Oportunidade para o mercado do boi gordo no início de 2019

A expectativa é de oportunidades para o pecuarista, logo nas primeiras semanas do ano.

 Oportunidade para o pecuarista no mercado do boi gordo em 2019

O mercado do boi gordo teve movimentação típica na primeira quinzena de dezembro, com oferta ainda restrita de boiadas e demanda em alta. Os preços do boi gordo, na primeira metade do último mês de 2018, subiram 1,7%, à vista, livre de Funrural, considerando a praça de Araçatuba-SP.

E, como de costume, a segunda quinzena trouxe menor movimentação, com parte dos pecuaristas saindo das vendas e a maioria dos frigoríficos desacelerando o ritmo de compra, com as escalas já feitas para atender à demanda das últimas semanas. Falamos sobre isso nessa matéria aqui.

Essa menor movimentação pode trazer uma oportunidade para o pecuarista logo no começo de 2019. Isso porque, com o menor volume de negócios em dezembro (devido às festas de fim de ano), as indústrias começam o ano com as programações de abate relativamente curtas, o que faz com que as empresas frigoríficas ofertem um pouco mais pela arroba do boi gordo.

E mesmo que janeiro seja um mês típico de demanda fraca, essa necessidade de compor as escalas de abates para a produção em curto prazo pode ser um bom momento para o produtor. Isso é comum no início de ano, uma vez que reflete as movimentações de mercado de dezembro (figura 1).

Fonte: Scot Consultoria


Figura 1
Variação da cotação do boi gordo ao longo da primeira quinzena de janeiro, considerando a praça de Araçatuba-SP.

Na primeira quinzena de janeiro dos últimos seis anos, o preço do boi gordo só não subiu em 2014. Apesar das altas em todos os outros anos terem sido sutis, ainda assim, analisando pela visão do pecuarista, é um momento favorável em termos de preços da arroba do boi gordo para quem tem boiadas para vender.

Fora a sazonalidade, outros pontos também colaboram com a expectativa positiva para as primeiras semanas de 2019.

A exportação teve bom ritmo em 2018 e pode seguir apresentando bons resultados, principalmente com o dólar valorizado. Ainda que a exportação absorva cerca de 20% da produção de carne bovina no Brasil, ela continua sendo uma importante via de escoamento e colabora com a precificação do produto, além, é claro, de contribuir com a geração de empregos.

Outro fator é a economia, que aos poucos está se recuperando. Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) cresceu 4,2% em dezembro, em relação a novembro. Juntamente com fevereiro de 2018, essa é a maior taxa da série histórica, iniciada em janeiro de 2010.

Já o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), publicado pela Confederação Nacional da Indústria, registrou 114,3 pontos em dezembro. Esse é o maior valor desde março de 2013 e está 6,5 pontos acima da média histórica.

Apesar desses índices retratarem a confiança e a expectativa da população, ainda assim são indicadores que apontam uma possível melhora do consumo, colaborando com os preços do boi gordo.

Por fim, vale ressaltar que apesar da recuperação do cenário geral da economia, janeiro é um mês típico de queda de preço, tanto da arroba do boi gordo quanto da carne bovina. Ou seja, historicamente temos uma primeira quinzena mais forte do lado da demanda dos frigoríficos para recompor os estoques após as festas de fim de ano, mas, de maneira geral, a demanda por carne bovina cai e o mercado do boi e de carne tende a ficar mais fraco no restante do mês.

Em resumo, para o produtor que está planejando/necessitando vender ao menos parte de sua boiada no primeiro mês do ano, a sugestão é ficar atento aos primeiros dias de 2019 que, como citado, podem trazer uma oportunidade boa de venda.

Autor: Felippe Reis – Zootecnista

 

 

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*