A retomada do mercado russo na exportação de carne bovina

Até a segunda semana de novembro, o volume diário embarcado foi 35% superior ao embarcado em outubro. Se continuarmos nesse embalo, as exportações devem bater novo recorde.

  A retomada do mercado russo na exportação de carne

Por sua extensão territorial e população, associadas às limitações climáticas e ambientais, a Rússia é um importante importador de proteínas de origem animal e durante muitos anos foi um mercado muito estratégico para o Brasil.

De 2004 a 2017, o país esteve entre os cinco maiores compradores da carne bovina in natura brasileira, sendo que, por 11 anos consecutivos, permaneceu em primeiro lugar no pódio, conforme podemos observar na figura abaixo.

Figura 1
Classificação dos cinco maiores importadores de carne bovina brasileira entre 2004 e 2018.

Figura 1 - cinco maiores importadores de carne bovina brasileira entre 2004 e 2018
Fonte: MDIC | Elaborado por Scot Consultoria

Contudo, ao final de 2017, devido à detecção de promotores de crescimento de massa muscular nos animais, que são proibidos na Rússia, o serviço sanitário do país impôs restrições à carne bovina e suína brasileiras.

Frente a esse embargo e ao bom histórico de demandas do país, esperava-se que as exportações brasileiras diminuíssem de ritmo ao longo de 2018, porém, importantes compradores, como China e Hong Kong, estão garantindo bons volumes de embarque para o Brasil.

Esses bons desempenhos resultaram no acumulado anual de 1,42 milhão de toneladas equivalente carcaça (tec) de carne in natura vendida para o exterior, volume 11% acima do efetivado no mesmo período do ano passado.

Conforme é ilustrado na figura 2, em praticamente todos os meses de 2018, o volume vendido para o mercado externo foi superior a 2017.

Figura 2
Volume de carne bovina in natura exportada, em mil toneladas equivalente carcaça.

Fonte: MDIC | Elaborado por Scot Consultoria

Importante destacar que, apesar de aproximadamente quatro quintos da produção de carne ficar no mercado interno, o mercado externo é via de escoamento da produção que não pode ser deixada de lado. Esse elo ajuda a sustentar os preços dos produtos no mercado doméstico.

Além do mais, as plantas habilitadas normalmente pertencem a grandes players, portanto, por mais que numericamente poucos frigoríficos sejam qualificados para exportação, os que trabalham com esse tipo de comercialização têm considerável poder de mercado, afetando sua conjuntura.

Isso significa que quando a exportação de carne não tem bom desempenho, a margem dos frigoríficos exportadores achata e essas indústrias acabam testando preços menores para compra de matéria-prima (boi gordo). Em efeito cascata, frigoríficos menores adotam a mesma estratégia, estabelecendo o cenário de pressão nos preços.

O contrário também é verdadeiro. Bons ritmos de embarques garantem patamares de preços mais firmes ou, no mínimo, modulam as desvalorizações da arroba.

Tomando setembro como base, mês no qual o Brasil bateu recorde na exportação de carne, o preço da carcaça bovina vendida no atacado doméstico pelos frigoríficos subiu 6% ao longo daquele mês.

Com mais carne sendo direcionada para fora, os estoques das indústrias ficaram mais enxutos por aqui, cenário que acabou colaborando para pressionar para cima tanto o preço da carne como o preço da arroba.

Em outubro, a conjuntura foi diferente. Em função da alta do dólar, a carne brasileira ficou menos atrativa no mercado internacional. Além disso, os animais do segundo giro do confinamento aumentaram a oferta de gado para os frigoríficos, fatores que tiraram a sustentação do mercado naquele mês.

Porém, é provável que esse cenário pegue um caminho inverso com as exportações, ajudando a tirar um pouco da pressão no mercado doméstico.

Voltando a falar da Rússia, após uma maratona de visitas diplomáticas e auditorias, o Brasil voltou a ter acesso a esse mercado.

E os reflexos da retomada das exportações para o país do leste europeu já começaram a ser sentidos. Até a segunda semana de novembro, o volume diário embarcado foi 35% superior ao embarcado em outubro. E, se continuarmos nesse embalo, as exportações baterão novo recorde.

Importante destacar que a demanda recua no fim do ano devido ao inverno rigoroso, que dificulta a logística por congelar as águas próximas aos portos da Rússia.

Mas, de qualquer maneira, é possível que a necessidade russa permaneça grande por um longo período, tendo em vista os elevados custos de produção em função da importação de grãos e também as estruturas necessárias para enfrentar duros invernos.

Ou seja, os russos não podem contar muito com a própria produção interna. E 2018 mostrou que eles acabam sendo mais dependentes do Brasil do que o contrário.

Por fim, é importante salientar que a demanda russa pode não demonstrar todo seu potencial nessa reta final do ano, mas as perspectivas para 2019 são positivas para as exportações, para a carne e para o boi.

Autora: Marina Zaia – Médica-Veterinária

 

 

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2 respostas para “A retomada do mercado russo na exportação de carne bovina”

    1. Oi Renato, tudo bem? Que bom que você curte nosso conteúdo. Continue nos acompanhando para não perder nenhuma novidade sobre pecuária e vida no campo. ?

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