Mercado de reposição e oportunidades para confinamento no 2º giro

A compra de bois magros é só uma parte do “tripé”. Outras duas variáveis também são determinantes para o resultado do confinamento: as cotações dos grãos, principalmente do milho, e a precificação dos contratos futuros da arroba.

Recentemente, foi publicado aqui no Pasto Extraordinário o texto Confinamento, uma luz no fim do túnel. Nele, abordamos as expectativas para a terminação em confinamento de segundo giro, dando maior enfoque à conjuntura do mercado de grãos e às cotações dos contratos futuros da arroba do boi gordo.

Daremos sequência ao assunto de confinamento, porém, com o foco em outra variável determinante no resultado da operação: a compra de bois magros.

Importância do boi magro no confinamento

Até mesmo para quem já tem o animal recriado na propriedade, a cotação do boi magro é utilizada como referência na hora de fazer as contas e analisar se a terminação em confinamento é viável.

Para quem ainda não tem os animais, uma boa compra é fundamental, uma vez que o boi magro representa, em média, 70% do custo da operação do confinamento.

Recentemente, os negócios com boi magro aumentaram no mercado de reposição. Isso porque, além das cotações da arroba do boi gordo em alta, fator que anima o pecuarista a investir na compra de animais de reposição, o período de confinamento também faz com que aumente a procura por bois magros.  

A maior demanda valorizou essa categoria animal. Na média de todas as praças pesquisada pela Scot Consultoria, as cotações para o boi magro anelorado (12@) subiram 0,4% em julho.

Em curto prazo, dois cenários definirão os rumos que as cotações do boi magro vão seguir.

As cotações da arroba do boi gordo devem trilhar a trajetória de alta em função da menor oferta de boiadas para abate (entressafra). Isso tende a aumentar o interesse do pecuarista em investir na compra dos animais e a maior procura ou demanda poderá dar sustentação às cotações do boi magro.

Por outro lado, com as pastagens secando, a capacidade de suporte diminui e a ponta vendedora dos animais de reposição pode perder o poder de barganha e ser menos resistente nos negócios, diminuindo assim as cotações dos animais.

Oportunidades

A boa notícia para quem ainda não comprou o gado para colocar no cocho é que as cotações da arroba do boi gordo estão subindo mais do que as cotações para o boi magro, garantindo assim maior poder de compra para o confinador.

Tomando como base São Paulo, atualmente são necessárias 12,85 arrobas de boi gordo para a compra de um boi magro anelorado (12@). Em janeiro, essa mesma relação era de 13,40 arrobas.

Figura 1
Arrobas de boi gordo necessárias para a compra de um boi magro, anelorado (12@), em São Paulo.

O poder de compra do pecuarista em São Paulo melhorou 4,1% desde o início do ano, ou seja, é necessário vender 0,55 arrobas de boi gordo a menos para a compra de um boi magro anelorado (12@).

Essa é a melhor relação de troca entre arrobas de boi gordo e boi magro desde outubro de 2017, garantindo assim uma boa oportunidade para a compra dos animais.

Considerações finais

Mesmo com as cotações firmes para o boi magro, o momento é favorável para a compra tendo em vista que a relação de troca com arrobas de boi gordo está em bons patamares. Entretanto, apesar de aliviar o custo da operação, só acertar na compra dos animais pode não garantir o resultado positivo do confinamento.

A compra de bois magros é só uma parte do “tripé”. Outras duas variáveis também são determinantes para o resultado do confinamento: as cotações dos grãos, principalmente do milho, e a precificação dos contratos futuros da arroba.

O mercado do milho parece estar definido, as cotações estão controladas e não devemos ter sustos com a colheita da safrinha no curto prazo.

Já as cotações dos contratos futuros de outubro perderam fôlego a partir da segunda metade de julho, mas, no fim do mês, já apontavam recuperação. Isso está provocando oscilações na atratividade do confinamento, positiva e negativamente.
Ficar atento ao mercado e fazer as contas é a lição de casa para o pecuarista que pretende confinar a boiada a partir de agora. Se o resultado for positivo, procure assegurar as margens e trabalhar com segurança.

Autor: Breno de Lima – Zootecnista

 

 

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