Mulheres do agronegócio e mães, exemplos de superação e persistência

Conheça a história das mulheres da família Fioravante, que assumiram os negócios da fazenda após o falecimento do pai e criaram o Grupo Fioravante, em Tocantins

mulheres no agronegócio

De Guaxupé, sul de Minas Gerais, para o Tocantins, norte do país. Esse foi o trajeto percorrido por Sirvana Resende Fioravante e as filhas Mariana e Flávia, há 40 anos, quando o patriarca da família, Lázaro Fioravante, decidiu tocar os negócios em outras terras. No meio do caminho, ainda teve uma parada em Goiás, região onde a família morou por 18 anos antes de seguir para o norte brasileiro, em 1995.

O motivo para a mudança de região? O campo e a pecuária. Sempre em contato com as atividades na fazenda, Lázaro teve desde pequeno o tino e a paixão pela área e pelos animais. E levou a profissão pela vida toda. Dona Sirvana, por sua vez, nunca havia tido contato com o campo até conhecer o marido. Foi com ele que começou a vivenciar o cenário e acabou se apaixonando pela rotina na fazenda. “Comecei a me envolver com o dia a dia e as atividades e gostei demais da terra. Isso foi muito importante para o desafio que eu nem imaginava que viria pela frente”, conta.

Em 2002, o casal se deparou com o falecimento do filho, Lázaro Fioravante Júnior, o único homem na família, que seria o sucessor nos negócios. A perda foi o primeiro grande desafio dos Fioravante. Sem ter o sucessor, Dona Sirvana continuou ajudando o marido nas atividades. E esse contato foi fundamental para que ela aprendesse um pouco mais sobre a rotina na fazenda, o que mais tarde seria necessário, já que a família teve sua segunda perda irreparável: o falecimento do patriarca, em 2014.

“Foi um baque muito grande, principalmente para nós três, esposa e filhas. E nos vimos ali, desamparadas emocionalmente e com um negócio de uma vida toda a ser tocado, a ser levado em frente”, relembra.

Persistência e superação

Passado o período de papeladas e providências para a conclusão do inventário, as mulheres da família se depararam com a fazenda para tocar. A primeira pergunta: o que fazer? A resposta imediata, segundo elas, “nos unirmos, arregaçarmos as mangas e seguirmos em frente”. E foi o que fizeram.

“Com a morte do meu irmão e meu pai tocando os negócios normalmente, nunca tinha passado pela nossa cabeça que algum dia teríamos que cuidar da fazenda. Acredito até que meu pai pensasse nos genros e não em nós, pois somos da área da saúde e ele não nos preparou para isso. Diferente da nossa mãe, eu e Flávia dificilmente nos envolvíamos com as atividades. Mas foi aí que caiu a nossa ficha e nos vimos, pela primeira vez, como sucessoras dele”, relata Mariana.

mulheres no agronegócio
Da esquerda para a direita: Flávia, Sirvana e Mariana.

As então sucessoras e a mãe uniram-se, tomaram ciência das necessidades e atividades da fazenda e iniciaram a gestão em 2015.

Nesses quatro anos, as três mulheres deram continuidade ao trabalho realizado, com o ciclo completo da pecuária – cria, recria e engorda do gado – e ampliaram a produção. Há dois anos, a família criou o Grupo Fioravante. “A principal mudança desde que assumimos foi profissionalizar o processo de trabalho. Passamos a registrar e arquivar todas as atividades, em planilhas, no computador, para manter o controle. Foi a forma que encontramos para organizar, inclusive, o nosso pensamento, já que não entendíamos muito do segmento”, explica Mariana.

Mulheres, gestoras e mães

Mesmo com a presença feminina no agronegócio aumentando a cada ano, o segmento ainda se mantém como uma área predominantemente masculina. Mas, na opinião das mulheres da família Fioravante, esse não é um dos maiores desafios enfrentados por elas. E sim a necessidade de cumprir os diversos papéis como mulheres, gestoras e mães.

Mariana, mãe de duas meninas – Heloísa e Helena –, conta que foi necessário mudar o estilo de vida e rever alguns hábitos para conseguir conciliar os novos compromissos diários. Além de realmente planejar tudo o que precisa ser realizado. “É evidente que o nosso tempo diminuiu. Então, já que viramos mulheres do campo, modifiquei também o meu jeito de ser mesmo. E passei a planejar melhor o meu dia a dia. Só assim é possível desempenhar tantos papéis”, destaca.

Para Flávia, mãe de um menino de 11 anos, sem planejar e estabelecer prioridades torna-se desgastante desempenhar as diversas funções assumidas por elas. “Modificar nossos hábitos foi uma consequência natural. Mas o mais importante foi passar a realmente planejar os compromissos e definir as prioridades. Tem sido desafiador para nós três, mas com muita união, persistência e coragem, temos conseguido”, ressalta.

mulheres no agronegócio
Da esquerda para a direita: Mariana, Flávia e Sirvana.

Sucessão familiar

Com a experiência como gestoras e sucessoras, Mariana e Flávia também perceberam o quanto é fundamental repassar aos filhos os ensinamentos, o dia a dia do campo e o gosto pela fazenda, assim como reforçar o quanto o amor e a dedicação do avô aos negócios deram frutos que podem continuar nas mãos dos netos.

“Procuramos passar a eles como é o trabalho, mas também as vantagens e alegrias de se viver do campo. O meio do agronegócio precisa entender a importância da sucessão, o amor pelo agro, para que realmente a gente possa criar sucessores e não, simplesmente, herdeiros”, defende Flávia.

Dona Sirvana concorda e reforça o pensamento das filhas sobre a continuidade dos netos nos negócios, até porque não pensa mais em mudar de atividade. “Hoje, por mim, ficaria direto na fazenda, moraria e trabalharia nela. Porque hoje é o que mais quero e gosto de fazer”, conta.  

Ela relata que, uma das maiores recompensas foi ver a continuidade do trabalho de seu marido sendo muito bem feito e até ampliado. “Faria tudo de novo e igual, pois as recompensas são enormes. Conseguimos tocar tudo o que ele fez, sem vender nem reduzir as atividades. Pelo contrário, melhoramos a fazenda e a pastagem e, hoje, produzimos ainda mais. Isso é gratificante”, destaca. 

Mariana acrescenta ao pensamento da mãe o reconhecimento da sociedade e do meio. “Quando você olha a fazenda, a pastagem, o rebanho e vê que está bonito, organizado, crescendo, é gratificante. Além de saber que temos pessoas, dentro e fora da equipe, que reconhecem o nosso trabalho e que torcem para que continuemos crescendo”.

Esse orgulho de trabalhar no campo é compartilhado não somente pelas gestoras da família Fioravante, mas também por 90% das 4.157 produtoras rurais entrevistadas, em um estudo realizado pela Corteva Agriscience™ em 17 países.

Os nossos parabéns a todas as gestoras e pecuaristas que também são mães e que se dedicam diariamente aos diversos papéis enquanto mulheres.

 

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

2 respostas para “Mulheres do agronegócio e mães, exemplos de superação e persistência”

  1. Sou mulher do agronegócio, sou de Minas Gerais e tenho uma história muito parecida,com a das Fioravante. Também perdi os gestores da fazenda e desde 2001 estou na região de Gurupi TO.

    1. Oi Marilda.
      É uma história que muita gente se identifica. Mas é muito bom saber da força das mulheres do agronegócio.
      Desejamos muito sucesso para você aí no Tocantins.
      Grande abraço.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*