Margens curtas dos frigoríficos podem impactar na precificação da arroba

As vendas de carne bovina tipicamente perdem ritmo no começo do ano, com a passagem da boa movimentação das festas, influenciada pelas contratações temporárias e décimos terceiros salários.

Margens curtas dos frigoríficos podem impactar na precificação da arroba do boi gordo

Passadas as festas de final de ano, com o volume de negócios caindo, janeiro desponta com a retomada das transações no mercado do boi e da carne, mas não muitas. Se você tem gado para vender na safra, confira a seguir os pontos que afetam o mercado do boi gordo nos primeiros três meses do ano.

As vendas de carne bovina normalmente perdem volume no começo do ano e isso tende a influenciar as cotações da arroba do boi gordo.

Com a carga de compromissos em janeiro (IPVA, IPTU, matrículas escolares, etc.), a renda extra de final do ano desaparece, e os orçamentos ficam comprimidos, principalmente, para famílias com menos renda. É também nas famílias com menos renda que o consumo é mais afetado pelo dinheiro disponível, uma vez que a alimentação tem um peso maior nos gastos.

Com isso, o começo de ano, além de ser um período com boa qualidade de pastagens (com provável retenção de gado), é também um período de escoamento lento da produção. Isso afeta negativamente a margem dos frigoríficos, conforme é possível observar na figura abaixo.

Figura 1
Margens de comercialização dos frigoríficos no último trimestre do ano e primeiro do ano seguinte.Figura 1 - Margens de comercialização dos frigoríficos no último trimestre do ano e primeiro do ano seguinte.
Fonte: Scot Consultoria

As barras mostram as margens de comercialização, calculadas pelo Equivalente Scot Desossa, que contempla a receita com todos os produtos do abate. Não representa o lucro, pois os custos não estão considerados nesta análise.

Por exemplo, quando a margem de comercialização está em 20%, isso indica que o valor obtido com a venda de todos os produtos provenientes do abate de um bovino (como cortes de carne, couro, sebo e miúdos) superou em 20% o preço pago pelo boi gordo.     

De toda forma, margens maiores indicam mais “espaço” para pagamentos melhores pela arroba do boi gordo, caso a oferta de gado esteja curta e o frigorífico precise comprar mais. Perceba que em nove das dez transições apresentadas na figura 1, houve redução da margem no começo do ano, em relação ao final do ano anterior.  

No período, a margem média nos últimos trimestres do ano foi de 22,1%, frente a 18,6% nos primeiros trimestres do ano seguinte. Para uma comparação, a média desse indicador, considerando todos os meses desde 2008, é de 19,9%.

Além de um escoamento fraco, típico do começo do ano, as pastagens em boas condições permitem que o pecuarista retenha o gado a um custo atrativo, aumentando seu poder de negociação e dificultando a vida do frigorífico, mesmo sendo período de safra.

Estratégia para o produtor

O começo de ano coincide com um cenário mais fraco de consumo, mas em anos de retenção de fêmeas, como acreditamos que deva ser 2019, a pressão de baixa é menor e se concentra em abril e maio, com a chegada da seca e período de venda forçada do gado.

Para a escolha do momento da venda, o produtor deve considerar o seu sistema de produção, custo de manutenção desta boiada e necessidade de caixa da fazenda, mas com o foco nos preços, o cenário é de um momento apertado de margens para a indústria que trabalha no mercado doméstico, o que limita a demanda por gado e, consequentemente, possíveis valorizações.

Com a economia dando sinais de melhoria e o mercado externo ajudando, é provável que seja uma safra menos pressionada, mas ainda assim merece atenção.

Autor: Hyberville Neto – Médico Veterinário, msc.

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