O impacto do consumo de carnes no mercado do boi gordo

Por mais que os comportamentos históricos nos ajudem a entender os movimentos do mercado, não existe uma regra geral que pode ser aplicada para todos os anos. Vale sempre lembrar que o consumo tem grande influência nas cotações.

A venda de carne no varejo dita o rumo do mercado do boi gordo e, para analisar o comportamento do consumo de carne, analisamos o preço da carcaça de bovinos, produto mais sensível às variações da demanda, por ter menos tempo de prateleira.

 

Figura 1
Preços da carne bovina com osso no atacado, em São Paulo, em R$/kg.

 

Obviamente a formação dos preços desse produto também é influenciada pela oferta de boiadas destinadas para o abate, mas nesta primeira análise focaremos no padrão de compra do consumidor.

No início do ano, as obrigações com impostos e também os gastos a mais com material escolar, acabam diminuindo o gasto dos consumidores com carnes.

A partir de março, a demanda já começa a se recuperar, perdendo força no meio do ano e recuperando o fôlego novamente no fim do ano.

Em dezembro, as festas, associadas ao recebimento do décimo terceiro salário, são os principais propulsores do consumo e, com isso, o aumento das vendas permite a valorização da carne.

Após um 2017 turbulento (Carne Fraca, volta do ICMS e delação dos irmãos Batista), começamos este ano mais otimistas. Expectativas mais positivas no início do ano estavam pautadas na diminuição da taxa de juros, no controle da inflação e na melhoria do PIB (Produto Interno Bruto).

Essa conjuntura aumentava a confiança econômica do país e alicerçava a possibilidade de aumento no consumo geral da população.

Contudo, esse ambiente macroeconômico saudável desenhado foi se perdendo com o passar do tempo. As perspectivas relativas ao crescimento pioraram, influenciadas pelo “fracasso” das reformas até a greve dos caminhoneiros.

Assim, o esperado aquecimento do consumo de carnes não chegou à intensidade esperada e esse fator está impactado diretamente as cotações da arroba do boi gordo.

Demanda x oferta

Estamos no período de entressafra, no qual, sazonalmente, há redução na oferta de boiadas para o abate. Além disso, tivemos no primeiro giro de confinamento menos animais indo para o cocho, potencializando a redução da oferta.

Por si só, a somatória desses dois fatores poderia provocar um aumento nas cotações do boi gordo. Porém, do outro lado da moeda, a demanda está patinando e mesmo essa oferta reduzida tem sido suficiente para abastecer os estoques das indústrias.

Como consequência, os frigoríficos conseguem trabalhar com escalas “confortáveis”, diminuindo a necessidade de ofertar preços acima das referências para originar a matéria-prima. O resultado disso é notado nas cotações da arroba do boi gordo, que, no geral, encontram dificuldades para ganhar ritmo.

Conclusões

Por mais que os comportamentos históricos nos ajudem a entender os movimentos do mercado, não existe uma regra geral que pode ser aplicada para todos os anos. Vale sempre lembrar que o consumo tem grande influência nas cotações.

Assim como já observado em outros anos, em 2018, mesmo com a oferta reduzida, as cotações encontram dificuldades para ganhar firmeza em função do menor consumo.
Para o curto prazo, os holofotes se voltam para as eleições que estão por vir. A herança do próximo presidente, no campo econômico, é um desafio.

A atenção deve ser voltada para as políticas de ajuste fiscal e reformas estruturais e também para propostas focadas na melhora dos indicadores de confiança. Até porque o consumo das famílias é um dos mais importantes motores da economia e, como observado, tem grande impacto no mercado do boi gordo.

Autora: Marina Zaia

 

 

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