Primeiros 10 dias de outubro e tendências para o mercado do boi gordo

Mercado perdeu sustentação na primeira metade de outubro, com a demanda fraca no mercado interno, queda do dólar e reflexos nas exportações de carne bovina.

Primeiros 10 dias de outubro e tendências para o mercado do boi gordo

A oferta de boiadas está pequena, cenário esperado para esta época do ano. Contrapondo a pouca oferta, o escoamento da carne bovina está lento.

O feriado do dia 12 de outubro (Padroeira do Brasil) não foi suficiente para dar fôlego ao mercado do boi gordo, evidenciando o consumo abaixo do esperado. Com isso, apesar da pouca oferta de boiadas, nos primeiros dez dias de outubro, o que se viu foi um mercado com preços patinando. Em São Paulo, por exemplo, nesse período a cotação da arroba do boi gordo caiu 1,0%, considerando o preço à vista, livre de Funrural.

Apenas como comparação, na primeira semana de outubro, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o Brasil embarcou um volume diário de 6,8 mil toneladas, queda de 14,0% frente à média diária de setembro último.

Na prática, o arrefecimento da exportação, pelo menos nesse primeiro momento, significa menor demanda por boiadas, o que colabora com preços mais frouxos em relação ao observado há algumas semanas.

Assim como no mercado do boi gordo, no atacado de carne bovina com osso, os preços caíram no início de outubro. A carcaça de bovinos castrados (boi casado) caiu 1,3% na primeira semana do mês.

Outro fator que pode limitar as altas é o segundo giro do confinamento. Apesar da expectativa de redução de animais confinados em 2018 frente a 2017, deveremos observar um aumento da quantidade de animais confinados terminados no segundo giro em relação ao primeiro.

Todos estes fatores colaboraram com a menor pressão de alta no mercado no início de outubro em relação ao que vinha sendo observado, até então, desde o início do segundo semestre.

Expectativas

Apesar da dificuldade em escoar a produção no começo deste último trimestre de 2018, há de se lembrar que os últimos três meses do ano são, sazonalmente, o período no qual são registrados os maiores preços, tanto para a arroba do boi gordo quanto para a carne bovina.

Esse movimento de alta no último trimestre é reflexo da maior demanda, consequência das contratações de fim de ano, recebimento do décimo terceiro, bonificações e festas de fim de ano.

Mesmo com as incertezas, o fato é que a economia está melhor, o que favorece o consumo.

O Índice de Confiança do Consumidor (INEC) registrou, em setembro último, 105,9 pontos. Apesar de ainda estar abaixo da média histórica (107,7), esse é o maior patamar desde dezembro de 2014. Na prática, o resultado do INEC é mais um fator que corrobora com a expectativa de melhora do consumo.

Apesar do esperado aumento do volume de boiadas confinadas no segundo giro frente ao primeiro, a expectativa é de que haja uma redução de cabeças confinadas em 2018 em relação ao ano anterior. Segundo o IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), a expectativa é de que sejam confinados 681,5 mil bovinos em 2018 em Mato Grosso, queda de 1,82% na comparação com 2017.

Mesmo com a diminuição recente, os embarques continuam em patamares acima dos registrados em 2017. Na média diária da primeira semana de outubro de 2018, o país exportou 20,8% mais do que a média diária em outubro de 2017.

Portanto, apesar de um cenário de preços menos firmes para o mercado do boi gordo, a perspectiva é de que não tenhamos uma pressão de baixa expressiva no curto prazo.

Para o pecuarista que pretende vender sua boiada em curto prazo, chamamos atenção ao momento do mercado, pois devido a maior oferta de animais disponíveis para abate e queda do dólar (recuo da margem dos frigoríficos exportadores) as cotações deverão se manter pressionadas na segunda quinzena de outubro.

Autor: Felippe Reis – Zootecnista   
 
 
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