Reflexos de maio e expectativa para o mercado do boi gordo em junho

Com o lento escoamento no mercado interno em maio, o mercado do boi gordo teve queda nas cotações.

mercado do boi gordo em junho

Na segunda quinzena de maio, o mercado do boi gordo teve baixa movimentação. As indústrias conseguiram preencher as escalas de abate o suficiente para atender a demanda no período sem dificuldades.

E, sem a necessidade de sair às compras com afinco, os últimos dias de maio foram marcados pela baixa movimentação no mercado e por parte dos frigoríficos estarem fora das compras, uma vez que não havia a necessidade de ampliar os estoques.

Na média das 32 regiões pesquisadas pela Scot Consultoria, na segunda metade do mês passado, a arroba caiu 0,5%, demonstrando que, apesar da maior oferta de boiadas, ainda assim, não foi o suficiente para que as cotações caíssem com mais intensidade.

Um dos fatores que limitou a desvalorização do boi gordo foi a exportação. Nas primeiras quatro semanas de maio (dados disponibilizados até a realização desta análise), o Brasil embarcou uma média diária de 6 mil toneladas de carne bovina in natura, o que representa um aumento de 13,9% frente à média de abril de 2018 e 38,1% frente à média diária de maio de 2018.

E com o câmbio favorecendo a exportação, a expectativa é de que os embarques sigam em bom ritmo.

Aliás, se por um lado o consumo no mercado interno tem deixando a desejar, por outro, a exportação tem aumentado a sua importância dentro da receita das indústrias, uma vez que os volumes embarcados em 2019 têm sido melhores que nos anos anteriores.

Vale destacar que, no dia 30 de maio, o mercado recebeu a notícia de suspeita de um caso atípico de vaca louca no Brasil. Essa suspeita foi registrada no estado do Mato Grosso e foi confirmada na última sexta-feira (31/5). Segundo informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o fato é isolado e não apresenta riscos para a população.

Contudo, por se tratar de um caso atípico, se houver algum reflexo no mercado, poderia ser quanto ao poder de barganha dos vendedores, podendo refletir nos preços de exportação.

Para a primeira metade de junho, espera-se um mercado ainda sem euforia, com o comportamento tradicional para o período.

Porém, apesar de junho não ser um mês de mudanças expressivas no mercado do boi, ainda assim, o pecuarista pode aproveitar a conjuntura atual e se beneficiar com o mercado. Portanto, para o curto prazo, o pecuarista deve se atentar a dois pontos:

  1. Primeiro giro do confinamento

Além de a desova de fim de safra não ter chegado ao fim (as chuvas prolongadas permitiram uma desova mais gradativa em 2019, em relação aos anos anteriores), o volume de boiadas de confinamento (derivados do primeiro giro do confinamento) tende a aumentar, o que pode manter o mercado sem força para a retomada de preços.

  1. Mercado futuro

Nas últimas semanas de maio, o contrato futuro do boi gordo com vencimento para outubro/19 apresentou uma alta oscilação (o contrato oscilou cerca de R$ 8,00/@ em uma semana), o que evidencia a necessidade de o pecuarista ter uma boa gestão de risco da sua atividade.

É válido ressaltar que o sucesso da atividade depende da eficiência da porteira para dentro, contudo, as oportunidades de mercado podem e devem ser aproveitadas.

Expectativas

Na primeira quinzena de junho, dos últimos sete anos, o preço do boi gordo caiu apenas nos dois anos anteriores (2017 e 2018). Porém, vale lembrar que esses foram anos em que estávamos em um momento de ciclo de baixa de preços e, caso 2019 seja de fato um ano de retomada de preços, a primeira quinzena de junho pode trazer algumas oportunidades, mesmo que pontuais, para o produtor.

Portanto, para o pecuarista que pretende negociar nas próximas semanas, a sugestão é ficar atento à primeira metade do mês, quando normalmente há um maior consumo de carne bovina. Além disso, o escoamento de carne tem deixado a desejar em 2019, o que aumenta a possibilidade de preços maiores pela arroba nesse período.

Autor: Felippe Reis – Zootecnista

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