O que esperar do mercado do boi gordo em 2019

Oferta de fêmeas deverá diminuir, o que tende a ajudar as cotações do boi gordo.

O que esperar do mercado do boi gordo em 2019

A cotação do boi gordo ganhou força no segundo semestre de 2018 e, após dois anos de desvalorizações reais, a média subiu 2,5% neste ano, mesmo com a queda de 0,9% em outubro, em relação ao ano anterior, considerando cotações deflacionadas pelo IGP-DI.

A tendência é que o mercado do boi em 2019 se mantenha com preços crescendo acima da inflação. A menor oferta de fêmeas deve gerar uma safra com menos pressão de baixa nos preços.

Como o mercado se comportou nos últimos anos

Em 2016 e 2017, as cotações reais caíram tanto para bezerros como para bois gordos, como podemos observar na figura abaixo. Foram anos de aumento do abate de fêmeas, como também foi observado em 2018. Esse abate de matrizes permite supor menor produção para os próximos anos, com possível valorização de boiadas e de bovinos para reposição do rebanho.

Figura 1
Variações das cotações reais do bezerro e do boi gordo, frente ao ano anterior.

Variações das cotações reais do bezerro e do boi gordo, frente ao ano anterior.
Dados até outubro de 2018.

Em 2013, a cotação do bezerro subiu após as quedas em 2012. Em 2014, esse movimento se intensificou. É possível que em 2019 seja observada situação semelhante, com valorizações ganhando força após o esboço deste ano.

A figura abaixo mostra esses movimentos, tanto da reposição, como do boi gordo, considerando valores médios anuais, deflacionados, usando São Paulo como referência. 

Figura 2
Evolução das cotações médias do bezerro (eixo da esquerda, R$/cabeça) e boi gordo (eixo da direita, R$/@), deflacionados pelo IGP-DI.

Figura 2 - Evolução das cotações médias do bezerro e boi gordo
Dados até outubro de 2018.

Expectativas de mercado ao longo do ano de 2019:

O abate de fêmeas deve se concentrar no primeiro semestre, com destaque para março e maio. Março está relacionado ao término da estação de monta, com descarte das fêmeas que não emprenharam, e, em maio, o acréscimo está relacionado ao começo da seca, que diminui a capacidade de suporte das pastagens.

Uma safra com menos fêmeas tende a colaborar com preços firmes no primeiro semestre. Isso pode resultar em uma safra com menor pressão de queda sobre os preços, ou até mesmo em alta dos preços.

Para o segundo semestre, o cenário é influenciado pela disponibilidade de gado confinado, que, por sua vez, é afetada pelos custos com alimentação e pela cotação do boi magro. No caso do boi magro, também é esperada uma oferta em redução, o que pode valorizar a categoria.

Para 2019, a expectativa de maior produção de milho e soja no Brasil, além do dólar em patamares mais baixos, são fatores de alívio para as cotações dos alimentos concentrados, que deverão pesar menos no bolso do pecuarista.

Com isso, a oferta de gado confinado dependerá das expectativas para o resultado da atividade, observadas principalmente no primeiro semestre. A evolução dos preços do boi gordo deve definir a atratividade e, consequentemente, o volume de gado no mercado.

Expectativas para a demanda do próximo ano

Segundo Hyberville Neto, médico veterinário e consultor da Scot, esse cenário de preços firmes está diretamente relacionado às expectativas de que o novo governo realize reformas e tenha uma agenda econômica positiva, o que pode melhorar a confiança do mercado e um aumento no consumo.

Se esse cenário se confirmar, a tendência é ter um câmbio em patamares menores, o que poderia afetar negativamente as exportações (menor competitividade/poder de barganha). Paralelamente a isso, a oferta menor de fêmeas, valorizando os bovinos terminados, também diminui a competitividade da carne bovina no exterior.

Por outro lado, a volta das compras russas é um ponto que pode ajudar no desempenho da exportação. Desde novembro de 2017, os russos tinham embargado as compras das carnes bovinas, em razão da presença da substância ractopamina em análises, e agora estão retomando as importações.

Conclusões

A tendência é que o mercado do boi gordo seja de firmeza em 2019, com preços crescendo acima da inflação. A menor oferta de fêmeas deve gerar uma safra com menor pressão de baixa.

Para o segundo semestre do novo ano, com demanda melhor, também devemos observar valorizações, talvez moduladas por uma oferta maior, com um cenário mais atraente para o confinamento.

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6 respostas para “O que esperar do mercado do boi gordo em 2019”

    1. Boa tarde, Neli! Ficamos felizes que nosso conteúdo esteja sendo relevante para você. Conta pra gente: com o quê você trabalha e de que região você é? ?

    1. Oi João, boa tarde! Ficamos felizes que você tenha aprovado o conteúdo. ? Continue com a gente para não perder nenhuma novidade sobre a pecuária.

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