Saiba calcular o número de piquetes do pasto para o manejo rotacionado

O número de piquetes é definido pelo período de descanso do capim (PD) e período de ocupação dos bovinos (PO). A sua determinação é fundamental para o manejo correto das pastagens e para o melhor aproveitamento do capim pelos animais.

O manejo rotacionado tem como objetivo manter elevadas lotações nas pastagens sem perder o foco no desempenho dos animais.

Taxa de lotação e desempenho animal definem a produtividade do sistema de produção e, sem dúvida, a primeira é a que tem o maior poder de alavancagem na produtividade. Essa alavancagem ocorre pela alta produção da gramínea forrageira tropical associada à eficiência proporcionada por esse método de pastejo.

Manter a eficiência de pastejo sem interferir negativamente no desempenho animal, ou seja, fornecer ao animal um pasto com quantidade ideal para atender às suas exigências nutricionais, é a chave do sucesso da produtividade animal em pastagens. Caso a eficiência de pastejo seja baixa, a qualidade da forragem cai devido à formação de hastes e folhas senescentes (secas/envelhecidas).

Se a pressão de pastejo for muito intensa, pode interferir na produção da planta forrageira, uma vez que a impede de atingir a altura adequada do dossel, o que reflete na qualidade e quantidade de forragem produzida. Em resumo, pode-se afirmar que a taxa adequada de lotação define a produtividade de sistemas de produção animal em pastagens.

A situação que normalmente é encontrada nas fazendas são grandes pastos, todos ocupados por diferentes lotes. O pastejo rotacionado pode concentrar esses lotes menores em um único lote de manejo, este que fará proveito de todos os piquetes anteriormente ocupados. Com isso, apenas um pasto estará sob pastejo, enquanto os outros se encontram em descanso.

Sistemas rotacionados com poucos piquetes (quatro, por exemplo) tendem a baixas produtividades no médio e longo prazo, pois os períodos de ocupação são longos e tendem a permitir o consumo da rebrota da planta forrageira, principalmente, quando há condições de fertilidade de solo e climáticas favoráveis. Em casos de uso de poucos piquetes, o cuidado no manejo deve ser semelhante ao sistema de pastejo contínuo, em que a preocupação é manter a altura do dossel.

Quando o número de piquetes é aumentado, a definição do momento de se iniciar o pastejo é mais fácil e determinada pela altura da planta forrageira. Já a altura do resíduo pós-pastejo indica o momento de transferir o rebanho para o próximo piquete de maior produção no momento, abandonando a ideia de movimentação dos animais no sentido horário ou anti-horário.

O número de piquetes é definido pelo período de descanso (PD) e período de ocupação (PO), pela seguinte fórmula:

Nº de piquetes = PD/PO + 1

Como o PD é definido pela altura da planta e não pelo número de dias, estima-se que em sistemas intensivos com elevadas produtividades, o PD médio seja de 15 a 20 dias. Já em sistemas que ainda não exploram o potencial da planta, o PD pode ser maior, atingindo mais de 30 dias.

A tendência de sistemas intensificados é de se aumentar o lote de animais sob manejo rotacionado para reduzir custos em infraestrutura de cercas, principalmente. Atualmente, é frequente o manejo de lotes superiores a 600 cabeças. Lotes maiores permitem melhores manejos, devido ao fato da maior atenção aos detalhes, atendendo à elevada eficiência de pastejo.

Se o pecuarista tem lotes de 80 cabeças e maneja rebanho de 800 cabeças, seria necessário visitar e manejar 10 lotes todos os dias. Por outro lado, poderia permanecer o dia todo manejando o lote de 800 cabeças em um único piquete, definindo o momento exato de transferir os animais para o próximo pasto.

A resistência de pecuaristas ao manejo de lotes maiores pode ser justificada pela inadequada infraestrutura em relação ao acesso a cochos de água e suplementos minerais, proteicos ou energéticos. Lotes maiores necessitam de livre acesso a essas infraestruturas, sendo necessários de 3 a 5 cm/cabeça para os bebedouros e de 5 a 8 cm/cabeça para cochos de suplemento mineral de linha branca.

A localização de bebedouros e cochos para suplementação mineral na área de serviço também tem importância e podem reduzir a competição entre os animais, desde que instalados corretamente.

Portanto, para o sistema de manejo rotacionado, conclui-se que o tamanho dos piquetes e do lote de animais que o pecuarista deseja manejar depende da área de serviço disponível, pois pode haver competição no acesso aos bebedouros e cochos de suplementação. A competição por alimento no pasto é minimizada pelo manejo do pastejo empregado pelo manejador.

Antes de mais nada, a limpeza do pasto é fundamental. Você pode ler mais sobre isso nesta matéria aqui.

E você, como faz o manejo rotacionado na sua propriedade? Conte pra gente nos comentários. 🙂

Autores:
Moacyr Corsi, graduado em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP (1967), mestrado em Agronomia pela Ohio State University (1970), doutorado em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP (1972) e PhD em Agronomia pela Ohio State University (1984). Possui dois pós-doutorados: um em West Virginia University (1991) e outro em Massey University (2002).
Lais Bellodi Arruda, graduada em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP (2018).

 

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