Sazonalidade dos preços do boi gordo

Normalmente, há valorização do boi gordo nos últimos meses do ano, com ajuda do consumo e, ainda, com a redução da oferta por causa da entressafra.

Sazonalidade dos preços do boi gordo

Você já reparou que o mercado do boi gordo varia de acordo com a safra e a entressafra? Temos explicação para isso: a primeira, vai de janeiro a maio, quando a oferta de pasto é abundante, com boa disponibilidade de gado para abate. Também é nesse período que ocorre o descarte de fêmeas que não emprenharam na estação de monta, que acontece entre os meses de outubro e março, com pico da venda de vacas e novilhas vazias em março.

Nos meses de abril e maio, no final da safra, as chuvas diminuem e a oferta de capim também, o que eleva o custo de manutenção e engorda do gado. Com isso, há um aumento na oferta, conhecida como desova de final de safra, o que pressiona as cotações do boi gordo para baixo.

Quando começa a entressafra, período no qual o mercado depende mais da oferta de gado
semiconfinado e confinado, os preços se tornam mais firmes. Veja, na figura 1, a curva de cotações da arroba do boi gordo em São Paulo, considerando janeiro como base 100 (comparação da variação de dados considerando determinado período inicial).  

Figura 1
Sazonalidade de preços do boi gordo, entre 2008 e 2017, em R$/@.

Fonte: Scot Consultoria

Perceba que em maio, a desova de final de safra pressiona as cotações, que voltam a ganhar força nos meses seguintes, quando começa a entressafra.

Mais para o final do ano, ainda sem abundância de pastagens, já que as chuvas costumam voltar somente entre setembro e outubro, a oferta continua modesta e, paralelamente, há um aumento no consumo, o que ajuda a elevar a cotação.

Esse incremento de demanda ocorre devido às contratações temporárias de final de ano e acréscimo de renda com os décimos terceiros salários e bonificações. Mais dinheiro circulando ajuda na venda de carne e, por consequência, na precificação do boi gordo.

Expectativa para os próximos meses

Vale ressaltar que as variações históricas são um bom indicativo, mas não são promessas de preço. Dito isso, a figura 2 mostra as variações das cotações do boi gordo nos últimos anos, entre setembro e novembro.

Figura 2
Variações de preços do boi gordo entre setembro e novembro, de 2008 a 2017.

Figura 2 - Variações de preços do boi gordo entre setembro e novembro, de 2008 a 2017
Fonte: Scot Consultoria

A valorização média do período foi de 3,8%, o que equivaleria a uma cotação média de R$154,20/@ a prazo e livre de Funrural, para novembro, em São Paulo.

E na prática?

O conhecimento dessa dinâmica de preços no mercado do boi gordo, ao longo do ano, permite ao pecuarista se planejar com relação à atividade e traçar as melhores oportunidades de venda da boiada. 

O cenário atual é de oferta curta de boiadas, devido à pouca atratividade do confinamento ao longo de boa parte do ano, o que limitou a quantidade de gado no cocho e isso pode fazer com que a cotação suba.

Pelo lado da demanda, as expectativas dependem da economia e estas estavam mais promissoras antes da greve de maio, mas, ainda assim, podemos observar um cenário de escoamento positivo de carne bovina, frente ao observado em 2017, fator que também pode colaborar para o aumento da arroba.

Além disso, a manutenção de margens de comercialização da indústria em patamares próximos da média histórica, ilustra esse cenário positivo da demanda, mesmo com o aumento dos abates no primeiro semestre (mais oferta de carne).

A somatória desses fatores aponta que, para os próximos meses, devemos ter um cenário de preços firmes, com possíveis valorizações do boi gordo.

Autor: Hyberville Neto – Médico Veterinário, msc.

 

 

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