Situação das exportações de carne bovina desde a operação carne fraca

Apesar da suspensão de compra da Rússia e dos Estados Unidos, a China vem colaborando para que as exportações brasileiras não caiam drasticamente. De 2015 a 2017, o volume embarcado para a China cresceu 345,3%.

No dia 17 de março de 2017, foi deflagrada a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, contra esquemas de pagamento de propina envolvendo fiscais do MAPA e frigoríficos no país.

A informação de que produtos inseguros para consumo estavam sendo comercializados causou pânico, sendo que Hong Kong, China, Chile e Egito paralisaram as compras à espera de mais esclarecimentos. Os Estados Unidos aumentaram a fiscalização do produto brasileiro que chegava ao país.

Veja na figura 1 que, de março a abril do ano passado, as exportações caíram 27,4% em volume, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Já o faturamento teve redução de 25,6%.

Figura 1
Volume de carne bovina exportada pelo Brasil, em milhares de toneladas de equivalente de carcaça (tec).

Contudo, já em maio as exportações voltaram a crescer. Após os esclarecimentos do Governo brasileiro, os mercados voltaram a comprar a nossa carne e as exportações ficaram positivas no segundo semestre em relação a 2016.

De acordo com o MDIC, no acumulado de 2017, o volume de carne bovina exportada pelo Brasil foi de 1,97 milhão de toneladas de equivalente de carcaça, com faturamento total de US$ 6,09 bilhões.

Em relação a 2016, o volume embarcado cresceu 8%, enquanto o faturamento teve alta de 14%. Os principais compradores foram Hong Kong, China, Egito e Rússia.

Figura 2
Principais compradores da carne bovina brasileira em 2017.

Em 2018, no primeiro semestre (últimos dados divulgados), foram exportadas 850,67 mil toneladas de equivalente de carcaça. Houve queda de 2,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O faturamento total foi de US$ 2,64 bilhões no período.

Vale lembrar que, entre os dias 21 de maio e 1º de junho, a greve dos caminhoneiros impossibilitou a chegada dos caminhões aos portos do Brasil, fato que prejudicou os embarques nesse período e fez o volume exportado ficar aquém do esperado.

Estados Unidos

Após a Operação Carne Fraca, os EUA intensificaram a fiscalização da carne bovina in natura brasileira, sendo feitos testes em 100% dos lotes.

Depois de três meses da Operação, foi suspensa a importação de carne bovina fresca brasileira após o país obter resultado negativo nos testes de qualidade: 11% dos produtos importados foram rejeitados, acima do 1% de rejeição das entregas dos outros países exportadores.

Apesar de o volume exportado para os EUA não ser um dos maiores, a maior importância vinha de os norte-americanos serem uma referência em controle de qualidade para outros países, o que possibilitaria a abertura de novos mercados, mais exigentes.

Rússia

É um dos principais compradores de carne bovina do Brasil, com 151,6 mil toneladas importadas em 2017. Entretanto, em novembro de 2017, o Serviço Veterinário e Fitossanitário da Rússia anunciou a suspensão temporária das importações de carnes bovina e suína brasileiras. A medida foi tomada após a detecção de ractopamina e outros estimulantes para o crescimento na carne exportada pelo Brasil.

Até o fechamento deste artigo, nem os EUA nem a Rússia voltaram a comprar a carne bovina brasileira. 

Considerações finais

Apesar da suspensão de compra da Rússia e dos EUA, a retomada dos embarques para a China vem colaborando com as exportações brasileiras. De 2015 (retomada das exportações) a 2017, o volume embarcado para o país asiático cresceu 345,3%. A China ficou atrás apenas de Hong Kong em volume importado em 2017.

Isso corrobora com a importância de as exportações brasileiras não serem concentradas em poucos clientes.

Apesar de o mercado externo corresponder a 20% da produção brasileira (80% da produção tem como destino o mercado interno), as exportações são um importante fator de escoamento, principalmente em períodos em que o mercado interno está enfraquecido, como é o nosso caso nos últimos anos.

Assim, é importante que o Brasil continue a busca de novos mercados. Em 2018, tivemos a abertura do mercado sul-coreano e da Indonésia.

Segundo o USDA, para 2018, a expectativa é de que a exportações brasileiras de carne bovina cresçam 9,1%, resultado do crescimento da demanda dos principais compradores (China e Hong Kong).

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) estimou no final de 2017 um crescimento de 9,8% nos embarques nacionais de carne bovina em 2018, frente ao ano anterior, resultado de uma possível retomada das exportações para os EUA, aumento dos embarques para a China, início das exportações para a Indonésia e a Tailândia e liberação de Cingapura para exportação de carne com osso e miúdos.

Entretanto, conforme mostrado anteriormente, a primeiro semestre de 2018 ficou aquém do esperado (queda de 2,7% frente ao mesmo período de 2017).

Dessa forma, para que a expectativa se confirme, é necessária uma melhora no volume e no faturamento para o segundo semestre. Tarefa difícil, considerando as poucas alterações na situação dos principais importadores da carne bovina brasileira.

Autora: Isabella Camargo – Zootecnista

 

 

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