Segundo semestre com menos fêmeas

A maior participação de fêmeas no abate total de bovinos gera a expectativa de um mercado positivo nos próximos anos, tornando o momento atual interessante para a compra de arrobas. O estoque tende a se valorizar.

Neste ano, tivemos a greve dos caminhoneiros, atrapalhando as projeções econômicas, um ano após as delações premiadas, que também bagunçaram as expectativas econômicas.

A quantidade de bovinos abatidos aumentou no primeiro trimestre deste ano em 4,4% frente ao mesmo intervalo de 2017. Esse acréscimo foi decorrente da retenção de fêmeas ocorrida entre 2014 e 2016, além da redução do interesse econômico pela cria, que aumentou o descarte de vacas e novilhas em 2018.

Ainda comparando os primeiros trimestres, os abates de machos aumentaram 1,6%, enquanto os de fêmeas subiram 7,9%, reflexo dos preços pouco atraentes do bezerro. Os próprios solavancos pelos quais a pecuária passou no último ano não ajudaram a animar o criador.

Essas oscilações da oferta em geral, mas principalmente de fêmeas, são a causa da existência do ciclo pecuário. Veja na figura 1 as evoluções dos abates de machos e fêmeas nos primeiros trimestres de cada ano.

Figura 1
Abates de machos e fêmeas nos primeiros trimestres, em milhões de cabeças (eixo da esquerda) e participação de fêmeas nos abates (eixo da direita).

Após períodos de maior volume de fêmeas abatidas, como observado atualmente, a tendência é de redução da oferta nos anos seguintes. Isso gera a expectativa de um mercado positivo nos próximos anos, tornando o momento atual interessante para a compra de arrobas. O estoque tende a se valorizar.  

Sazonalidade dos abates ao longo do ano

De acordo com os momentos de mercado, as fases do ciclo, temos uma oferta maior ou menor de fêmeas, ilustrando o cenário de investimento ou não na atividade. Mas também há variações ao longo do ano. No primeiro trimestre, tipicamente, há uma oferta maior de fêmeas para abate, oriundas dos descartes após a estação de monta, que ocorre entre o final e o começo do ano no Brasil Central.

A figura 2 mostra a evolução dos abates por categoria ao longo dos meses, considerando o período entre 2000 e 2017, último ano com dados completos. As porcentagens equivalem à representatividade do mês nos abates anuais da categoria (machos ou fêmeas).

Figura 2
Sazonalidade dos abates de machos e fêmeas no período entre 2000 e 2017.

Observe como os abates de fêmeas diminuem ao longo do segundo semestre. Isso acontece devido à menor participação de matrizes no confinamento, que tem peso no segundo semestre.

A oferta de machos ganha força na segunda metade do ano, também influenciada pela disponibilidade de gado de cocho.

Conclusões

Boa parte do aumento da oferta no primeiro trimestre está relacionada aos abates de fêmeas, que normalmente perdem força na segunda metade do ano.

Para os próximos meses, com menor peso das vendas de fêmeas e a entressafra, a oferta de boiadas confinadas ganha importância.

Então, temos as questões relacionadas ao retorno econômico do confinamento. As projeções de resultados para a boiada no primeiro giro ou rodada de confinamento não foram interessantes com o milho mais caro e os preços de venda da arroba em patamares pouco atrativos. Para o abate no último trimestre, segundo giro, o cenário está sem grande atratividade, com preços futuros do boi gordo ainda em recuperação e o mercado do milho em patamar mais alto.

Autor: Hyberville Neto – Médico Veterinário, msc.

 

 

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