Retorno econômico do uso de herbicidas em pastagens

O investimento com os herbicidas nas pastagens podem melhorar a produção da @/ha aumentando a produtividade da propriedade e o lucro do pecuarista

No Brasil, os sistemas de produção de bovinos de corte caracterizam-se pela utilização, quase que exclusiva, de pastagens para alimentação dos animais, constantemente citados por sua baixa produtividade média.

Em 2017, o país tinha uma lotação média de 1,34 cabeças/há, com taxa de abate de 17,7% do rebanho, carcaça média de 247,66 kg e produtividade de 58,86 kg de carcaça/ha, correspondente a 3,92@/ha (sendo que 15 kg de carcaça correspondem a 1@).

Em algumas regiões utilizadas com pecuária de corte, as pastagens apresentam limitações edafoclimáticas para produção das plantas forrageiras, ou seja, o impacto do solo, clima, relevo, entre outros fatores climáticos e ambientais, podem levar a baixa produção por hectare. A produtividade da pecuária de corte precisa e pode ser aumentada, por meio da adoção de tecnologias adequadas, capazes de melhorar a eficiência dos sistemas de produção de bovinos de corte, com objetivo de elevar a rentabilidade da atividade.

Figura 1
Dados pecuária brasileira

Dados pecuária brasileira

Fonte: Athenagro, dados Secex/MDIC, IBGE – Elaboração ABIEC

O uso de tecnologias corretas melhora a competitividade da pecuária de corte em relação às demais atividades do agronegócio, possibilitando a permanência dos produtores na atividade, o aumento da produção nacional de carne bovina e a disponibilização de áreas em pastagens para as demais atividades do agronegócio.

A produtividade na pecuária de corte é medida pela quantidade de quilos de peso corporal ou arrobas produzidas por hectare/ano, resultado do desempenho individual dos animais e quantidade de cabeças por hectare.

Figura 2
Produtividade por hectare na pecuária de corte

Produtividade por hectare na pecuária de corte

Fonte: Autor

Essas informações são essenciais para o entendimento dos benefícios de uma pastagem limpa, pois quanto mais intensa a infestação de plantas daninhas, maior será a competição por água, luz e nutrientes com as plantas forrageiras.

Essa competição afeta a capacidade produtiva do pasto, reduzindo o volume de plantas forrageiras e a disponibilidade de alimento para os animais. A presença de plantas daninhas, principalmente com espinhos, dificulta a coleta e ingestão de capim, reduzindo a eficiência de pastejo, ou seja, quantidade de pasto que os animais conseguem consumir em relação ao total produzido.

Dessa forma, o retorno econômico do uso de herbicidas em pastagens deve ser avaliado pela comparação entre o custo da aplicação e a capacidade de elevar a produtividade do sistema de produção onde foi adotado, normalmente denominado de relação custo-benefício.

O efeito do controle das plantas daninhas sobre a produtividade vai depender da espécie presente, do grau de infestação, da quantidade de plantas forrageiras presentes na área (stand) e da fertilidade do solo.

Para melhorar o retorno econômico do uso de herbicidas, deve-se levar em consideração a real necessidade do controle das plantas invasoras, as particularidades do local onde o projeto está instalado, bem como a possibilidade de associar o uso de herbicida com outras tecnologias, para potencializar o efeito da adoção de tecnologias no aumento da produtividade.

Como analisar isso na prática?

Para exemplo didático, vamos avaliar o efeito do controle de plantas daninhas duras com alta infestação e comparar duas situações:

Situação 1: com dados experimentais obtidos em uma propriedade com solos de alta fertilidade.

Situação 2: com dados experimentais obtidos em uma propriedade de baixa fertilidade.

Nas duas situações o ajuste da lotação será feito por meio da oferta de forragem (OF), considerando 10 kg de matéria seca (MS) de massa de forragem (folhas, colmos e material senescente) para cada 100 kg de peso corporal (PC).

Além disso, será considerado um módulo de 100 hectares dividido em 4 pastos de 25 hectares cada, 10 dias de ocupação e 30 dias de descanso.

A produtividade será calculada na fase de recria/engorda de machos com estação de crescimento de 180 dias (estação chuvosa) e desempenho individual de 0,7 kg PC/dia.

Para o cálculo da receita, será adotado o valor de R$ 150/@ e rendimento de carcaça de 52%.

  • Situação 1:

Figura 3

Fonte: Autor

Como vemos na figura acima, o controle de plantas daninhas proporcionou um aumento na massa de forragem de 1.466 kg MS/ha. Considerando 10 dias de ocupação, temos 146,6 kg MS disponível por dia, que permite alimentar 1.466 kg PC (10% OF), que corresponde a 3,258 unidades animais (450 kg PC/unidade animal ou UA).

Dessa forma, o incremento na produção do pasto após o controle de plantas invasoras permite alimentar 81,45 unidades animais durante os 10 dias de ocupação de cada pasto de 25 ha, o que proporciona um aumento de 0,814 UA/ha, quando considerada a área total (100 ha).

Com essas informações, conclui-se que o aumento da produtividade foi de 102,56 kg de peso corporal ou 3,55 @/ha (0,814 UA/ha X 180 dias X 0,7 kg/UA/dia) e o aumento de receita foi de R$ 532,50.

É interessante lembrar que o aumento da produtividade foi considerado apenas com o incremento de produção durante o período chuvoso, e a lotação foi calculada com uso de animais de 450 kg PC (1UA).

É possível ajustar o cálculo para o incremento na produção durante o período seco e a categoria utilizada, como, por exemplo, com animais de 300 kg de peso corporal (PC) o aumento de produtividade seria de 153,72 kg PC ou 5,33 @/ha (1,22 cab/ha X 180 dias X 0,7 kg/cab/dia), o que corresponde a R$799,50.

Considerando o custo da aplicação de herbicida de R$ 350,00 e o aumento da produtividade R$ 532,50, temos uma relação de 1:1,52, ou seja, para cada R$ 1,00 investido no controle das plantas daninhas (custo), temos um aumento de R$ 1,52 na receita (benefício).

  • Situação 2:

Figura 4

Figura 4 - Infestação de camboatá

Fonte: Autor

Como descrito na figura acima, em propriedades com solos de baixa fertilidade, apenas o controle de plantas daninhas proporcionou um aumento na produção dos pastos de 420,5 kg MS/ha (1.623,0-1.202,5), evidenciando que a falta de nutrientes no solo também é um fator determinante para limitar a produção de plantas forrageiras.

Assim, apenas o controle de plantas invasoras não proporciona aumento de produtividade suficiente para cobrir os custos com a aplicação.

Por outro lado, a adubação permitiu um aumento de 1.436,5 kg MS/ha (3.059,5-1.623,0) na produção de massa forrageira, e o efeito da adubação foi limitado significativamente, mesmo com baixa infestação de plantas daninhas.

Essas informações demonstram que, em propriedades com solos de baixa fertilidade, os usos simultâneos de adubação e controle de plantas daninhas potencializam o aumento da produtividade quando comparado ao efeito isolado de cada tecnologia.

De acordo com os dados do experimento, o controle de plantas daninhas associado à adubação proporcionou um aumento na massa de forragem de 1.857 kg de MS (3.059,5-1.202,5).

Considerando 10 dias de ocupação, temos 185,7 kg MS disponível por dia, que permite alimentar 1.857 kg de peso corporal (10% OF), que corresponde a 4,127 unidades animais (450 kg PC/UA).

Dessa forma, o incremento na produção do pasto após a adoção das tecnologias permite alimentar 103,17 unidades animais durante 10 dias de ocupação de cada pasto de 25 ha, proporcionando aumento de 1,032 UA/ha, quando consideramos a área total (100 ha).

Com essas informações, conclui-se que o aumento da produtividade foi de 130,03 kg PC ou 4,51 @/ha (1,032 UA/haX180 diasX0,7 kg/UA/dia), e o aumento de receita foi de R$676,50.

É interessante lembrar que o aumento da produtividade foi considerado apenas com o incremento de produção durante o período chuvoso e a lotação foi calculada com o uso de animais de 450 kg PC (1UA).

É possível ajustar o cálculo para o incremento na produção durante o período seco e a categoria utilizada, como por exemplo, com animais de 300 kg PC, o aumento de produtividade seria de 195,30 kg PC ou 6,77 @/ha (1,55 cab/ha X 180 dias X 0,7 kg/cab/dia), o que corresponde a R$1.015,50.

Nessa situação, devemos considerar também os custos relacionados à adubação da pastagem, uma vez que as tecnologias foram utilizadas em conjunto. Para efeito de cálculo, os valores referentes à compra e à aplicação de fonte de nitrogênio (ureia) foram utilizados integralmente, enquanto os valores referentes ao calcário, ao superfosfato simples e ao cloreto de potássio 77ff foram diluídos em 4 anos.

Com essa metodologia, o custo com adubação foi de R$ 286,25/ha.

Considerando a soma da aplicação do herbicida com o custo da aplicação dos corretivos e fertilizantes temos R$ 636,25 (350,00+286,25), que comparada ao aumento da produtividade, R$ 676,50, resulta em uma relação de 1:1,06, ou seja, para cada R$ 1,00 investido no controle de plantas invasoras e adubação (custo), temos um aumento de R$ 1,06 na receita (benefício).


Conclusão

As informações apresentadas demonstram a necessidade de melhoria na gestão dos projetos, por meio do diagnóstico da propriedade e planejamento das atividades antes da execução. Além disso, é necessário acompanhar os resultados obtidos para a determinação do retorno econômico dos investimentos nas condições da propriedade.

As variáveis adotadas nos cálculos podem sofrer alterações de acordo com a região onde o sistema de produção está instalado e época do ano, porém, fica claro a necessidade de obter informações precisas para a tomada de decisões gerenciais e priorização dos investimentos. Assim, é possível identificar o conjunto de técnicas com melhor relação custo-benefício, que permite melhorar a margem financeira da atividade.

Além disso, a escolha do herbicida também ajudará a garantir uma maior margem de lucro. Um exemplo é a Tecnologia XT da Corteva, uma linha de produtos que permite o uso de menores doses por hectare e oferece um controle eficiente até das plantas mais duras, como as semilenhosas e lenhosas. Saiba clicando aqui.

Autores: José Renato Silva Gonçalves, Laísse Garcia de Lima

 

 

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2 respostas para “Retorno econômico do uso de herbicidas em pastagens”

  1. Avatar Tonisgley aparecido Andrade - Minas Gerais (MG) disse:

    Pecuária de corte e leite em Frutal MG

    1. Pasto Extraordinário Pasto Extraordinário disse:

      Boa tarde, Tonisgley! Você trabalha com pecuária de corte e leite? ? Conta pra gente: como é a produtividade na sua propriedade?

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