Piora das pastagens e desova de safra: o rumo do boi gordo em maio

Chamamos a atenção para os três pontos que deverão ditar o rumo do mercado do boi gordo em maio. Confira!

Mercado do boi gordo em maio

No último artigo sobre o mercado do boi gordo, chamamos a atenção para a oportunidade de venda de boiadas na primeira quinzena de abril, ressaltando que as escalas enxutas e a boa capacidade de suporte das pastagens deveriam manter o mercado do boi com preços firmes nesse período.

De fato, a primeira quinzena de abril registrou valorização da arroba do boi em 75% das trinta e duas regiões pesquisadas pela Scot Consultoria. Entretanto, esse cenário de firmeza começou a se dissipar na segunda metade do mês. Isso porque os pilares de sustentação do mercado do boi, que permitiram os preços mais firmes em 2019 em relação a 2018, têm sido a oferta limitada de boiadas (respaldada na possibilidade de reter os animais nos pastos) e a exportação, cujo volume de carne embarcada no primeiro trimestre foi o maior dos últimos doze anos.

Por outro lado, a demanda no mercado interno tem deixado a desejar, apesar de estar melhor do que nos anos anteriores.

Com isso, chamamos a atenção para os três pontos que deverão ditar o rumo do mercado do boi gordo em maio:

  1. Desova de final de safra

Sazonalmente, em maio, há um aumento do descarte de fêmeas (animais que não emprenharam na estação de monta e repasse) para o abate.

Há também um aumento da oferta de machos terminados, devido à menor capacidade de suporte das pastagens, o que potencializa o viés de baixa sobre as cotações da arroba.

  1. Qualidade das pastagens

As chuvas prolongadas em 2019 com relação aos anos anteriores podem fazer com que a desova de final de safra ocorra de uma forma menos concentrada, limitando, assim, a pressão de baixa de preço no curto prazo.

Ainda assim, a qualidade das pastagens tende a diminuir (cada vez mais) daqui para a frente, devido às condições climáticas desfavoráveis (menor volume de chuvas e quantidade de luz por dia).

Com a menor capacidade de suporte das pastagens, o pecuarista perde o poder de barganha, uma vez que o custo para manter o animal no pasto aumenta (devido ao custo com a suplementação). É preciso considerar esses fatores também na hora de tomar decisões de negócio.

  1. Demanda no mercado interno

Apesar do consumo no mercado interno não ter sido um dos pilares de sustentação para o mercado do boi gordo, temos o feriado de Dia das Mães pela frente, sendo esta uma das melhores datas de venda de carne no varejo. Além disso, maio começou com um feriado no meio da semana (Dia do Trabalhador na quarta-feira).

Apenas os feriados, por si só, não devem ter força para impor um viés de alta no mercado, no entanto, podem limitar as desvalorizações no mercado do boi, a depender do nível de consumo.

Expectativas

A menor capacidade de suporte, a maior oferta de boiadas e o consumo interno patinando poderão tirar a sustentação do mercado nas próximas semanas.

Entretanto, se o volume destinado para a exportação continuar em bom ritmo e caso a expectativa de uma redução de abate de fêmeas se concretize, estes fatores deverão limitar as quedas de preços no mercado do boi.

De qualquer forma, atenção ao mercado interno, principalmente na primeira quinzena de maio, quando normalmente há um maior escoamento de carne, o que pode trazer uma oportunidade para o pecuarista, mesmo em um momento de desova de safra.

Para finalizar, em momentos de incertezas, o pecuarista pode (e deve) se precaver e sair do risco, utilizando as ferramentas do mercado, garantindo a proteção de preços, por exemplo.

Felippe Reis – Zootecnista.

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