Parte 2 | Pasto: Crescimento constante?

A estacionalidade da produção das pastagens é inevitável, porém, existem técnicas que podem ser adotadas para minimizarem os seus efeitos.

Crecsimento do pastoAutor: Luis Felipe de Moura Pinto; Engenheiro Agrônomo, Msc. em ciência animal e pastagens – Esalq/USP

Parte 2

Adubação de final de ciclo:

Existem muitas técnicas relacionadas ao efeito da estacionalidade, algumas de impacto direto, que podem ter maiores custos, e outras de uso estratégico da pastagem.

A técnica chamada de “diferimento” sempre foi difundida para que uma área vedada ao final do verão pudesse ter o seu acúmulo de matéria seca destinado ao uso nas épocas de seca. Em muitas regiões conhecida como “feno em pé”.

Mas a interação entre o acúmulo e a qualidade do pasto não são compatíveis. São normais situações diferentes de propriedade a propriedade, mas o que é comum a todas é a necessidade desse ajuste.

Em alguns casos, a adubação das pastagens pode não ser a melhor decisão. Pois, a adubação aumenta a disponibilidade de matéria seca do pasto e consequentemente é necessário ajustar a carga de animais com o manejo do pasto. Se a fazenda não tiver fluxo de caixa para a compra de gado a operação é inviável, porque gera um desembolso, um aumento de custo e ainda uma falta de colheita desse material.

Em outras situações, a adubação corrige exatamente alguns pontos de estrangulamento e seu uso pode ajustar de forma importante a sequência de produção.

Porém, se todo o sistema estiver entendido e “domado”, o uso de técnicas pontuais para melhoria da forragem acumulada faz sentido. Uma delas é a adubação de final de ciclo de produção.

Escutamos que as adubações devem ser realizadas quando todos os fatores relacionados ao crescimento do pasto estão presentes. Isso é verdade mesmo. Mas sempre nos deparamos com necessidade de estratégias para melhorar a oferta de pasto.

Mesmo tendo uma menor resposta de kg de MS (matéria seca) por kg de N (nitrogênio) aplicado, essa adubação tem um efeito impactante no contexto da sequência da estação de crescimento.

Quando deixamos o pasto em crescimento livre sem o uso dessa técnica, a taxa de acúmulo é menor e a participação de lignina aumenta, o que faz com que tenhamos uma forragem de baixa qualidade. Em contrapartida, quando essa adubação de final de ciclo é realizada algumas coisas diferentes acontecem.

Cerca de 30 a 40 dias antes do início do outono, a estratégia consiste em rebaixar o pasto com maior carga animal por um período curto. Assim, tentamos eliminar a maioria de hastes que atrapalharão a rebrota dos perfilhos da base. Isso pode ser feito praticamente com todas as espécies forrageiras, mas eu particularmente prefiro as Brachiarias aos Panicuns, devido à estrutura e hábito de crescimento.

Eliminada a parte aérea indesejável, ocorre a ativação de gemas basais e a maior luminosidade em toda a planta potencializa o rebrote.

Quando adicionamos a adubação nitrogenada (exemplo mais usado), potencializa-se o crescimento de folhas ao invés de hastes, ou seja, a estrutura do pasto passará a ser melhor, com maior digestibilidade e consumo voluntário.

A transformação de nitrogênio em matéria seca tem uma resposta menor, mas do ponto de vista estratégico chegamos em um material para uso dos animais completamente diferente. Outro aspecto importante é que quando buscamos essa recomposição da área foliar, concomitantemente existe a reestruturação do sistema radicular, aumentando as reservas de carboidratos (fonte de energia para manter viva a planta).

Contudo, quando essa taxa de acúmulo é lenta, por exemplo, no sistema tradicional de diferimento, tanto a parte aérea quanto a radicular, se recompõem lentamente.

Já quando usamos a técnica de adubação de final de ciclo, esses dois processos têm velocidade elevada. Assim, chegamos em um tempo menor de vedação de uma área que terá acumulado uma forragem excelente e estrategicamente potencializada.

Outro ponto importante é que sempre que manejamos o pasto pela altura ideal de interceptação luminosa, estendemos de forma considerável a produção dentro da estação de crescimento. Isso passa a ser uma excelente forma de minimizar a estacionalidade de produção de forragem, só que com um pasto melhor.

No dia a dia, nos deparamos com a seguinte situação prática: um manejo desses tem gerado um acúmulo em torno de 50kg de MS/ha/dia. Em 40 dias em média chegamos a uma oferta de duas toneladas por hectare. Esse resultado a partir de 100kg de ureia/ha.

No verão, na mesma área chegamos a taxas de acúmulo de cerca de 80kg de MS/ha/dia. Esse acúmulo é maior, porém, a estratégia do final de ciclo faz parte de toda a engrenagem da fazenda. Em modelos tradicionais, sem essa estratégia de diferimento e adubação, claro, a depender da fertilidade do solo, as taxas são por volta de 20-30kg de MS/ha/dia, e precisaríamos de quase 60 dias para chegarmos ao mesmo acumulado.

Esses números não são regras, eles podem variar, mas servem como base para termos uma ideia de estratégia e estrutura final do pasto.

Aprenda então com os animais que você tem na sua fazenda. Explore ao máximo o potencial da planta forrageira que já existe e construa a sua evolução juntamente com os seus animais, com os seus pastos e com o seu ambiente.

Quando tudo for aumentando, eleve o seu negócio ao próximo nível. Não pule etapas e seja altamente produtivo.

 

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