Quanto se ganha com uma pastagem limpa?

A pastagem limpa colabora com o aumento da capacidade de suporte das pastagens e, consequentemente, com a maior produção de carne e leite.

pastagem limpa

Autor: Moacyr Bernardino Dias-Filho, engenheiro agrônomo, Ph.D. – Embrapa Amazônia Oriental

A pecuária brasileira tem avançado consideravelmente nas últimas décadas, mas ainda há espaço para avanços significativos. A razão para isso é que continuamos sendo muito pouco eficientes, pois uma proporção considerável das áreas de pastagens no Brasil é usada muito abaixo do seu real potencial.

Normalmente, a capacidade de suporte inicial da pastagem, já a partir do segundo ou terceiro ano, após a formação, tende a cair (inicialmente, em torno de 10% ao ano), quando não é feita a adubação e correção do solo, mesmo sendo realizado controle periódico de plantas daninhas e de insetos-praga.

Quando, além do manejo da fertilidade do solo, o controle das plantas daninhas e insetos-praga é negligenciado, a redução da capacidade de suporte pode alcançar valores bem mais expressivos (em torno de 30% ao ano), inviabilizando o uso da pastagem poucos anos após a sua formação (geralmente, já a partir do quinto ano) em decorrência da degradação.

O aumento progressivo do percentual das plantas daninhas na área caracteriza a chamada “degradação agrícola” da pastagem. Com a degradação, a aptidão da pastagem para produzir economicamente, estaria temporariamente diminuída ou inviabilizada, devido à redução sucessiva da produção de forragem.

Dependendo do nível de degradação do pasto e da capacidade de investimento do pecuarista, as opções de reversão desse processo seriam: a recuperação direta (recomposição da produtividade e da cobertura do solo pelas forrageiras), a renovação (estabelecimento de uma nova pastagem) e a recuperação/renovação indireta (integração com lavoura).

Dependendo da situação, a recuperação direta pode ter um custo até três vezes menor do que o da renovação, enquanto que a recuperação/renovação indireta pode ser cinco vezes mais cara do que a recuperação direta da pastagem (essas proporções podem variar grandemente dentre regiões, estágio de degradação e de acordo com a conjuntura econômica vigente).

Quando o manejo do pasto é realizado profissionalmente, a pastagem limpa passa a ser o cenário dominante na propriedade rural, eliminando a necessidade de recuperações e reformas recorrentes da pastagem. Sob essa estratégia profissional de manejo, o produtor estaria adotando a chamada “pastagem empresarial” (pastagem intensiva).

Apesar do investimento por unidade de área, para o produtor adotar a “pastagem empresarial” ser maior (em torno de 60%) do que para manter uma pastagem tradicional (apenas com o controle periódico de daninhas e insetos-praga), os ganhos são compensadores. É importante ressaltar que os custos da intensificação são imediatos, enquanto que os lucros são cumulativos, sendo auferidos com o passar do tempo. Portanto, é importante que haja capital de giro para começar a investir em intensificação, desde a formação do pasto.

O fundamento para se optar pela “pastagem empresarial” se baseia na lógica de que é mais vantajoso manter pastagens limpas e produtivas do que arcar com os custos e inconvenientes de recuperar ou renovar uma área degradada. Essa afirmativa é respaldada pelas estimativas de retorno mais vantajoso do capital investido. Portanto, considerando uma fazenda padrão, os indicadores médios básicos de retorno para o investimento realizado nos diferentes cenários já discutidos seriam:

pastagem limpa

Vale ressaltar que para a pastagem tradicional, apesar do retorno ser R$1,30 (para cada real investido), há uma tendência de redução para receita negativa com o passar do tempo.

Para a construção desses cenários, considerou-se capacidades de suporte médias básicas que variaram de 1,2 UA/ha (pastagem tradicional) a 3,5 UA/ha (pastagem empresarial, sem irrigação), supondo que pastagens são geralmente implantadas em solos de baixa fertilidade natural.

Considerou-se ainda que, para os cenários de recuperação ou renovação, a área da pastagem pode permanecer por cerca de três meses sem uso, ou subutilizada, visando a sua restauração. Outra premissa é que quanto maior o investimento em tecnologia, maior o tempo para que o capital investido seja recuperado pelo produtor.

 

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