O que 2018 nos diz sobre a pecuária brasileira em 2019

Além de uma oferta menor de bovinos, existe a expectativa de uma recuperação do lado do consumo interno de carne bovina.

A situação econômica, de forma geral, é fundamental para qualquer setor, inclusive para as atividades agropecuárias. É ela que define a demanda pelos produtos, consequentemente, com impacto importante sobre os preços do boi gordo.

Nos últimos anos, e em 2018, vimos o consumo interno diminuir, em função da economia desaquecida em diversos mercados, incluindo o de carnes. Além disso, outro fator econômico que impactou a pecuária foi o câmbio, cujas oscilações e patamares maiores no ano, puxaram para cima os custos de produção da atividade pecuária, pois diversos insumos e maquinários são precificados em dólar.

Por outro lado, o câmbio favoreceu os volumes exportados de grãos e carnes, dado que com o dólar em alta os nossos produtos ficaram “mais baratos” no mercado externo e ganharam maior competitividade.

No caso da carne bovina, o aumento dos embarques para o mercado externo ajudou o escoamento da produção, diminuindo os estoques internos, fator que foi positivo, visto que o consumo interno foi aquém do esperado em 2018.

Para 2019, a expectativa é de um cenário mais otimista, com potencial de retomada do crescimento econômico nos próximos anos. No entanto, os desafios internos são grandes, o próximo governo terá que lidar como a solução para o déficit das contas públicas, a diminuição da taxa de desemprego, a aprovação das reformas, entre outros.

Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, depois de crescer 1,0% em 2017, o PIB (Produto Interno Bruto) deverá aumentar 1,30% em 2018, 2,53% em 2019 e 2,50% em 2020. Lembrando que em 2015 e em 2016 houve recuo no PIB brasileiro.

Para o câmbio, boa parte da valorização do dólar em 2018 foi relacionada à conjuntura externa (economia americana em expansão), que segue favorável. Dessa forma, o mercado trabalha com uma expectativa do dólar cotado em R$ 3,80 no final de 2019.

Essas expectativas devem ser consideradas com ressalvas, devido à complexidade do tema, que é sensível a fatores domésticos e externos. Ou seja, devemos ficar com olhos atentos tanto nos rumos que a economia tomará internamente, isso dependerá muito das decisões do próximo governo, como também no mercado externo, pois com a economia americana em expansão o câmbio pode ser afetado e o dólar ganhar firmeza.

Mercado do boi gordo

Para 2019, com a expectativa de recuperação econômica, o consumo de carne bovina deve melhorar e isso, somado a menor oferta de bovinos que é esperada para 2019, deve impactar positivamente o mercado do boi gordo, deixando as cotações mais firmes para a arroba.

No mercado internacional, China e Hong Kong compraram bons volumes de carne bovina em 2018, compensando a ausência da Rússia, que havia fechado as portas para o produto brasileiro no final de 2017. Com a reabertura do mercado russo, em novembro desse ano, além dos países citados que têm comprado boas quantidades, a expectativa é de um bom desempenho em 2019.

Já do lado da oferta de bovinos, com o aumento da participação de fêmeas nos abates nos últimos anos e a firmeza na oferta de bezerros, é possível que 2019 seja o primeiro ano de retenção de fêmeas.

Figura 1
Evolução da participação de fêmeas nos abates nos primeiros semestres.

Fonte: IBGE | Elaborado por Scot Consultoria

O cenário de preços firmes para a reposição ao longo do ano colabora com a expectativa de mais investimento na cria, por meio da retenção de vacas e novilhas.

Além da atratividade da cria, as chuvas em bons volumes podem colaborar positivamente com as taxas de prenhez, devido a maior quantidade e qualidade das pastagens durante a estação de monta, com isso devemos ter menos fêmeas descartadas e, consequentemente, uma redução da oferta de fêmeas para os abates no começo do próximo ano.

Panorama geral da pecuária brasileira

Do lado da economia, as atenções estão nas medidas do próximo governo, enquanto para o boi gordo devemos ter uma redução da oferta de boiadas. Paralelamente, uma economia mais positiva ajudaria no consumo, e as exportações, com a volta da Rússia, provavelmente vão ajudar.

Em resumo, há muitas variáveis que têm que ser acompanhadas, mas o cenário esperado para 2019, tanto para a economia, como para os preços de venda de bezerros e animais terminados, é positivo.

Autor: Hyberville Neto – Médico Veterinário, msc.

 

 

 

 

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