De olho na margem da indústria

A margem de comercialização dos frigoríficos está próxima da média histórica ao longo de 2018.

margem de comercialização dos frigoríficos

A margem de comercialização da indústria frigorífica (diferença entre o preço de venda da carne bovina e o custo da matéria-prima, o boi gordo, sem considerar os custos fixos), reflete na precificação do boi gordo para o comprador. Dessa forma, margens maiores possibilitam ao frigorífico, dentro das estratégias, pagar mais pela arroba do boi gordo. O oposto também é verdadeiro.

Logo, acompanhar os patamares dessas margens, ajuda o pecuarista a entender quais são as estratégias de preços que os frigoríficos podem adotar e assim se programar para vender a boiada.  

A Scot Consultoria calcula dois indicadores dessa relação, o Equivalente Scot Carcaça e o Equivalente Scot Desossa.

Margem do frigorífico que não desossa

O Equivalente Scot Carcaça apura a receita do frigorífico com a venda de todos os produtos do abate, em um cenário da venda das carcaças com osso, no mercado atacadista.

A margem de comercialização não indica lucro, pois outros custos, como mão de obra, eletricidade e frete, por exemplo, não estão considerados.

A figura 1 apresenta a evolução da margem desde 2016. A média histórica do indicador começou a ser calculada em 2007.

Figura 1 - Margem de comercialização do frigorífico que vende carcaças com osso
Fonte: Scot Consultoria

Figura 1
Margem de comercialização do frigorífico que vende carcaças com osso, frente ao valor pago pelo boi gordo, e média desde 2007.

Desde o início da série, a margem média é de 14,2%, sendo que desde abril está acima da média.

Isso ilustra como o consumo apesar de não estar ávido, devido ao cenário econômico em recuperação tem sido suficiente para manter a margem dos frigoríficos, mesmo com crescimento dos abates e maior produção de carne.

Margem do frigorífico que desossa

Para o frigorífico que desossa as carcaças, o indicador é o Equivalente Scot Desossa, que também apura a receita com os produtos do abate, mas com a venda dos cortes no atacado, e não da carcaça bruta, além dos miúdos e derivados.

Nesse caso, a carne bovina em cortes agrega valor à produção, cuja margem de comercialização média é de 19,7%. Esse índice em setembro foi de 18,4%, um pouco abaixo da média.

Veja na figura 2 que apesar da queda em setembro, com a valorização do boi gordo reduzindo o resultado, a média em 2018, de janeiro a setembro, está em 22%, 2,3 pontos percentuais acima da média histórica.

Figura 2
Margem de comercialização do frigorífico que desossa, frente ao valor pago pelo boi gordo, e média desde 2007.

Fonte: Scot Consultoria

Expectativa

O terço final do ano costuma gerar a expectativa de que o escoamento de carne melhore. Isso é causado pelas contratações temporárias para as vendas de Natal, bonificações e décimos terceiros salários, o que ajuda no consumo em geral, incluindo no de carne.

Na média desde o início da série, a margem do Equivalente Scot Carcaça aumentou 0,8 ponto percentual no trimestre de julho, agosto e setembro, frente ao terceiro. Para o Equivalente Scot Desossa o acréscimo foi de 2,6 pontos.

Margens mais enxutas, no entanto, não excluem a possibilidade de valorizações para o boi gordo, mas com cenários próximos ou acima das médias, como visto atualmente, é mais fácil o frigorífico aumentar as ofertas de compra, caso a disponibilidade de boiadas para o abate continue restrita.

Autor: Hyberville Neto – Médico Veterinário, msc.

 

 

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