Tecnologia: o caminho para vencer a barreira das plantas daninhas

Nas áreas onde há pastagem, a solução é a intensificação e utilização de novas tecnologias.

Valdir Baseggio
Fazenda: Dona Leila
Município: Rosário Oeste-MT
Rebanho: 3,5 mil cabeças (cria, recria e engorda)
amanho da propriedade: 5 mil hectares

Através do uso de novas tecnologias, o pecuarista Valdir Baseggio nos relata que tem tido sucesso no controle de plantas daninhas de difícil controle.

 Acompanhe a entrevista exclusiva concedida para a equipe do Pasto Livre:

 Entrevista:

Como o senhor entrou para a pecuária?

VB: Sou natural de Santa Catarina e há quinze anos migrei para Mato Grosso com a intenção de trabalhar com lavoura, mas a pecuária já estava implantada na propriedade. Consegui me adaptar à atividade e estou nesta área desde então.

 

Quais são os principais desafios na propriedade?

VB: A produção de alimento para os animais. Se não tiver atenção e cuidado, as plantas daninhas aparecem e há uma redução na qualidade e quantidade da pastagem.

E o que o senhor está fazendo para melhorar o resultado e lidar com esse desafio?

VB: Aplicações de calcário e em seguida de produtos químicos para matar as plantas daninhas. Há áreas em que passo grade e aplico adubo, mas tem que ficar atento para manter a pastagem limpa.

 

Quais são as principais plantas daninhas que já afetaram ou que afetam a sua propriedade?

VB: Na época das águas é quando normalmente aparecem as plantas daninhas, que são: Guanxuma, Fedegoso, Assa-peixe, Lixeira e a Pata de Vaca. Ainda aparecem outras que a gente não sabe nem o nome.

 

E existem áreas com plantas daninhas de difícil controle?

VB: Tem sim. Quando o pasto chega na fase de alta infestação, optamos por formar ele de novo, através da gradagem e ressemeadura. Sempre há áreas mais infestadas que ficam nessa situação.

 

E o que o limita fazer o controle dessas áreas?

 VB: A falta de produtos químicos no mercado é o principal fator limitante.

Atualmente, na propriedade, estamos realizando um experimento junto com a Dow AgroSciences de um novo produto, uma nova tecnologia e, até o momento, o produto está sendo eficiente.

Isso porque, mesmo após a gradagem, não é possível acabar com 100% das plantas daninhas. Mas este novo produto está apresentando um bom resultado.

 

O senhor nos disse que existem áreas bastante infestadas. Qual a diferença da área tratada com esse produto em relação a uma área que não tem tratamento e também está infestada?

VB: A diferença foi visualmente grande. Apenas de olhar é possível perceber que a área com o tratamento está bem melhor que a área sem tratamento. O gado pasteja primeiro na área tratada devido à melhor condição da pastagem.

 

Sobre a área que foi tratada com esta nova tecnologia, podemos dizer que era uma área que estava

“perdida”, ou seja, sem pasto?

VB: Sim. Aquela era uma área que nós estávamos com a intenção de gradear e reformar, ou seja, implantar o pasto do zero. Não tinha o que fazer.

Isso porque, mesmo passando a roçadeira, não vale a pena o manejo, pois depois de algum período as plantas daninhas voltam.

Aliás, na área em que passamos a roçadeira, mas não aplicamos esta tecnologia, as daninhas voltaram após um ano. Então a ideia era gradear tudo e plantar de novo.

 

Então, entre reformar o pasto ou utilizar a nova tecnologia, o que o senhor acha mais viável?

 VB: Nas áreas onde há pastagem o mais viável é utilizar a nova tecnologia.

 

E qual é a reincidência das daninhas nas áreas tratadas?

VB: Onde o produto foi aplicado, visualmente falando, 95% das daninhas desapareceram. Então a tolerância é quase zero.

 

Além da baixa tolerância das plantas daninhas à esta nova tecnologia, há alguma outra vantagem em relação à reforma ao utilizar esse produto?

VB: Há outra vantagem sim. Por exemplo, quando gradeada a área, a rebrota demora no mínimo de 60 a 90 dias e só após esse período dá para soltar o gado novamente. Além disso, tem de ser com animais mais leves para não arrancar todo o pasto.

Já utilizando a nova tecnologia, após 45 a 50 dias, o pasto já está pronto. Portanto, podemos colocar os animais antes, na comparação com as áreas sem tratamento.

 

Quais sugestões o senhor pode passar para os outros pecuaristas que sofrem com as plantas daninhas de difícil controle?

VB: A minha sugestão é a de buscarem a intensificação, o uso de tecnologia. Por exemplo, onde há áreas com pastagem, esta nova tecnologia se mostrou uma ferramenta de resultado rápido, que, apesar de exigir um investimento, o custo benefício ao longo dos anos é maior quando comparamos com as áreas onde não utilizamos o novo produto.

Isso por que, quando reformamos a pastagem através do uso de gradagem, a partir do segundo, terceiro ano, as daninhas voltam a aparecer na pastagem. Então será necessário o uso de algum produto químico para eliminar as daninhas.

Portanto, se há necessidade de aplicação destes produtos químicos, o melhor a se fazer é aplicar um produto que tenha resultado garantido e evite a reincidência das plantas daninhas.

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