a noite, já que demanda planejamento e investimentos.

De qualquer forma, o maior uso de tecnologia é o caminho a ser buscado, com a velocidade que a realidade do sistema permitir.

Confira como um sistema com maior lotação beneficiou o pecuarista Naum Ryfer, proprietário da fazenda Igarapé, de 2.700 hectares.

Autor: Hyberville Neto – Médico Veterinário, msc

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