A pastagem do Nordeste: Problemas e Soluções

Acompanhe neste artigo os desafios da pecuária no Nordeste e as dicas para enfrentá-los.

pastagem no nordeste

A pecuária é a única atividade agrícola presente em 100% do território nacional. Ou seja, em todos os municípios brasileiros existe alguém criando gado de leite ou de corte e cultivando alguma área de pastagem. Por outro lado, em quase todas essas pastagens de qualquer região, deparamo-nos com inúmeros problemas que acabam por limitar de alguma forma o desempenho e a qualidade da nossa produção. No Nordeste brasileiro, não é diferente.

Essa é uma região rica e com vários fatores positivos, mas inúmeros impasses que necessitam ser superados para que o rebanho volte a crescer. Vamos discutir alguns desses problemas e suas possíveis soluções.

O preço da terra

O Nordeste possui uma das terras mais valorizadas do nosso país e isso acaba prejudicando a pecuária, que não remunera o pecuarista como a agricultura e necessita de uma escala de produção maior para gerar sustentabilidade.

Portanto, é imprescindível que o pecuarista, seja ele de corte ou de leite, se esforce para produzir mais e mais em sua pequena área, e isso só é possível com o incremento de tecnologias e a quebra de velhos paradigmas ainda considerados pelo produtor de perfil tradicionalista.

Diversificação de gramíneas

Existe uma grande resistência por parte do pecuarista em diversificar as gramíneas de sua propriedade. As mais plantadas no Nordeste são os capins Pangola e Pangolinha, que são de fato boas gramíneas e de qualidade, mas com certeza hoje o Brasil já tem alternativas muito mais produtivas que essas.

A multiplicação dessas gramíneas é feita por muda, e isso muitas vezes acaba causando problemas para o pecuarista, pois durante a seca elas entram em um processo de dormência e, consequentemente, o gado que está em pastejo acaba prejudicando ainda mais as plantas. No entanto, no próximo período chuvoso, a planta retoma seu crescimento e, por isso, o pecuarista mantém viva a sua fé nessas duas gramíneas.

É fundamental que o pecuarista do Nordeste comece a plantar e experimentar outras gramíneas, tais como, Zuri, Massai, Paiáguas e outras. Se tiver dúvidas sobre qual seria interessante cultivar, confira as dicas que compartilhamos nesta matéria.

Fertilidade quase ótima

 Como o Pangola e o Pangolinha não são exigentes em fertilidade, o pecuarista desenvolveu a crença de que não é necessário adubar o pasto para se produzir.

Porém, ele esquece e desconhece que seu solo é deficiente em Fósforo e existe a chamada lei dos mínimos, que em resumo nos diz que se existir algum nutriente ou micronutriente em níveis de deficiência, não importa que os demais estejam em níveis ótimos, a planta não irá produzir no seu máximo, pois ficará limitada ao que está em deficiência. Por isso, necessitamos equilibrar a fertilidade para produzir mais, principalmente na seca.

Assim como em outras regiões do Brasil, o pecuarista dificilmente faz análise de solo e, muitas vezes, acaba fazendo a aplicação de adubo e calcário sem a ajuda de um técnico, seguindo apenas conselhos de amigos ou vendedores que, por vezes, não estão corretos. Isso acaba agravando ainda mais os problemas de fertilidade do solo.

Manejo incorreto

É comum na pecuária brasileira encontrarmos produtores que ainda não fazem o manejo da forma adequada. No Nordeste, não é diferente, e os pastos acabam por ficar muito rapados (degradados).

A altura de manejo do Pangola e Pangolinha é baixa e, quando o pecuarista implanta uma outra gramínea, acaba por realizar o manejo de forma incorreta, o que interfere diretamente no resultado da pastagem no período da seca.

Leia também: Manejo e conservação do solo no Nordeste do Brasil

Plantas daninhas de folha larga

Isso é um problema nacional, mas, como o Nordeste acaba sendo mais afetado com a falta de chuvas, a planta daninha acaba por prejudicar mais ainda a pastagem, e os pastos da região vão sentir muito mais a competição dessa invasora.

Mais uma vez, o tradicionalismo fala mais alto, e o pecuarista acaba não aplicando o herbicida, pois considera muito caro, ao invés de encará-lo como um investimento para obter mais produtividade. É importante lembrar que a planta daninha é muito mais adaptada à seca que o capim.

Plantas daninhas de folha estreita

Na região, há diversos problemas com a planta daninha Barbante, muito semelhante ao Rabo de Raposa, o Anonni. Hoje existem protocolos de controle que se não eliminam a planta daninha, amenizam as infestações.

É importante ressaltar que as invasoras estão tomando conta das pastagens em todo o Brasil. Não podemos vacilar de modo algum no controle. Confira a matéria Retorno econômico do uso de herbicidas em pastagens para saber mais.

Cerca

O nordestino é fã incondicional da madeira de sábia, comum para a produção de estacas e cercas, porém, além de escassa, ela está cada vez mais cara. A divisão dos pastos é imprescindível, e o pecuarista pode e deve usar o eucalipto tratado, cerca elétrica e outros modelos existentes.

Conclusões

Como é possível concluir, a região muda, mas os problemas são os mesmos. Aos poucos, as novas gerações vão se envolvendo mais com o negócio e, mais abertas a novos modelos, vão mudando mais rapidamente o negócio da família.

Apesar dos fatores citados no texto, que aumentam o desafio da pecuária no Nordeste, não podemos deixar de ressaltar três fatores muito positivos: dois deles são dados pela natureza, a alta taxa de luminosidade e a temperatura, e o terceiro, que vem sendo passado de geração para geração, é a infinita paixão pela pecuária.

Por isso, é possível afirmar que o Nordeste brasileiro conta com uma pecuária ímpar com potencial de crescimento e qualidade.

Autor: Wagner Pires, engenheiro agrônomo, pós-graduado em Pastagens pela ESALQ / USP. Consultor e CEO da Wagner Pires Consultoria & Treinamentos.

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