Três pontos de atenção sobre a segunda safra de milho

Os preços de milho na segunda safra, junto com a situação do mercado de reposição (boi magro) e as expectativas de preços de venda da arroba do boi gordo, definem o cenário para confinamento.

Segunda safra de milho

O Brasil está semeando o milho de segunda safra (2018/2019), que atualmente responde por 71,1% da produção total. Pela representatividade, é fundamental para a precificação do cereal no mercado interno.

Em função disso, o pecuarista que confina bovinos para a engorda e terminação precisa conhecer e monitorar os fatores de interferência sobre as cotações, para se posicionar com relação às estratégias de compra.

A seguir, apresentaremos os três principais pontos de atenção para o curto e médio prazos.

1) Estoques internos: representam a quantidade de milho armazenada no país. Na virada do ano, temos os estoques de passagem, que é o milho que segue em estoque de uma temporada para a outra.

Esse item é fundamental, pois a disponibilidade de milho no país, no início do ano, é basicamente composta pelos estoques internos de passagem ou estoques finais do ano anterior. É esse volume que vai se juntar à produção colhida na primeira safra, ou safra de verão, a partir do final de janeiro, meados de fevereiro.

Lembrando que a primeira safra representa, aproximadamente, 30% do volume total de milho colhido no país. Isso significa que, em anos de estoques internos baixos, a tendência é de maior pressão de alta sobre os preços no primeiro semestre.

Figura 1
Estoques finais de milho no Brasil, em milhões de toneladas.

Fonte: CONAB | Compilado pela Scot Consultoria


2) Clima:
chuvas, luz e temperatura são fundamentais para o desenvolvimento das lavouras.

O monitoramento desses fatores ganha ainda mais importância considerando-se que a segunda safra se desenvolve em um período de maiores adversidades climáticas, como a redução das chuvas e as quedas nas temperaturas a partir de abril, além da possibilidade de geadas.

Para os próximos meses, de desenvolvimento da segunda safra no campo, esses são os fatores de maior impacto, no chamado “mercado de clima”, que é o período que compreende as etapas de semeadura, desenvolvimento da lavoura e colheita. Durante esse período, o clima desempenha papel fundamental sobre as produtividades e ofertas dos grãos e, consequentemente, sobre as cotações no mercado interno.

Na figura 2, apresentamos as expectativas de anomalias (desvios) de chuvas no trimestre entre março, abril e maio deste ano, em relação à média histórica. Por ora, as previsões são mais positivas com relação às chuvas nesse período, mas algumas regiões produtoras de milho de segunda safra, como o norte do Mato Grosso e o triângulo Mineiro merecem atenção.

Figura 2
Anomalias (desvios de chuvas) no Brasil no trimestre março, abril e maio de 2019, em milímetros.

Fonte: INMET | CPTEC | Compilado pela Scot Consultoria

Você pode acompanhar as previsões climáticas pelos nossos boletins climatológicos, publicados toda segunda-feira, às 6h.

3) Preços e comercialização da soja: o mercado da soja impacta diretamente sobre os preços do milho, especialmente, no primeiro semestre.

Em situações de alta de preço da soja, é possível perceber que existe uma menor intenção do lado do vendedor em negociar o milho, focando na comercialização da soja, que é o carro-chefe da produção de grãos no país.

Essa menor disponibilidade tende a dar sustentação aos preços do milho, como registrado no primeiro semestre de 2016 e de 2018, por exemplo.

Para 2019, com a soja em patamares mais baixos em comparação com o ano anterior e com amplitude de variação de preços menores, tem aumentado a intenção do vendedor em negociar o milho, o que acaba limitando as altas de preços no país.

Para pensar

O pecuarista, como consumidor de milho, precisa conhecer as variáveis que afetam esse mercado para se posicionar com relação às estratégias de compra.

Uma compra bem feita pode ser decisiva para o lucro da atividade, principalmente, quando falamos em confinamento. O planejamento é a chave do sucesso de qualquer negócio.

Autor: Rafael Ribeiro, Zootecnista, msc.

 
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