Manejo e cuidados no primeiro pastejo

O primeiro pastejo também serve para estimular o crescimento da planta e não apenas para alimentar o animal.

Quando estamos nos preparando para formar uma pastagem, é comum pensarmos que o nosso trabalho termina quando colocamos as sementes no solo. Corrigimos a terra, fazemos as adubações, escolhemos a espécie forrageira e semeamos. Entretanto, ainda falta uma coisa: “o primeiro pastejo”. Sim, ele faz parte do processo de formação de uma pastagem.

Devemos ter em mente que o primeiro pastejo não é apenas para alimentar os animais, mas também para estimular as plantas a crescerem. Um pasto não deve ser considerado estabelecido com sucesso até que se obtenha uma boa densidade de plantas com alto perfilhamento.  Assim, o manejo das pastagens nesse período tem grande impacto em seu desempenho futuro.

Não há muitos trabalhos científicos abordando esse tema especificamente, mas existe uma convergência nas literaturas nacional e internacional sobre alguns procedimentos que devem ser observados para uma boa formação de pastagens.

Antigamente, existia uma ideia de que os pastos deveriam “sementear” para, daí então, colocar o gado para pastar. As gramíneas forrageiras apresentam dois mecanismos de perpetuação na pastagem: produzir sementes e perfilhar. No caso de uma pastagem para alimentação animal e não para produção de sementes, o perfilhamento é muito mais importante, pois modifica a estrutura do pasto tornando-o mais favorável ao pastejo.

Ainda, dependendo da época de plantio, e caso o produtor queira esperar o capim sementear, ele deverá esperar até oito meses para utilizar o pasto. Nessa situação, será criada uma estrutura de pasto com grandes touceiras, poucos perfilhos e pouca cobertura de solo.

Se não é recomendado esperar o capim soltar as sementes, quando então devemos realizar o primeiro pastejo? Essa é uma pergunta que depende de uma série de fatores para ser respondida e vamos falar disso agora.

Época de plantio, nível de fertilidade do solo, taxa de semeadura, etc. são algumas características que devem ser levadas em conta. Em condições favoráveis, 45 a 60 dias após a emergência das plântulas seriam suficientes para executar o primeiro pastejo. Outra forma prática seria adotar as recomendações de altura de entrada para pastejo e de resíduo dos diversos capins que temos disponíveis no mercado. Dica: aplicativos móveis como “Pasto Certo”, “Capim” e “Plante certo” podem, de forma rápida e eficiente, auxiliar os produtores a encontrarem essas informações.

Devemos ficar atentos ao primeiro pastejo em solos muito leves (arenosos), principalmente, com a possibilidade de arranquio de plantas caso o sistema radicular não esteja bem aprofundado. Nesse caso, é desejável esperar um pouco mais. De maneira prática, caso não seja possível arrancar as plantas manualmente, é sinal de que podemos colocar os animais para o pastejo.

Outro fator importante que deve ser considerado é qual tipo de animal devemos utilizar para realizar o primeiro pastejo. É desejável que se utilize animais jovens (desmama) em número adequado para não rebaixar muito o pasto. Lembre-se: o primeiro pastejo é para a planta e não apenas para o animal.

Caso o produtor não disponha dessa categoria animal na fazenda, pode-se utilizar animais mais pesados (vacas), mas com o devido ajuste de carga.

Para auxiliar o pastejo de formação, a adubação nitrogenada também é ferramenta importante. A aplicação de 50 kg/ha de N após a retirada dos animais do piquete estimularia uma rebrota vigorosa com intenso perfilhamento, e garantindo assim, uma pastagem produtiva.

A partir desse ponto, temos um ambiente pronto para uso com estrutura favorável ao pastejo, e que deve ser manejado corretamente ao longo de sua vida produtiva para que possamos ter níveis de produção animal compatíveis com o sistema de produção adotado.

Autor: Rodrigo Amorim BarbosaGraduado em Agronomia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (1997), Mestrado em Zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa (2000) e Doutorado em Zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa (2004). Atualmente, é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e supervisor do Grupo de Pesquisa Vegetal da Embrapa Gado de Corte.

 

 

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2 respostas para “Manejo e cuidados no primeiro pastejo”

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