A trajetória dos contratos futuros de outubro e novembro em 2018

Embora o mercado possa retomar a firmeza e as cotações ganharem força, o pecuarista que travou preços lá no início do ano passou 2018 sem sustos e está com a margem garantida.

A trajetória dos contratos futuros de outubro e novembro em 2018

O ano entra em sua reta final e, sazonalmente, nesse período a arroba do boi gordo atinge seus maiores patamares no ano. É claro que esse comportamento não é uma regra, mas é um movimento que se repete historicamente.

Diante dessas expectativas, avaliaremos as projeções do mercado futuro para os contratos com vencimento em outubro e novembro de 2018.

Contratos futuros de outubro e novembro

Os contratos de outubro e novembro geralmente apresentam volume de negócios mais relevante. Nesse período, a quantidade de bovinos confinados destinados ao abate é expressiva e uma parte dos confinadores utiliza ferramentas de proteção de preços para “travar” a cotação da arroba do boi gordo.

Com a proximidade do vencimento desses contratos, a expectativa aumenta por parte dos produtores para saber se “fizeram uma boa trava” de preços.

Aqui cabe ressaltar que, na pecuária de corte, a utilização das ferramentas de preços serve para garantir preço para o produtor e minimizar os riscos de mercado, a especulação é um mercado à parte. Dessa forma, independentemente do valor que for liquidado o contrato, a margem foi travada lá atrás.

O contrato com vencimento para outubro iniciou 2018 cotado em R$153,50 por arroba, porém, devido à desvalorização no mercado físico, esse patamar de R$153,00 veio abaixo e, ao longo de 2018, as cotações oscilaram próximas a R$150,00, com uma amplitude em torno de R$2,00, tanto para cima, como para baixo.

Para o contrato de novembro, a situação foi parecida. A diferença, porém, foi que este não apresentou no início do ano os patamares de R$153,00 por arroba. Seus primeiros contratos em janeiro foram precificados em torno de R$149,30.

Com o mercado físico sem grandes surpresas, houve pouco espaço para movimentações expressivas desses contratos no mercado futuro. Entretanto, essa “calmaria” teve fim em setembro.

Devido ao menor volume de animais confinados no primeiro giro, faltou boi para os frigoríficos, e essa dificuldade de oferta, somada ao aquecimento das exportações, fez a cotação da arroba do boi gordo subir no mercado físico e, consequentemente, valorizou os contratos futuros de outubro e novembro.

Figura 1
Cotações dos contratos futuros de boi gordo com vencimento para outubro de 2018, à vista, livre de Funrural. 

Figura 1 - Fonte: Scot Consultoria
Fonte: B3, elaborado por Scot Consultoria.

Aliás, em setembro o contrato de novembro atingiu sua máxima em 2018 (R$153,00/@) e o contrato de outubro bateu os mesmos patamares que havia registrado lá no início do ano (R$153,50/@).

Esse movimento de alta, tanto no mercado físico como no mercado futuro, na reta final do ano, indicava que 2018 seria mais um daqueles anos que, no final das contas, o pecuarista que correu risco e não usou as ferramentas de gestão de risco teria a mesma sorte que aquele que se protegeu lá no início do ano. Entretanto, do final de setembro até a data de elaboração deste artigo, o mercado físico do boi gordo perdeu força e, consequentemente, as cotações no mercado futuro sentiram o baque e também se desvalorizaram.

Do pico da alta de setembro até a elaboração deste artigo (9/10), as cotações para o contrato futuro de outubro caíram 3,0%, cotado em R$148,40/@, e o contrato de novembro caiu 2,5%, cotado em R$148,70/@.

Essas cotações dos contratos futuros estão apontando que o mercado físico pode se desvalorizar nesta reta final do ano. É claro que o mercado futuro é especulativo e não decreta o preço do mercado físico. Porém, nesta altura do campeonato, quem travou a boiada em janeiro, quando o contrato futuro de outubro apontava R$153,50, teve um sono tranquilo e agora não precisa torcer, pois a margem está garantida.

Conclusões

Ao longo de 2018 houve pouco espaço para variações das cotações dos contratos futuros de outubro e novembro. Entretanto, com a proximidade dos vencimentos, esses contratos se desvalorizaram diante da menor firmeza do mercado do boi gordo.

Embora o mercado possa retomar a firmeza e as cotações ganharem força, o pecuarista que travou suas boiadas lá no início do ano passou o 2018 sem sustos e está com a sua margem garantida.

As ferramentas de proteção de preços estão disponíveis e devem ser utilizadas pelos pecuaristas como mecanismos de proteção e mitigação de risco. Para saber mais, confira o artigo “As ferramentas de proteção de preços a favor do pecuarista”, que aborda o funcionamento dessas ferramentas. Vale a pena conferir.

Autor: Breno de Lima – Zootecnista

 

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