Rebanho bovino brasileiro encolhe

A última Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) revelou que o rebanho bovino brasileiro diminuiu 1,5% em 2017, em relação ao ano anterior. O país saiu de um efetivo de 218,2 milhões de cabeças em 2016 para 214,9 milhões em 2017.

Rebanho bovino brasileiro encolhe

O rebanho bovino brasileiro ficou menor em 2017 em relação ao ano anterior. A retração foi de 1,5%, passando de 218,20 milhões de cabeças, em 2016, para 214,90 milhões, em 2017. Ou seja, três milhões e trezentas mil cabeças a menos. Os dados foram revelados pela Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano passado. Nela são apresentadas as informações sobre os efetivos de rebanho da pecuária brasileira, incluindo bovinos, suínos, aves, equinos, bubalinos, caprinos e ovinos.

Essa diminuição se deu, principalmente, em função do maior abate de fêmeas, devido à perda de interesse pela produção de bezerros. Para 2018, considerando o cenário de continuidade dos abates de fêmeas no país (leia mais no artigo Abates de bovinos: mais fêmeas no primeiro semestre), a tendência é de que o rebanho bovino continue diminuindo.

Voltando aos resultados de 2017, estados como Amapá e Sergipe foram os que, percentualmente, mais puxaram a queda geral, e Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, o contrário. No entanto, são estados de menor representatividade na pecuária de corte.

Figura 1

Variação anual (2017 x 2016) do efetivo de bovinos por unidade da federação no Brasil.

Fonte: IBGE | Elaborado por Scot Consultoria

Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pará são os estados com os maiores rebanhos bovinos, nesta ordem de grandeza. Esses cinco estados representam mais da metade do efetivo de bovinos do Brasil. De 2016 para 2017, o rebanho mato-grossense diminuiu 1,9%. Em Goiás, a redução foi de 0,4%. Em Minas Gerais, 7,1%. E no Mato Grosso do Sul, 1,5%. Já no Pará, aumentou 0,5%.

Em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, a produção tem aumentado sem a necessidade de expandir área. Lembrando que nesses estados a intensificação é necessária para garantir a permanência na atividade, tendo em vista que a competitividade ou o custo de oportunidade com a agricultura é maior. 

Já a queda do rebanho mineiro pode ser explicada pela baixa rentabilidade da pecuária leiteira, cuja baixa atratividade provocou desistências da produção.

No Pará, assim como em Rondônia (classificado em sexto lugar), o rebanho cresceu. A região Norte tem ganhado destaque na composição do rebanho nacional.

Conclusão

A pesquisa demonstra que o ciclo de preços pecuários dita a variação do rebanho e evidencia que há uma tendência de estabilidade no crescimento.

Por fim, o principal retrato produzido pela Pesquisa Pecuária Municipal é que, ainda que não haja uma transformação generalizada e consolidada, a adoção de tecnologias nas diferentes etapas de produção está em andamento. A expansão vertical da produção (abate de animais precoces, encurtamento do giro e aumento do peso de carcaça) é uma receita que está sendo seguida.

Para o pecuarista, essa menor oferta de bovinos, especialmente de fêmeas, significará uma menor disponibilidade de animais em médio e longo prazo, o que poderá dar sustentação às cotações, em um primeiro momento para as categorias menos eradas (bezerros), configurando o que chamamos de ciclo pecuário.

A evolução do rebanho bovino

Entre 1990 e 2017, a produção de carne bovina quase dobrou, saindo de cinco milhões de toneladas para 9,55 milhões de toneladas de equivalente carcaça (tec), segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Seria esse salto de produção causado pelo aumento no número de cabeças? Para responder à pergunta, é importante avaliar as transformações pelas quais a cadeia da pecuária de corte passou nas últimas décadas, saindo da posição de “ocupadora” de terra para uma atividade que tem perdido espaço e ganhado em produtividade.

Dessa forma, a pecuária brasileira expandiu fronteiras de meados da década de 70 até o começo dos anos 2000, e cresceu em volume de animais. Mas, a partir de então, o crescimento em área desacelerou-se (ver figura abaixo).

Figura 2

Evolução do rebanho de bovinos no Brasil, em milhões de cabeças.

Figura 2 - Gráfico de rebanho em milhões de cabeças
Fonte: IBGE | Elaborado por Scot Consultoria

Apesar do menor incremento no rebanho nos últimos anos, houve crescimento da produção de carne bovina em função da incorporação de tecnologias nas áreas de genética, sanidade, manejo e nutrição. A intensificação da produção é a responsável pelo aumento na produtividade observado nos últimos anos.

Autora: Marina Zaia – Médica-Veterinária

 

 

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4 respostas para “Rebanho bovino brasileiro encolhe”

    1. Que interessante, Luiz! Em quais regiões você já pôde observar a falta de reposição? ? Como o próprio artigo apontou, o ciclo de preços pecuários está configurado. Isso, somado à análise da demanda da população por carne e as flutuações na cotação da arroba do boi gordo, é um norte que pode ajudar a tomar decisões de investimento. Falamos mais sobre isso nessa matéria: http://www.pastoextraordinario.com.br/oportunidades-ciclo-de-precos-pecuarios/ Também recomendamos a leitura dessa outra matéria que fala sobre oportunidades em momentos mais desanimadores: http://www.pastoextraordinario.com.br/compre-ao-som-dos-canhoes/

  1. Se as exportações de carne vermelha (bovina) está aumentando, assim como o boi vivo para o mercado asiático, porque as matrizes estão sendo sacrificadas? Outra coisa, afinal, o “boi verde”,como é chamado, está dando resultados positivos na produção de carne para os mercados interno e externo?

    1. Oi José, tudo bem?
      Em 2017 e 2018, o cenário era de desvalorização do bezerro, o que acabou desestimulando a criação. Para 2019, a tendência é de uma reversão desse cenário, em função do preço da valorização da cria, em aumento desde o segundo semestre do ano passado. Se quiser ler mais sobre isso, recomendamos as seguintes matérias:
      http://www.pastoextraordinario.com.br/abates-de-bovinos-mais-femeas/
      http://www.pastoextraordinario.com.br/toada-do-ciclo-de-precos-pecuarios/
      Com relação ao chamado boi verde: na pecuária, a aplicação crescente de tecnologias somada a uma boa gestão de contas, tem trazido resultados positivos. O negócio depende desses dois fatores. ?

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