Tudo o que você precisa saber sobre o crédito agrícola

Para a pecuária, existe uma linha de crédito específica para a recuperação das pastagens. É o Programa ABC, que possui condições especiais de limites, juros e prazos de pagamento. Saiba mais.

crédito agrícola

O financiamento é uma opção para o produtor que deseja investir em sua atividade, aumentar sua produção ou até mesmo cobrir suas despesas operacionais, mas que não dispõe de recursos próprios. Na agropecuária, atividade em que a gestão do fluxo de caixa é um grande desafio, o crédito tem papel muito importante.

Antes de nos aprofundarmos nesse tema, precisamos entender as dificuldades que envolvem o planejamento do fluxo de caixa na fazenda. O fluxo de caixa nada mais é do que a contabilização de tudo que entra e sai de dinheiro em um determinado período. O  desafio é consequência da concentração de ganhos em períodos específicos, como a venda da boiada terminada (concentrada em determinados momentos do ano) frente aos gastos contínuos (mão de obra, nutrição, etc.).

Vejamos o caso do Sr. João, por exemplo, que possui uma fazenda de cria no sul da Bahia. A comercialização da sua produção (bezerros) acontece logo após a desmama, entre abril, maio e junho. Dessa forma, a entrada maior de capital concentra-se nesses meses.

Mas, como os custos são constantes, ele não consegue fazer o planejamento adequado das receitas que entram nesses três meses para pagar os gastos dos nove meses restantes do ano. Por isso, ele precisa captar recursos de outras fontes para comprar seus insumos, pagar seus funcionários e “tocar” a operação. É aí que entra o crédito agrícola.

O Sr. João também planeja recuperar suas pastagens degradadas, mas falta capital para isso. Contudo, ele pode fazer um financiamento por meio de linha específica (Programa ABC) para arcar com os gastos com sementes, máquinas, implementos e fertilizantes. Mais para a frente, detalharemos esse programa.

Informações gerais sobre o Crédito Rural

Ele é destinado a produtores rurais (pessoa física ou jurídica) e cooperativas para aplicação exclusiva nas seguintes finalidades:

  • Custeio: destina-se a cobrir despesas habituais dos ciclos produtivos.
  • Investimento: é aplicado em bens ou serviços duráveis, cujos benefícios se estendam por vários ciclos produtivos.
  • Comercialização: assegura os recursos necessários para comercialização dos produtos no mercado.
  • Industrialização: destina-se à industrialização de produtos agropecuários por produtores ou suas cooperativas.

Plano Safra

Todos os anos, no começo do segundo semestre, o Brasil anuncia o Plano Agrícola e Pecuário (PAP), também conhecido como Plano Safra. Nele, estão contidos os detalhes das linhas de financiamentos e montantes disponíveis para o período referente ao calendário agrícola anual.

Importante ressaltar que, ano a ano, o Governo Federal tem alocado cada vez mais recursos para o crédito rural. Na safra passada (2017/18), o total disponibilizado para crédito foi de R$ 188,3 bilhões. Já em 2018/2019, foram anunciados R$ 191,1 bilhões para crédito, dos quais as taxas de juros se situam entre 5,25% e 9,5% ao ano. Esse dinheiro é tomado diretamente nos bancos públicos ou privados ou por meio das cooperativas de crédito.

Além do crédito, o PAP também reserva montantes para o Seguro Rural e outras iniciativas de apoio à comercialização, como por exemplo, aquisição de contratos de opção. Portanto, na soma de todos os montantes, o volume total destinado para o agronegócio na safra 18/19 foi de R$ 194,3 bilhões.

Figura 1
Evolução do total de recursos disponíveis para a agricultura por meio do Plano Agrícola (PAP), em bilhões de reais (valores nominais).

Fonte: BCB | Mapa | Compilado pela Scot Consultoria

Historicamente, a maior parte dos financiamentos destinam-se a créditos de custeio para cobrir os gastos rotineiros com as atividades no campo. De julho de 2018 a janeiro de 2019, por exemplo, do valor total contratado, 57% foi para custeio da produção. Outro fato interessante é que apenas 28% do total contratado nesse intervalo foi para a pecuária e o restante para a agricultura.

As linhas de crédito, assim como as formas de pagamento, prazos e taxas de juros são diversas. Cabe ao produtor procurar a instituição financeira que atenda melhor à sua necessidade.

Também existem programas de investimentos operados com recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), que possuem finalidades específicas e têm o objetivo de fomentar determinadas atividades. Abaixo listamos as principais.

Linhas de investimento

  • Moderagro: financia projetos de modernização e expansão da produtividade nos setores agropecuários e ações voltadas à recuperação do solo e à defesa animal.
  • Pronaf: tem por objetivo suprir as necessidades específicas dos pequenos agricultores que se baseiam principalmente na mão de obra familiar.
  • Pronamp: é direcionado para médios produtores rurais que querem investir em suas atividades agropecuárias.
  • Inovagro: quando o produtor rural tem como objetivo investir em inovação tecnológica na sua propriedade, como, por exemplo, a implementação de equipamentos da agricultura de precisão.
  • Moderfrota: programa voltado para o financiamento de máquinas, implementos e equipamentos agrícolas.
  • PCA: é focado no investimento em construção, modernização, reforma ou ampliação de armazéns.
  • Moderinfra: modalidade de financiamento que promove o investimento na agropecuária irrigada sustentável.
  • Programa ABC: programa de Agricultura de Baixo Carbono – financia investimentos que contribuam para a redução de impactos ambientais causados por atividades agropecuárias, como, por exemplo, a recuperação de pastagens degradadas, a implantação de sistemas de integração lavoura/pecuária/floresta, a recuperação da reserva legal, a implantação de sistemas de tratamento de resíduos oriundos de produção animal para geração de energia, entre outros.

Voltando ao exemplo do Sr. João:
Visando aumentar a oferta e a qualidade do pasto que oferece às suas matrizes, financiar R$ 3 milhões em um prazo de 12 anos com juros de 6,0% ao ano para poder fazer a reforma da sua pastagem parece uma boa opção.

Mas, além do Sr. João, há muito espaço para crescimento da demanda por contratação de crédito para essa finalidade, considerando que grande parte da área total de pastagem no Brasil está em algum estágio de degradação.

A disponibilidade de recursos pelo Programa ABC na safra 2018/19 foi de R$ 2 bilhões e, para safra 2019/2020, esse valor deverá ser ampliado.

O limite de crédito da linha é de até R$ 5 milhões por pessoa, física ou jurídica. Dependendo do tipo de projeto, o prazo de pagamento pode variar de 5 a 12 anos, assim como a carência, que também pode variar de 5 a 8 anos.

Quanto aos juros, Sr. João pegou a maior alíquota: 6%, mas a taxa pode chegar a 5,25% ao ano para linhas de adequação ou regularização das propriedades rurais frente à legislação ambiental, como a recuperação de áreas de preservação permanente.

LEIA TAMBÉM: Funrural 2019: tire suas dúvidas e entenda o que muda este ano

Conclusão

Como os níveis competitivos e de risco aumentaram na pecuária ao longo dos anos, os pecuaristas devem ficar atentos às condições financeiras do negócio.

Como é indiscutível a importância do agronegócio para a economia do Brasil, a concessão de crédito para o setor é uma prioridade governamental, além de políticas públicas que envolvam a redução de juros, o aumento do prazo para pagamento e a simplificação/redução de burocracias impostas para obtenção do crédito. Isso porque esses fatores são limitantes para o crescimento das contratações.

Todas essas vantagens permitem que produtor rural adote novas tecnologias, aumente sua capacidade produtiva, gerando renda, qualidade de vida e empregos, movimentando a economia como um todo.

Autora: Marina Zaia – Médica Veterinária

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*