Pecuária de precisão: melhore o manejo e aumente a produtividade

Cochos com controle individual, bebedouros eletrônicos, pesagem automática e identificação eletrônica estão entre algumas das soluções da pecuária de precisão

Pecuária de precisão: melhore o manejo e aumente a produtividade

Não são só as diversas vantagens trazidas pela pecuária de precisão ao manejo e produtividade do rebanho que a têm transformado em forte tendência no agronegócio nacional. Na opinião de especialistas, a atual elevação dos custos de produção, a redução da mão de obra e o aumento das exigências dos mercados por alimentos mais seguros também aparecem como fatores importantes.

Para seguir este caminho sem volta, inúmeras soluções tecnológicas disponibilizadas pela pecuária de precisão vêm sendo desenvolvidas e cada vez mais utilizadas. São metodologias que possibilitam reunir dados relevantes sobre o rebanho e garantir maior segurança, qualidade e lucratividade ao negócio. Confira alguns exemplos destacados pelo pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Alberto C. de Campos Bernardi, e atualmente em uso na fazenda 30experimental da empresa, localizada em São Carlos, São Paulo.

Eficiência na alimentação

São utilizados cochos com controle individual (GrowSafe) do consumo de alimentos, que determinam diariamente o volume ingerido pelo animal a cada alimentação. Ao aliar a informação do consumo ao ganho de peso no período, o pecuarista ganha em eficiência alimentar, ou seja, a quantidade de carne produzida com o alimento ingerido. Auxiliando o pecuarista a entender todos os custos para, posteriormente, calcular o preço de custo do arroba do boi gordo para venda.

Eficiência na alimentação

Bebedouros eletrônicos

Possibilitam identificar o consumo diário de água por animal, além de monitorar parâmetros relacionados ao comportamento hídrico, como o número de vezes que o boi vai ao bebedouro e o tempo gasto em cada evento. A partir do monitoramento, é possível relacionar esses indicadores com os de nutrição, genética, sanidade e bem-estar animal, oferecendo ao setor parâmetros técnicos que auxiliam no manejo produtivo e ambiental do sistema de produção. O equipamento também auxilia no cálculo da eficiência hídrica do produto de forma precisa, ou seja, fornece a relação de litros de água por quilograma de carne ou de leite. Esse indicador de eficiência hídrica contribui para a gestão do recurso natural e também mostra que é possível produzir proteína animal de forma hidricamente eficiente.

Bebedouro eletrônico

Foto: Gisele Rosso

Identificação eletrônica

Possibilita a rastreabilidade das informações do animal, auxiliando o pecuarista a definir a decisão mais rápida e adequada sobre o manejo. A modernização do sistema de rastreabilidade também valoriza o gado e contribui com as relações comerciais com os importadores, pois demonstra que os pecuaristas brasileiros priorizam um trabalho que atenda às exigências sanitárias internacionais e de qualidade da carne nos mercados internos e externos. Existem várias alternativas de identificadores. Atualmente na Embrapa Pecuária Sudeste, o rebanho está identificado com a tecnologia RFID (Radio-Frequency IDentification ou, em português, Identificação por Rádio Frequência), com todo histórico de informações acessado em tempo real e no campo.

Pesagem automática

Na fazenda experimental, é utilizado um sistema de pesagem automático associado à identificação do gado, com transmissão e armazenamento dos dados online, e automatização de balanças convencionais com transmissão por bluetooth. O sistema permite acompanhar o ganho de peso de forma rápida e com maior exatidão, contribuindo com a produtividade do rebanho e da propriedade. 

Pesagem eletrônica

Roda da reprodução

Aplicativo que traz um calendário completo ao pecuarista, com indicação do estágio produtivo e reprodutivo do rebanho, e que permite a visualização rápida da situação do gado. Em apenas uma imagem, é possível gerenciar as decisões relativas aos animais com problemas reprodutivos, programação de coberturas, distribuição dos partos, proximidade da data de secagem, identificação de animais com período de lactação curto e retorno ao cio.

Todos os dados captados de cada animal são armazenados na nuvem (data center), com transmissão via wi-fi e bluetooth, e disponibilizados ao pecuarista para uso em dispositivos computacionais, inclusive os móveis. Para isso, sensores, equipamentos e identificadores se conectam em uma estrutura de recepção eletrônica automatizada, que permite acesso, extração e transmissão de dados na fazenda experimental da empresa

De acordo com o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, essas tecnologias já se encontram no campo e, muitas delas, já utilizam sensores e equipamentos do mercado.

O trabalho que está sendo desenvolvido na fazenda em São Carlos é o teste e a adaptação desses equipamentos nas condições de campo e respeitando as características dos sistemas de produção pecuários na região tropical.

Alberto Bernardi explica que há diversos outros equipamentos, como aqueles que medem o deslocamento, o ócio e o tempo de ruminação e pastejo, além da temperatura corporal. Cada um traz respostas relevantes ao pecuarista e, por isso, deve ser interpretado corretamente por um técnico.

Outro aspecto importante defendido por Bernardi é a necessidade de o produtor conhecer em detalhes o sistema de produção para que essas ferramentas tecnológicas, trazidas pela pecuária de precisão, sejam efetivas. “Se o produtor não fez o básico, ou seja, se não cuidou adequadamente da alimentação, da sanidade e da genética, não adianta aplicar alta tecnologia que não vai resolver. Com um sistema produtivo e equilibrado é que os resultados realmente acontecerão”, ressalta.

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Na opinião do pesquisador, mesmo a pecuária de precisão sendo cada vez mais utilizada, ainda há o desafio de tornar as soluções tecnológicas mais acessíveis aos profissionais, tanto em valores como em capacitação. “Esse cenário tem exigido a implementação de novas práticas agrícolas e pecuárias, cada vez mais multidisciplinares. No entanto, para que haja uma maior contribuição com a sustentabilidade da produção agropecuária, será necessário ampliar o acesso a equipamentos e sensores em preço e uso, além da capacitação de técnicos, produtores e prestadores de serviços”, defende.

Mais rentabilidade e sustentabilidade para a pecuária

Criado há cerca de quatro anos pela Embrapa Pecuária Sudeste, o Bifequali TT é um programa de transferência de tecnologia para a pecuária de gado de corte que promete trazer mais rentabilidade e sustentabilidade aos pecuaristas e suas propriedades. Por meio da capacitação de técnicos extensionistas, com a realização de treinamentos, visitas e encontros pela equipe do centro de pesquisa de São Carlos, esses profissionais levam técnicas, práticas e processos aos pecuaristas de corte. Eles são responsáveis pela implementação das tecnologias definidas pelo programa, monitoramento da situação da propriedade, coleta de dados e avaliação do impacto das novidades aplicadas. As propriedades se tornam Unidades Demonstrativas e servem como modelo e sala de aula para treinamentos.

Com a aplicação das tecnologias, há aumento da produtividade e da renda, geração de empregos e conservação ambiental. Atualmente, há propriedades atendidas em Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo. De acordo com a Embrapa Pecuária Sudeste, algumas delas já tiveram um incremento de 30% na produtividade em um período de cinco anos, em média.

 

E você, também concorda com as vantagens trazidas pela pecuária de precisão? Já utiliza algumas dessas ferramentas na sua propriedade? Compartilhe com a gente aqui no site.

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